Talmud Yerushalmi · Massechet Kilayim · Perek Vav · Halachá 4 (última do perek)
כִּלְאַיִם

Piskei arís, a treliça no canto, o incêndio de Rabi Yochanan ben Nuri, e os cachos pendentes

Perek Vav, Halachá 4 — encerramento do capítulo, no Talmud Yerushalmi, Massechet Kilayim

Quarta e última halachá do Perek Vav de Massechet Kilayim: a Mishná define os piskei arís (trechos separados de uma treliça de videiras) — de oito côvados e mais, a única medida entre todas as que os sábios disseram no vinhedo que recebe esse acréscimo. São piskei arís: uma treliça seca no meio, restando cinco videiras de cada lado; havendo oito côvados entre as duas metades, não se semeia ali, mas havendo oito e mais, dá-se a cada lado seu espaço de trabalho e semeia-se o restante. Uma treliça que sai da parede a partir de um canto e ali termina recebe também seu espaço de trabalho, com Rabi Yossei exigindo ao menos quatro côvados para permitir a semeadura. Seguem-se as regras das varas que se projetam da treliça, permitidas se não foram feitas para sustentar o crescimento novo; da flor e do sarmento que saem da treliça, medidos como se um fio de prumo pendesse deles; e do ramo esticado de uma árvore a outra, proibido por baixo, exceto sob o próprio nó da amarração. A guemará abre harmonizando a Mishná com o ensino de Rabi Ze'irá sobre o pequeno acréscimo além dos oito côvados, e traz a pergunta de Rabi Yoná, que compara esse acréscimo a outras medidas do Yerushalmi — os dez cabim jerosolimitanos, a teruma sobre cem seá segundo Rabi Yossei ben Meshulam, e o jardim e o curral segundo Rabi Yehudá ben Bava e Shmuel; discute se há diferença entre construir a cerca antes ou depois de plantar as onze videiras, com a pergunta de Rabi Evdumi, irmão de Rabi Yossei, sobre reconstruir a cerca derrubada; narra o incêndio de Rabi Yochanan ben Nuri em Nagnegar, segundo duas versões transmitidas por Rabi Yossei e por Rabi Chiya, e a disputa entre Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre se a própria treliça consagra; explica a exigência de quatro palmos de espaço vazio no canto, e por que o ensinamento de Rabi Yossei precisou ser repetido em duas Mishnayot distintas; e fecha com a imagem do espeto de metal fincado no limite exato do crescimento pretendido, e a disputa entre Rabi Chama bar Ukva e Rabi Yossei sobre se os cachos de uva e as folhas pendentes fora da treliça consagram do mesmo modo. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Vav de Massechet Kilayim.

A Mishná · מַתְנִיתִין

פִּיסְקֵי עָרִיס שְׁמוֹנֶה אַמּוֹת וְעוֹד. וְכָל מִידּוֹת שֶׁאָמְרוּ חֲכָמִים בַּכֶּרֶם אֵין בָּהֶן וְעוֹד חוּץ מִפִּיסְקֵי עָרִיס. אֵילּוּ הֵן פִּיסְקֵי עָרִיס עָרִיס שֶׁחָרֵב מֵאֶמְצַע וְנִשְׁתַּיְירוּ בוֹ חָמֵשׁ גְּפָנִים מִכָּן וְחָמֵשׁ גְּפָנִים מִכָּן אִם יֵשׁ שָׁם שְׁמוֹנֶה אַמּוֹת לֹא יָבִיא זֶרַע לְשָׁם. שְׁמוֹנֶה אַמּוֹת וְעוֹד נוֹתְנִין לוֹ עֲבוֹדָתוֹ וְזוֹרֵעַ אֶת הַמּוֹתָר. עָרִיס שֶׁהוּא יוֹצֵא מִן הַכּוֹתֶל מִתּוֹךְ קֶרֶן וְכָלָה. נוֹתְנִין לוֹ עֲבוֹדָתוֹ וְזוֹרֵעַ אֶת הַמּוֹתָר. רִבִּי יוֹסֵה אָמַר אִם אֵין שָׁם אַרְבַּע אַמּוֹת לֹא יָבִיא זֶרַע לְשָׁם. הַקָּנִים הַיּוֹצְאִין מִן הֶעָרִיס חַס עֲלֵיהֶן לִפְסָקָן כְּנֶגְדָּן מוּתָּר. עֲשָׂאָן כְּדֵי שֶׁיְהַלֵּךְ בָּהֶן הֶחָדָשׁ אָסוּר. הַפֶּרַח הַיּוֹצֵא מִן הֶעָרִיס רוֹאִין אוֹתוֹ כִּילּוּ מְטוּטֶּלֶת תְּלוּיָה בוֹ כְּנֶגְדּוֹ אָסוּר. וְכֵן בְּדָלִית. הַמּוֹתֵחַ זְמוֹרָה מֵאִילָן לְאִילָן תַּחְתֶּיהָ אָסוּר. סִיפְּקָהּ בְּחֶבֶל אוֹ בְגָמֵי תַּחַת הַסִּיפּוּק מוּתָּר. עֲשָׂאוֹ כְדֵי שֶׁיְהַלֵּךְ עָלָיו הֶחָדָשׁ אָסוּר.

