Sexta e última halachá do Perek Zayin de Massechet Kilayim, abrindo uma Mishná nova: o vaso perfurado (que, por seu furo, é considerado ligado à terra) santifica no vinhedo, e o vaso que não é perfurado (considerado destacado da terra) não santifica; Rabi Shimon discorda, ensinando que tanto um quanto o outro são proibidos, mas nenhum dos dois santifica; e quem passa um vaso perfurado pelo vinhedo, se a planta nele cresceu um duzentos avos durante a passagem, é proibido. A guemará ensina que a única diferença remanescente entre vaso perfurado e não perfurado, segundo Rabi Shimon, é a preparação das sementes para a impureza; repete a Mishná com suas consequências para dízimos, teruma e a responsabilidade de quem colhe; traz as perguntas de Rabi Yossei sobre a bênção do pão feito de grão crescido em vaso não perfurado, de Rabi Yoná sobre se uma abóbora ali crescida serve para cobrir a sucá, e de Rabi Yehudá bar Pazi sobre cinco videiras em cinco vasos não perfurados dispostas como um vinhedo; e fecha com Shmuel e Rabi Yochanan esclarecendo a altura e o modo da passagem do vaso sob a videira, e com a disputa entre Rabi Lazar e Rabi Yochanan sobre cinco vasos não perfurados passados sob uma única videira. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Zayin de Massechet Kilayim.
Mishná: Vaso perfurado (que, por ter um furo no fundo, é considerado ligado à terra) santifica no vinhedo; e o que não é perfurado (e por isso é considerado destacado da terra) não santifica. Rabi Shimon diz: tanto este quanto aquele são proibidos, mas nenhum dos dois santifica. Aquele que faz passar um vaso perfurado pelo vinhedo (carregando-o de um lugar a outro, sem plantá-lo ali) — se a planta nele cresceu um duzentos avos (de seu tamanho, durante essa passagem), é proibido.
Halachá: Foi ensinado: não há diferença entre vaso perfurado e vaso não perfurado, senão apenas quanto à preparação das sementes para a impureza (hechsher zeraim — a condição pela qual sementes se tornam suscetíveis à impureza ao serem molhadas, conforme Vayikrá 11:38). Isto, segundo Rabi Shimon (que ensina que ambos os vasos são proibidos, mas nenhum santifica, restando entre eles apenas essa diferença); mas segundo os rabanan (que discordam de Rabi Shimon), há outras diferenças, além dessa: vaso perfurado santifica no vinhedo, e o que não é perfurado não santifica. Quem colhe de um vaso perfurado é responsável (como por qualquer colheita comum); de um vaso não perfurado, é isento. Vaso perfurado não prepara as sementes para a impureza, e o que não é perfurado prepara as sementes. Rabi Yossei a ensinou (esta última cláusula, sobre o hechsher zeraim) sem atribuição (como ensinamento aceito, não como opinião pessoal). Rabi Chanina a transmitiu em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: a Torá ampliou o âmbito da pureza das sementes. Qual a razão? Está escrito: "e se cair de sua carcaça sobre qualquer semente de semeadura que se semeia, pura ela é" (Vayikrá 11:37 — semente já ligada à terra, como a que está num vaso perfurado, permanece fora do alcance da impureza mesmo que molhada).
Halachá: Foi ensinado: de um vaso não perfurado, seus dízimos se separam conforme a lei (como de qualquer colheita comum), e sua teruma não causa demua (a mistura proibida que resulta da queda de teruma sobre produto comum), e não se é responsável por ela pelo acréscimo de um quinto (pago por quem come teruma indevidamente). Rabi Yossei pergunta: o que se pode dizer sobre seu pão, quanto à bênção "que faz sair o pão da terra" (hamotzí — se o grão não cresceu, tecnicamente, ligado à terra)? Rabi Yoná pergunta o mesmo sobre uma abóbora ali crescida: é como algo destacado, para cobrir com ela a sucá (cuja cobertura, o sechach, deve ser de algo já destacado da terra)? Rabi Yehudá bar Pazi pergunta: se alguém plantou cinco videiras em cinco vasos não perfurados, e as dispôs duas contra duas, com uma saindo como cauda (formando o arranjo típico de um vinhedo) — dizes que é um vinhedo (para efeitos de kilayim)? Se ele o virar (mudar a disposição dos vasos), há então um vinhedo que se pode carregar de um lugar a outro?
