Talmud Yerushalmi · Massechet Kilayim · Perek Heh · Halachá 5
כִּלְאַיִם

Quem vê hortaliça no vinhedo e adia a colheita

Perek Heh, Halachá 5, no Talmud Yerushalmi, Massechet Kilayim

Quinta halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que quem vê hortaliça no vinhedo e diz "quando eu chegar até ela, vou colhê-la", isso é permitido; "quando eu voltar, vou colhê-la" — se ela aumentou em duzentos por cento nesse meio-tempo, é proibido. A guemará restringe o caso a um trabalhador contratado, segundo Rabi Yossei bar Chanina; distingue o dono de casa ocupado em seu próprio trabalho, tratado como trabalhador, do dono que simplesmente deixa crescer hortaliça de campo no vinhedo — proibida tanto para ele quanto para qualquer outra pessoa — e do trabalhador que a deixa crescer — proibida só para ele, permitida para qualquer outra pessoa; enfrenta a dificuldade lógica dessa distinção e a resolve pela posição de Rabi Shimon, de que ninguém consagra o que não é seu; e fecha explicando como a escola de Rabi Yanai media o aumento de duzentos por cento com a erva yarbuza, pelo método de verificação de Rav Bivi em nome de Rabi Chanina: colhe-se uma planta e deixa-se a vizinha, de modo que o que uma perde, a outra ganha.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הָרוֹאֶה יֶרֶק בַּכֶּרֶם וְאָמַר כְּשֶׁאַגִּיעַ לוֹ אֲלַקְּטֶנּוּ מוּתָּר. כְּשֶׁאֶחְזוֹר אֲלַקְּטֶנּוּ. אִם הוֹסִיף בְּמָאתַיִם אָסוּר.

Mishná: Quem vê hortaliça no vinhedo, e diz: "quando eu chegar até ela, vou colhê-la" (pretendendo colhê-la assim que passar por ela, sem demora) — isso é permitido (pois não houve intenção de deixá-la crescer no vinhedo). Mas se disse: "quando eu voltar, vou colhê-la" (adiando a colheita para depois, deixando a hortaliça no vinhedo por mais tempo) — se ela aumentou em duzentos por cento, nesse intervalo, é proibido (pois esse crescimento revela que a hortaliça se beneficiou do lugar, e tanto ela quanto as videiras próximas ficam santificadas).

A Halachá · הֲלָכָה ה

01Rabi Yossei bar Chanina: a Mishná fala de um trabalhador contratado
Yerushalmi · Kilayim 5:5
רִבִּי יוֹסֵי בַּר חֲנִינָא אָמַר בְּפוֹעֵל שָׁנוּ.

Halachá: Rabi Yossei bar Chanina disse: a Mishná foi ensinada a respeito de um trabalhador contratado (não do próprio dono do vinhedo, distinção da qual dependem as regras seguintes).

02Dono de casa e trabalhador: a quem é proibida a hortaliça deixada crescer, segundo Rabi Shimon
Yerushalmi · Kilayim 5:5
בַּעַל הַבַּיִת שֶׁהוּא עָסוּק בִּמְלַאכְתּוֹ עָשׂוּ אוֹתוֹ כְּפוֹעֵל. בַּעַל הַבַּיִת שֶׁקִּיֵים יַרְקוֹת שָׂדֶה בְּכֶרֶם אֲסוּרִין בֵּין לוֹ בֵּין לְאַחֵר. פּוֹעֵל שֶׁקִּיֵים יַרְקוֹת שָׂדֶה בְּכֶרֶם אָסוּר לוֹ וּמוּתָּר לְכָל אָדָם. וְקַשְׁיָא אִם אָסוּר לוֹ יְהֵא אָסוּר לְכָל אָדָם. אִם מוּתָּר לְכָל אָדָם יְהֵא מוּתָּר לוֹ. אֶלָּא כְרִבִּי שִׁמְעוֹן דְּאָמַר אֵין אָדָם מַקְדִּישׁ דָּבָר שֶׁאֵינוֹ שֵׁלּוֹ. אַף עַל גַּב דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן אָמַר אֵין אָדָם מַקְדִּישׁ דָּבָר שֶׁאֵינוֹ שֵׁלּוֹ. מוֹדֶה הוּא הָכָא שֶׁאָסוּר לוֹ (בְּעָלֶה קָטָן אֶחָד) [בְּלִקְּטָן אַחֵר] אֲבָל אִם לִיקֵּט הוּא אָסוּר בֵּין לוֹ בֵּין לְכָל אָדָם.