Mishná: Piskei arís (trechos separados de uma treliça de videiras) são de oito côvados e mais (entre um trecho e outro). E toda medida que os sábios disseram no vinhedo não tem "e mais", exceto os piskei arís (só aqui se acrescenta algo além do número redondo). Quais são os piskei arís? Uma treliça que secou no meio (a videira central morreu), e restaram nela cinco videiras de um lado e cinco videiras do outro: se há ali oito côvados (entre as duas metades), não se deve trazer semente para lá; havendo oito côvados e mais, dá-se a cada lado o seu espaço de trabalho, e semeia-se o restante. Uma treliça que sai da parede a partir de um canto e ali termina (formando ângulo com a própria parede), dá-se a ela o seu espaço de trabalho, e semeia-se o restante. Rabi Yossei diz: se não há ali quatro côvados, não se deve trazer semente para lá. As varas que saem da treliça (travessas irregulares que se projetam além do necessário) — se ele as poupa, evitando cortá-las (sem intenção de usá-las como suporte), em frente a elas é permitido; se as fez para que o novo crescimento se estenda por elas, é proibido. A flor que sai da treliça — olha-se para ela como se um fio de prumo estivesse pendurado dela (projetado verticalmente até o solo); em frente a ele é proibido. E o mesmo vale para o sarmento (broto isolado que se projeta para fora). Quem estica um ramo de videira de uma árvore a outra, debaixo dele é proibido. Se o amarrou com uma corda ou com junco (por a videira não alcançar sozinha até a outra árvore), debaixo da amarração é permitido; se o fez para que o novo crescimento se estenda por ele, é proibido.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01Rabi Ze'irá: "oito, exceto o lugar dos troncos", harmonizado com o acréscimo
Yerushalmi · Kilayim 6:4
לֵית הָדָא פְלִיגָא עַל רִבִּי זְעִירָא. דְּרִבִּי זְעִירָא אָמַר שְׁמוֹנֶה חוּץ מִמָּקוֹם כָּרְתִּין. פָּתַר לָהּ שְׁמוֹנֶה אַמּוֹת וְכָל שֶׁהוּא. וְלָמָּה לֹא תַנִינְתָהּ דְּלֹא תִיסְבּוֹר כְּהַהִיא דְּאָמַר רִבִּי יוֹחָנָן כָּל מִידּוֹת שֶׁאָמְרוּ חֲכָמִים וְעוֹד טֶפַח וְהָהֵן רִיבָה צִיבְחַד לְפוּם כֵן לֹא תַנִיתָהּ.