Halachá: Shmuel disse: a Mishná trata de quem passa o vaso sob cada videira, uma por uma. Disse Rabi Yochanan: é para um espaço de dez côvados de altura acima do solo que a Mishná se refere (acima dessa altura, o vaso já não é considerado "passado pelo vinhedo").
Halachá: Quem passou cinco vasos não perfurados sob uma única videira — isso depende da disputa entre Rabi Lazar e Rabi Yochanan: o que proíbe (a videira, mais forte em sua condição legal) não se torna proibido por essa proximidade, e o que não proíbe (os vasos não perfurados) torna-se proibido. Mas se ele passou um único vaso sob cinco videiras, todos concordam que o que proíbe (a maioria de videiras, sobrepujando o único vaso) torna-se proibido.
Esta é a sexta e última halachá do Perek Zayin de Massechet Kilayim, e abre uma Mishná nova, tratando de um caso distinto do vento e do ramo partido, tema das halachot anteriores: o vaso perfurado, cujo furo no fundo faz com que seja considerado ligado à terra, e por isso capaz de santificar o que estiver plantado nele, se colocado no vinhedo; já o vaso não perfurado, considerado destacado da terra, não santifica. Rabi Shimon discorda dessa distinção, ensinando que tanto um vaso quanto o outro são proibidos de serem mantidos no vinhedo, mas nenhum dos dois santifica de fato o que neles cresce. A Mishná fecha com o caso de quem apenas carrega um vaso perfurado através do vinhedo, sem ali plantá-lo: se a planta, durante essa passagem, cresceu um duzentos avos de seu tamanho, o vaso é proibido.
A guemará abre esclarecendo que, segundo Rabi Shimon, a única diferença remanescente entre vaso perfurado e vaso não perfurado é a preparação das sementes para a impureza (hechsher zeraim); já segundo os sábios, que discordam dele, há diferenças adicionais, que a guemará então enumera repetindo e ampliando os termos da própria Mishná: a santificação no vinhedo, a responsabilidade de quem colhe do vaso, e a preparação das sementes para a impureza — esta última também vinculada, por Rabi Chanina em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, ao versículo de Vayikrá sobre a semente ainda ligada à terra, que a Torá declara pura mesmo que toque uma carcaça impura. Seguem-se três perguntas em aberto que estendem o princípio do vaso não perfurado a outras áreas da lei: Rabi Yossei pergunta sobre a bênção do pão feito de grão ali crescido; Rabi Yoná, sobre se uma abóbora ali crescida serve como cobertura válida da sucá, por ser considerada como algo já destacado da terra; e Rabi Yehudá bar Pazi, sobre cinco videiras plantadas em cinco vasos não perfurados e dispostas segundo o arranjo típico de um vinhedo, perguntando se essa disposição basta para que se considere, tecnicamente, um vinhedo — e se essa condição se mantém mesmo quando os vasos, sendo portáteis, são reorganizados. A guemará fecha esclarecendo os termos exatos da cláusula final da Mishná, sobre quem passa o vaso perfurado pelo vinhedo: segundo Shmuel, trata-se de quem o passa sob cada videira, uma de cada vez; segundo Rabi Yochanan, a Mishná se refere a uma passagem a até dez côvados de altura acima do solo. Por fim, a guemará distingue, através da disputa entre Rabi Lazar e Rabi Yochanan, o caso de cinco vasos não perfurados passados sob uma única videira — em que se discute se a própria videira, por proibir o que está sob ela, também se torna proibida por essa proximidade, ou apenas os vasos — do caso inverso, de um único vaso passado sob cinco videiras, em que todos concordam que a força da maioria de videiras torna proibido o que está sob elas. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Zayin de Massechet Kilayim. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.