Terceira halachá do Perek Vav de Massechet Kilayim, continuação do capítulo aberto em 6:1: a Mishná trata de quem treina a videira sobre parte de uma apifiriot (esteira de papiro entrançado) — não deve trazer semente sob o restante, e se trouxe, não santificou; mas se o novo crescimento se estende, é proibido — e o mesmo vale para quem a treina sobre parte de uma árvore estéril; já quem a treina sobre parte de uma árvore frutífera pode trazer semente sob o restante, devendo apenas recolocar a videira se o novo crescimento se estender. Narra-se o caso de Rabi Yehoshua, que visitou Rabi Yishmael de Kfar Aziz e recebeu dele a permissão para semear sob o restante de uma videira treinada sobre parte de uma figueira, e depois sobre parte de uma trave apoiada num tronco de sicômoro com muitas outras traves; e fecha com a definição de árvore estéril — toda a que não produz frutos, segundo os sábios; toda árvore, exceto a oliveira e a figueira, segundo Rabi Meir; e toda árvore da qual não se plantam campos inteiros, segundo Rabi Yossei. A guemará discute a medida de três a quatro palmos junto ao tronco e até onde a regra se estende pela esteira — quatro côvados segundo Rabi Yaakov bar Idi em nome de Reish Lakish, seis segundo Rabi Acha e Rabi Chinena em seu nome —, com a tradição de Rabi Maná, ouvida em Cesareia, de que duas esteiras separadas não se combinam, a menos que seja costume passar de uma para a outra; explica a diferença entre árvore estéril, que a pessoa anula em favor de sua videira, e árvore frutífera, que ninguém anula; e fecha com uma digressão sobre Massechet Kelim — o odre amarrado de forma temporária ou permanente, puro ou impuro conforme Rabi Meir e Rabi Yossei — e o dito de Rabi Yudan de que o sinal de Kelim é Kilayim.
Mishná: Quem treina a videira sobre parte de uma apifiriot (esteira de papiro entrançado sobre postes) não deve trazer semente sob o restante (a parte da esteira que a videira ainda não cobre); e se trouxe, não santificou (a semente não fica proibida, ainda que a semeadura tenha sido indevida). Mas se o novo crescimento (da videira) se estende (até alcançar a semente), é proibido. E assim também quem treina a videira sobre parte de uma árvore estéril (a mesma regra rigorosa se aplica). Quem treina a videira sobre parte de uma árvore frutífera pode trazer semente sob o restante; mas se o novo crescimento se estende, deve recolocá-la (afastar de novo a videira ou a semente, para restabelecer a distância). Aconteceu que Rabi Yehoshua foi à casa de Rabi Yishmael, de Kfar Aziz: mostrou-lhe uma videira que estava treinada sobre parte de uma figueira. Disse-lhe: posso trazer semente sob o restante? Disse-lhe: é permitido. E levou-o dali à Casa do Arsenal, e mostrou-lhe uma videira treinada sobre parte de uma trave, apoiada num tronco de sicômoro no qual havia muitas outras traves; disse-lhe: sob esta trave é proibido, e o restante é permitido. Qual é a árvore estéril? Toda a que não produz frutos. Rabi Meir diz: toda árvore é estéril, exceto a oliveira e a figueira. Rabi Yossei diz: toda árvore da qual não se plantam campos inteiros (por seu fruto ser pouco valorizado), eis que é árvore estéril.
Halachá: Chizkiyáhu disse: é de três a quatro palmos (junto ao tronco da videira) que fala a Mishná: menos de três, é como fechado (a distância se desconsidera, e a semente ali já se santifica); de três a quatro, completa-se para quatro (manda-se completar a distância mínima antes de semear); acima de quatro, é fácil para ela (embora ainda proibido, o produto não se santifica). Até onde (se estende essa regra pela extensão da esteira)? Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Shimon ben Lakish: até quatro côvados. Rabi Acha, Rabi Chinena em nome de Rabi Shimon ben Lakish: até seis côvados. Disse Rabi Maná: fui a Cesareia, e ouvi Rabi Hoshaia bar Shamai em nome de Rabi Yitzchak ben Elazar: se havia duas esteiras (separadas, cada uma sobre seus próprios postes, e a videira treinada apenas sobre uma delas), é permitido (semear sob a outra, que não se combina com a primeira). Disse Rabi Chinena: e ensina-se, discordando: se era seu costume passar de uma esteira para a outra (no trabalho do vinhedo), é proibido (pois então as duas contam como uma só). E assim se ensinou: Rabi Shimon ben Elazar diz: se era seu costume passar entre uma esteira e outra, é como se fosse uma única esteira.
Halachá: Qual é a diferença entre a árvore estéril e a árvore frutífera (para que a primeira siga a regra rigorosa da esteira, e a segunda, a regra branda)? Uma pessoa anula a árvore estéril em favor de sua videira (trata-a como mero suporte da videira, sem valor próprio, de modo que tudo o que está sob ela é como se estivesse sob a própria videira); mas ninguém anula a árvore frutífera em favor de sua videira (ela continua sendo, por si mesma, uma árvore à parte, e o que está sob ela, fora do alcance direto da videira, permanece permitido).