Halachá: Isto não discorda de Rabi Ze'irá? Pois Rabi Ze'irá disse: oito côvados, exceto o lugar dos troncos (o espaço ocupado pelos próprios troncos das videiras não entra na conta). Explica-se a opinião dele como oito côvados e um tanto qualquer (a mesma medida de "oito e mais" desta Mishná, sem contradição real). E por que não se ensinou esse acréscimo com precisão? Para que não penses, como disse Rabi Yochanan, que toda medida que os sábios disseram tem "e mais" de um palmo (uma fração fixa e considerável) — e este acréscimo é pequeno demais para isso (menor que um palmo); por essa razão não se ensinou com número exato.

02A pergunta de Rabi Yoná: o "e mais" comparado a outras medidas do Yerushalmi
Yerushalmi · Kilayim 6:4
רִבִּי יוֹנָה בָּעֵי לָמָּה לֵי נָן אָמְרִין כָּל מִידּוֹת שֶׁאָמְרוּ חֲכָמִים אֵין בָּהֶן וְעוֹד חוּץ מִפִּיסְקֵי עָרִיס. וְהָתַנִּינָן עֲשֶׂרֶת קַבִּין יְרוּשַׁלְמִיִים שֶׁהֵן שִׁשָּׁה עֶשְׂרוֹנִין וְעֹדוּויָין. תַּמָּן לְמִידּוֹת וְכָאן לְאַמּוֹת. וְהָתַנִּינָן אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בֶּן מְשׁוּלָּם אוֹמֵר וְעוֹד קַב לְמֵאָה סְאָה שְׁתוּת לִמְדַּמֵּע. תַּמָּן לְמִידּוֹת וְכָאן לְאַמּוֹת. וְהָתַנִּינָן אָמַר רִבִּי יוּדָה בֶּן בָּבָא הַגִּינָּה וְהַקַּרְפֵּף שֶׁהִיא שִׁבְעִים וְשִׁיֵּרִיים עַל שִׁבְעִים וְשִׁיֵּרִיים. שְׁמוּאֵל אָמַר בִּשְׁנֵי שְׁלִישֵׁי אָמָּה שָׁנוּ.

Halachá: Rabi Yoná pergunta: por que dizemos que toda medida que os sábios disseram não tem "e mais", exceto os piskei arís? Mas não ensinamos: dez cabim jerosolimitanos, que são seis issaronim e mais (um excedente de volume, chamado "e mais")? Responde-se: ali trata-se de medidas de volume, e aqui trata-se de côvados (medida de comprimento — por isso não há contradição). Mas não ensinamos: disse Rabi Yossei ben Meshulam: e mais um cabo para cada cem seá, um sexto da medida que causa demua (mistura proibida de teruma com produto comum)? Ali trata-se de medidas de volume, e aqui de côvados. Mas não ensinamos: disse Rabi Yehudá ben Bava: o jardim e o curral que se pode carregar dentro no Shabat são de setenta côvados e um restante por setenta e um restante? Shmuel disse: ensinaram isso com dois terços de côvado (um resto genuíno, ainda inferior a um côvado inteiro, e por isso não conta como "e mais" no sentido técnico).

03A cerca antes ou depois das videiras, e a pergunta de Rabi Evdumi sobre reconstruí-la
Yerushalmi · Kilayim 6:4
וְלָא שַׁנְיָיא בֵּין שֶׁבָּנָה גֶדֶר וְאַחַר כָּךְ נָטַע אַחַת עֶשְׂרֵה גְפָנִים בֵּין שֶׁנָּטַע אַחַת עֶשְׂרֵה גְפָנִים וְאַחַר כָּךְ בָּנָה גֶדֶר וְאַחַר כָּךְ נִפְסְקָה הָאֶמְצָעִית יֵשׁ כָּאן עָרִיס וְיֵשׁ כָּאן פִּיסְקֵי עָרִיס. חָרֵב הַגֶּדֶר אֵין כָּאן עָרִיס וְלֹא פִּיסְקֵי עָרִיס. רִבִּי אֶבְדּוּמֵי אֲחַוָּה דְּרִבִּי יוֹסֵי בָּעֵי חָזַר וּבְנָיָיהּ אַתְּ אָמַר חָזַר עָרִיס לִמְקוֹמוֹ וְדִכְוָותָהּ חָזְרוּ פִּיסְקֵי עָרִיס לִמְקוֹמָן.