Halachá: O dono de casa que está ocupado em seu próprio trabalho (no vinhedo alheio, a serviço de outro), fizeram-no a lei o trata como um trabalhador. O dono de casa que deixou crescer hortaliça de campo (brotada por si mesma) no vinhedo — é proibida, tanto para ele quanto para qualquer outra pessoa. Já o trabalhador que deixou crescer hortaliça de campo no vinhedo — é proibida para ele, mas permitida para qualquer outra pessoa. E há uma dificuldade: se é proibida para ele, deveria ser proibida para qualquer outra pessoa; se é permitida para qualquer outra pessoa, deveria ser permitida também para ele. Mas a resposta é: segue-se aqui a opinião de Rabi Shimon, que disse: ninguém consagra algo que não é seu (o trabalhador, não sendo dono do vinhedo, não pode santificá-lo para os outros ao deixar crescer a hortaliça — mas para si mesmo, que agiu com essa intenção, ela permanece proibida). E, embora Rabi Shimon tenha dito que ninguém consagra algo que não é seu, ele concorda aqui que a hortaliça é proibida para ele (o trabalhador) — quando ele deixou apenas uma única folha pequena, que outro poderia colher; mas se foi ele mesmo quem colheu toda a hortaliça, ela é proibida tanto para ele quanto para qualquer outra pessoa (pois nesse caso a colheita completa confirma que ele a tratou como sua própria, equiparando-o ao dono).

03"Se aumentou em duzentos": o método de Rav Bivi, em nome de Rabi Chanina, com a erva yarbuza
Yerushalmi · Kilayim 5:5
וְאִם הוֹסִיף בְּמָאתַיִם אָסוּר. דְּבֵי רִבִּי יַנַּאי מְשַׁעֲרִין בְּהָדֵין יַרְבּוּזָה. כֵּיצַד הוּא בוֹדֵק. רַב בִּיבִי בְשֵׁם רִבִּי חֲנִינָה לוֹקֵט אֶחָד וּמֵנִיחַ אֶחָד מַה שֶׁזֶּה פּוֹחֵת זֶה מוֹסִיף.

Halachá: "Se ela aumentou em duzentos por cento, é proibido" — a escola de Rabi Yanai media esse aumento com esta planta, a yarbuza (erva de crescimento rápido e uniforme, usada como padrão de referência para calcular a proporção do aumento). Como se faz a verificação? Rav Bivi, em nome de Rabi Chanina: colhe-se uma planta e deixa-se a vizinha (colhem-se plantas alternadas da mesma fileira de yarbuza, deixando as demais no lugar); o que uma planta colhida perde (em relação ao seu tamanho original, ao ser arrancada antes de terminar de crescer), a outra que ficou, crescendo no dobro do espaço, ganha (de modo que a soma permanece constante, e serve de medida confiável para o aumento da hortaliça em disputa).

Nota

Esta é a quinta halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim. A Mishná continua o tema da hortaliça no vinhedo, mas muda o ângulo: em vez de tratar da hortaliça já plantada ou deixada crescer, ela trata de quem apenas a vê crescer e adia a decisão de colhê-la. Se a intenção é colhê-la assim que chegar até ela, não há problema; mas se a intenção é deixá-la para depois, e nesse meio-tempo ela cresce significativamente — mais que o dobro de seu tamanho original —, a demora é interpretada como aproveitamento do lugar, e tanto a hortaliça quanto as videiras próximas ficam proibidas.

A guemará abre restringindo o caso da Mishná a um trabalhador contratado, segundo Rabi Yossei bar Chanina, e a partir daí desenvolve uma distinção importante: o dono de casa, mesmo quando ocupado como se fosse um simples trabalhador, é tratado como trabalhador para este efeito; mas quando é o próprio dono quem deixa crescer hortaliça de campo em seu vinhedo, a proibição vale para todos, ao passo que, se é um trabalhador contratado quem a deixa crescer, a proibição vale apenas para ele mesmo, e não para terceiros. A guemará expõe a dificuldade lógica dessa assimetria e a resolve com a posição de Rabi Shimon, de que ninguém consagra o que não lhe pertence — o trabalhador não pode santificar o vinhedo alheio para outros, mas permanece proibido a ele mesmo, ao menos quando restou apenas uma pequena folha que outra pessoa poderia colher; se, porém, foi o próprio trabalhador quem colheu tudo, a proibição se estende a todos, como se ele tivesse agido como dono. Por fim, a guemará explica como se verificava, na prática, o aumento de duzentos por cento mencionado na Mishná: a escola de Rabi Yanai usava a erva yarbuza como padrão de medida, e o método de verificação, transmitido por Rav Bivi em nome de Rabi Chanina, consistia em colher uma planta e deixar a vizinha, de modo que o crescimento da planta poupada compensasse exatamente a perda da planta colhida, fornecendo uma base estável de comparação. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.