Halachá: Ensinamos ali (noutra Mishná, de Massechet Kelim): todos os odres amarrados são puros (não recebem impureza, por serem tratados como vasos temporários), exceto os dos árabes (que os fazem para durar, tornando-os vasos completos, sujeitos à impureza). Rabi Meir diz: o amarrado temporário é puro; o amarrado permanente é impuro. Rabi Yossei diz: todos os odres amarrados são puros. Há tanaítas que ensinam de modo invertido (trocando as posições atribuídas a Rabi Meir e a Rabi Yossei). Rabi Yaakov bar Acha em nome de Rabi Yasa: como ensina nossa Mishná (sem inverter). Disse Rabi Yudan: o sinal de Kelim é Kilayim (usa-se esta Mishná de Kilayim para lembrar a versão correta da Mishná de Kelim); pois, se não fosse assim, que diferença haveria entre o amarrado permanente e o amarrado temporário (já que ambos, em tese, cumprem igualmente a função de fechar o odre)? Na casa de Rabi Yanai diziam: o amarrado permanente precisa de corte (só se desfaz cortando a corda, sinal de que o vaso foi feito para durar); o amarrado temporário não precisa de corte (desfaz-se com as próprias mãos, sinal de que nunca foi feito para permanecer).
Esta é a terceira halachá do Perek Vav de Massechet Kilayim, continuação direta do capítulo aberto em 6:1. A Mishná desta halachá muda o foco do arís propriamente dito para um caso correlato: a videira treinada (madleh) sobre parte de um suporte que não lhe pertence por inteiro — uma esteira de papiro entrançado (apifiriot), uma árvore estéril, ou uma árvore frutífera. Quando o suporte é a esteira ou a árvore estéril, vale a regra rigorosa: não se pode semear sob a parte ainda não coberta pela videira, e se o novo crescimento avançar até alcançar a semente, esta se torna proibida. Quando o suporte é uma árvore frutífera, vale a regra branda: pode-se semear livremente sob o restante, bastando afastar a videira ou a semente caso o crescimento novo avance. O caso concreto de Rabi Yehoshua, hóspede de Rabi Yishmael em Kfar Aziz, ilustra a aplicação prática dessas regras a uma videira sobre parte de uma figueira e, depois, sobre parte de uma única trave dentre várias apoiadas num tronco de sicômoro. A Mishná fecha com três definições concorrentes de "árvore estéril": a dos sábios, que a define pela ausência de fruto; a de Rabi Meir, que a estende a toda árvore exceto a oliveira e a figueira; e a de Rabi Yossei, que a define pelo critério econômico de não se plantarem dela pomares inteiros.
A guemará abre esclarecendo, por Chizkiyáhu, a medida técnica de três a quatro palmos junto ao tronco da videira que a Mishná pressupõe, e discute até onde, ao longo da esteira, essa regra de distância se estende — quatro côvados segundo Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Shimon ben Lakish, seis segundo Rabi Acha e Rabi Chinena em seu próprio nome. Rabi Maná traz então, de uma viagem a Cesareia, a tradição de Rabi Hoshaia bar Shamai em nome de Rabi Yitzchak ben Elazar: duas esteiras de papiro fisicamente separadas não se combinam entre si, ainda que a videira esteja treinada só sobre uma delas — a menos que seja costume do lavrador passar de uma para a outra no trabalho do vinhedo, caso em que, segundo a baraita citada por Rabi Chinena e confirmada por Rabi Shimon ben Elazar, ambas contam como uma esteira única. Segue-se uma pergunta curta e central: qual a diferença entre a árvore estéril e a árvore frutífera, para que a primeira siga a regra rigorosa da esteira e a segunda, a regra branda da própria videira? A resposta está na anulação: a árvore estéril, sem valor próprio, é absorvida pela vontade do dono como mero suporte da videira, ao passo que a árvore frutífera, por ter valor próprio como árvore, jamais se deixa anular dessa forma, retendo sua identidade independente mesmo quando serve de apoio a uma videira. Fecha-se com uma digressão característica do Yerushalmi, ligando esta halachá a Massechet Kelim pelo jogo de palavras entre "Kelim" e "Kilayim": a disputa sobre se o odre de couro amarrado com corda, de uso temporário ou permanente, pode receber impureza — puro se temporário, impuro se permanente, segundo Rabi Meir, com Rabi Yossei tornando todos puros, e uma tradição tanaítica que inverte as duas posições. Rabi Yudan explica que a própria Mishná de Kilayim serve de indicador para fixar a versão correta de Kelim, pois a distinção entre árvore anulada e árvore não anulada é estruturalmente idêntica à distinção entre amarrado permanente e amarrado temporário, resolvida pela casa de Rabi Yanai pelo critério prático de precisar, ou não, cortar a corda para desfazer o nó. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.