Halachá: E não há diferença entre quem construiu a cerca e depois plantou as onze videiras (da fileira completa), e quem plantou as onze videiras e depois construiu a cerca: se a videira do meio secou, há aqui treliça (as duas metades restantes) e há aqui piskei arís. Se a cerca desmoronou, não há aqui treliça, nem piskei arís (pois sem a cerca, a fileira nunca conta como arís). Rabi Evdumi, irmão de Rabi Yossei, pergunta: se ele reconstruiu a cerca, já que a treliça voltou a existir em seu lugar, dizes tu que também os piskei arís voltaram a existir em seu lugar (pergunta que permanece sem resposta explícita)?

04O incêndio de Rabi Yochanan ben Nuri em Nagnegar, e a disputa sobre se a treliça consagra
Yerushalmi · Kilayim 6:4
רִבִּי יוֹסֵי בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן מַעֲשֶׂה שֶׁשָּׂרַף רִבִי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי בְנַגְנֵיגָר. מַה שָׂרַף פִּיסְקֵי עָרִיס שָׂרַף. רִבִּי חִיָיא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן מַעֲשֶׂה שֶׁשָּׂרַף רִבִי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי בְנַגְנֵיגָר. מַה שָׂרַף בֵּין עָרִיס לַגֶּדֶר שָׂרַף. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי קַשִּׁיְיתָהּ קוֹמֵי רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא נִיחָא פִּיסְקֵי עָרִיס שָׂרַף דִּבְרֵי חֲכָמִים חֲלוּקִין עָלָיו. בֵּין עָרִיס לַגֶּדֶר שָׂרַף דִּבְרֵי חֲכָמִים חֲלוּקִין עָלָיו. וְלָא שְׁמִיעַ דְּאָמַר רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא אִיתְפַּלְּגוּן רִבִּי יוֹחָנָן וְרִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ עָרִיס עַצְמוֹ מַהוּ רִבִּי יוֹחָנָן אָמַר אָסוּר וּמְקַדֵּשׁ. רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ אָמַר אָסוּר וּאֵינוֹ מְקַדֵּשׁ.

Halachá: Rabi Yossei em nome de Rabi Yochanan: aconteceu que Rabi Yochanan ben Nuri queimou uma plantação proibida em Nagnegar. O que ele queimou? Queimou piskei arís. Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan: aconteceu que Rabi Yochanan ben Nuri queimou uma plantação em Nagnegar. O que ele queimou? Queimou o espaço entre a treliça e a cerca. Disse Rabi Yossei: apresentei esta dificuldade diante de Rabi Yaakov bar Achá: está bem se ele queimou piskei arís — as palavras dos sábios discordam dele quanto a isso, e por essa razão o que ali crescera devia ser destruído. Mas, se ele queimou o espaço entre a treliça e a cerca, há palavras dos sábios que discordam dele a esse respeito? Ele não tinha ouvido o que disse Rabi Yaakov bar Achá: Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish divergem sobre a própria treliça: o que é ela quanto a santificar o que sob ela se semeia? Rabi Yochanan disse: é proibida e consagra. Rabi Shimon ben Lakish disse: é proibida, mas não consagra (e é essa divergência, não conhecida por Rabi Yossei ao propor sua dificuldade, que também explica o incêndio entre a treliça e a cerca).

05Os quatro palmos do canto, e por que o ensinamento de Rabi Yossei se repete em duas Mishnayot
Yerushalmi · Kilayim 6:4
וְהוּא שֶׁיְּהֵא בְקֶרֶן זָוִית אַרְבָּעָה טְפָחִים כְּדֵי מָקוֹם. תַּנִּינָן הָכָא רִבִּי יוֹסֵי וְתַנִּינָתָהּ תַּמָּן. אִילּוּ תַנִּינָתָהּ הָכָא וְלֹא תַנִּינָתָהּ תַּמָּן הֲוֵינָן אָמְרִין הָכָא עַל יְדֵי שֶׁהִיא הִלְכַת עָרִיס אַתְּ אָמַר אָסוּר תַּמָּן עַל יְדֵי שֶׁאֵינוֹ הִלְכַת עָרִיס אַתְּ אָמַר מוּתָּר. הֲוֵי צוּרְכָה מַתְנֵי תַּמָּן. אוֹ אִילּוּ תַנִּינָתָהּ תַּמָּן וְלֹא תַנִּיתָהּ הָכָא הֲוֵינָן אָמְרִין תַּמָּן עַל יְדֵי שֶׁהוּא מְגוּפָּף מֵאַרְבַּע רוּחֹתָיו אַתְּ אָמַר אָסוּר הָכָא עַל יְדֵי שֶׁאֵינוֹ מְגוּפָּף מֵאַרְבַּע רוּחוֹתָיו אַתְּ אָמַר מוּתָּר. הֲוֵי צוּרְכָא מַתְנִיָּא הָכָא וְצוּרְכָה מַתְנִיָּא תַּמָּן.

Halachá: E isto (a permissão da treliça no canto) vale quando há no canto quatro palmos de espaço vazio (entre a videira e a parede). Ensinamos aqui a opinião de Rabi Yossei, e ensinamos também ali (noutra Mishná, sobre o pequeno jardim cercado por arís). Se a tivéssemos ensinado aqui, mas não ali, diríamos: aqui, por ser lei de treliça, dizes que é proibido; ali, por não ser lei de treliça, dirias que é permitido — era, pois, necessário ensiná-la também ali. Ou, se a tivéssemos ensinado ali, mas não aqui, diríamos: ali, por estar cercado pelos quatro lados, dizes que é proibido; aqui, por não estar cercado pelos quatro lados, dirias que é permitido — era, pois, necessário ensiná-la tanto aqui quanto ali.

06O espeto de metal fincado no limite pretendido, e o dito de Shimon bar Abba
Yerushalmi · Kilayim 6:4
תַּמָּן אָמַר אַתְּ רוֹאֶה כִּילּוֹ שְׁפוּד שֶׁל מַתֶּכֶת תָּחוּב בּוֹ. שִׁמְעוֹן בַּר בָּא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן עַד מָקוֹם שֶׁהוּא נִקְמָן.

Halachá: Ali (a respeito das varas que se projetam da treliça) se diz: olha-se para o limite delas como se um espeto de metal estivesse fincado nele (demarcando o ponto exato além do qual nada mais conta como parte da treliça). Shimon bar Abba em nome de Rabi Yochanan: a proibição se estende até o lugar aonde o dono pretendia que o crescimento chegasse.

07Rabi Chama bar Ukva e Rabi Yossei: os cachos de uva que consagram, e as folhas em disputa
Yerushalmi · Kilayim 6:4
רִבִּי חָמָא בַּר עוּקְבָּא בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בֶּן חֲנִינַא תַּחַת הָאֶשְׁכּוֹלוֹת אָסוּר וּמְקַדֵּשׁ תַּחַת הֶעָלִין לֹא. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי אֲפִילוּ תַּחַת הֶעָלִין אָסוּר וּמְקַדֵּשׁ.

Halachá: Rabi Chama bar Ukva em nome de Rabi Yossei ben Chanina: debaixo dos cachos de uva, pendentes fora da treliça, é proibido e consagra; debaixo das folhas apenas, não. Disse Rabi Yossei: mesmo debaixo das folhas é proibido e consagra (pois também as folhas da videira têm valor comercial próprio, contando, portanto, como parte do que a treliça produz).

Nota

Esta é a quarta e última halachá do Perek Vav de Massechet Kilayim. A Mishná desta halachá abre um novo assunto dentro do capítulo dedicado ao arís: os piskei arís, os trechos de uma mesma treliça de videiras que ficam separados quando a videira central seca, deixando cinco videiras de cada lado. A medida que os separa é de oito côvados e mais — a única medida de todo o vinhedo, segundo a própria Mishná, que recebe esse acréscimo além do número redondo. Se os dois trechos estão a menos de oito côvados e mais um pouco um do outro, contam ainda como uma única treliça, e não se pode semear entre eles; se estão mais distantes, cada um recebe seu próprio espaço de trabalho, e o restante pode ser semeado. A Mishná trata também da treliça que sai da parede a partir de um canto e ali termina, recebendo seu espaço de trabalho normalmente, com Rabi Yossei exigindo ao menos quatro côvados de distância para que a semeadura seja permitida; das varas que se projetam da estrutura da treliça, cuja permissão depende da intenção do dono ao mantê-las; da flor e do sarmento que saem da treliça, medidos pela projeção vertical de um fio de prumo; e do ramo de videira esticado de uma árvore a outra, proibido por baixo, exceto exatamente sob o nó que o amarra, a menos que a amarração tenha sido feita para permitir crescimento futuro.

A guemará abre harmonizando a Mishná com o ensino paralelo de Rabi Ze'irá, de que a medida correta é "oito, exceto o lugar dos troncos" — interpretado como equivalente a "oito côvados e um tanto qualquer", um acréscimo tão pequeno que a Mishná preferiu não especificá-lo em número exato, para não sugerir que se tratasse do acréscimo padrão de um palmo inteiro, como em outras medidas segundo Rabi Yochanan. Rabi Yoná então testa essa regra da unicidade do "e mais" contra três outras medidas do próprio Yerushalmi — os dez cabim jerosolimitanos que equivalem a seis issaronim e mais, a teruma de um cabo a mais por cem seá segundo Rabi Yossei ben Meshulam, e o jardim e o curral de setenta côvados e um restante segundo Rabi Yehudá ben Bava —, resolvendo cada objeção pela distinção entre medidas de volume e medidas de comprimento, e, no último caso, pela explicação de Shmuel de que o resto ali mencionado é de dois terços de côvado, um resto genuíno mas não um "e mais" no sentido técnico da palavra. Segue-se a regra de que tanto faz construir a cerca antes ou depois de plantar as onze videiras da fileira completa: o que importa é apenas se a videira central seca (gerando treliça e piskei arís) ou se a cerca desmorona (eliminando ambos), com a pergunta em aberto de Rabi Evdumi, irmão de Rabi Yossei, sobre se reconstruir a cerca restaura também os piskei arís.

A guemará narra então, em duas versões levemente distintas transmitidas por Rabi Yossei e por Rabi Chiya, o mesmo episódio memorável: Rabi Yochanan ben Nuri queimando, em Nagnegar, ora piskei arís, ora o espaço entre a treliça e a cerca. A dificuldade de Rabi Yossei — por que os sábios discordariam dele no segundo caso, se não no primeiro — encontra sua resposta na disputa, transmitida por Rabi Yaakov bar Acha, entre Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish sobre a própria treliça: se ela é proibida e consagra (Rabi Yochanan) ou proibida sem consagrar (Reish Lakish), o que explica por que também o espaço entre a treliça e a cerca poderia, para uma das opiniões, justificar o incêndio. Uma breve nota fixa a condição de quatro palmos de espaço vazio no canto para que a regra da treliça angular valha, e uma análise metodológica explica por que o mesmo ensinamento de Rabi Yossei precisou ser repetido tanto nesta Mishná quanto na Mishná do pequeno jardim cercado por arís (5:4) — cada contexto, sozinho, levaria a uma conclusão oposta sobre o caso do outro. A guemará fecha com a imagem do espeto de metal fincado no limite exato até onde o dono pretendia que o novo crescimento se estendesse, e com a disputa entre Rabi Chama bar Ukva, em nome de Rabi Yossei ben Chanina, e Rabi Yossei sobre se apenas os cachos de uva pendentes fora da treliça proíbem e consagram o que está debaixo deles, ou se o mesmo vale também para as folhas, por também elas terem valor comercial próprio. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Vav de Massechet Kilayim. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.