Quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Kilayim: a Mishná trata de quem tinha o campo semeado de cebolas e deseja plantar dentro dele fileiras de abóboras. Rabi Yishmael manda arrancar duas fileiras de cebolas e plantar uma fileira de abóboras, deixando um pé de cebolas em pé no lugar de duas fileiras, e repetir o processo — arrancar duas, plantar uma. Rabi Akiva manda arrancar duas fileiras e plantar duas fileiras, deixando também um pé de cebolas no lugar de duas fileiras, e repetir — arrancar duas, plantar duas. Os sábios dizem que, se não há doze côvados entre uma fileira e outra, não se pode manter a semente do meio. A guemará traz Cahana explicando que a medida de Rabi Yishmael varia — dezesseis, doze ou oito côvados — conforme o espaço de trabalho fique todo por dentro, parte dentro e parte fora, ou todo por fora; Shmuel discordando e afirmando que é sempre doze, apoiado por uma baraita que decide conforme as palavras de ambos, Rabi Yishmael doze e Rabi Akiva oito; e fecha esclarecendo que, sendo Rabi Yishmael e os sábios ambos doze, a única diferença entre eles é a permissão de encostar as fileiras sem faixa de separação — proibida para Rabi Yishmael, permitida para os sábios.
Mishná: Estava seu campo semeado de cebolas, e desejou plantar dentro dele fileiras de abóboras (o dono quer converter parte da horta de cebolas em fileiras de abóboras, sem que as duas espécies se misturem proibidamente): Rabi Yishmael diz: arranca duas fileiras (de cebolas) e planta uma fileira (de abóboras), e deixa um pé de cebolas em pé no lugar de duas fileiras (preservando uma faixa intacta de cebolas entre os trechos convertidos); e (volta a) arrancar duas fileiras e plantar uma fileira (repetindo o padrão ao longo do campo). Rabi Akiva diz: arranca duas fileiras e planta duas fileiras, e deixa um pé de cebolas em pé no lugar de duas fileiras, e arranca duas fileiras e planta duas fileiras (mesmo padrão de Rabi Yishmael, mas permitindo o dobro de fileiras novas de abóboras a cada ciclo). E os sábios dizem: se não há entre uma fileira e a outra (fileira de abóboras) doze côvados, não se pode manter a semente do meio (a faixa de cebolas remanescente só pode ser preservada se a distância entre as fileiras novas de abóboras for de ao menos doze côvados; caso contrário, é preciso arrancar também as cebolas do meio).
Halachá: "Quem planta seu vinhedo etc." (citação retomada de outra fonte paralela, introduzindo o tema da medida de separação — a guemará passa a explicar os números implícitos na opinião de Rabi Yishmael): disse Cahana: as palavras de Rabi Yishmael (resultam, conforme a disposição do espaço de trabalho ao redor de cada fileira,) ora em dezesseis côvados, ora em doze, ora em oito. Quando ele põe todo o espaço de trabalho por dentro (voltado para o lado das cebolas remanescentes), dezesseis. Parte por dentro e parte por fora, doze. Tudo por fora (voltado para longe das cebolas, do outro lado da fileira de abóboras), oito.
Halachá: Shmuel diz: é sempre doze (discordando de Cahana — a medida de Rabi Yishmael não varia conforme a posição do espaço de trabalho, mantendo-se fixa em doze côvados). E assim se ensinou, fixando (a medida) segundo as palavras de ambos (Rabi Yishmael e Rabi Akiva, cada um com seu próprio número fixo — o que apoia a posição de Shmuel): Rabi Yishmael diz doze; Rabi Akiva diz oito.
Halachá: Eis que Rabi Yishmael diz doze, e os sábios (da Mishná) dizem (também) doze (ambos exigem a mesma medida mínima de separação): qual é, então, a diferença entre eles (se concordam no número)? O encostar (a possibilidade de aproximar as fileiras sem faixa vazia entre elas, desde que a distância total ainda some doze côvados). Segundo a opinião de Rabi Yishmael, é proibido encostar (as fileiras devem ficar afastadas por uma faixa contínua, não bastando somar as bordas); e os sábios dizem que é permitido encostar (a fileira de cebolas remanescente pode tocar diretamente a fileira de abóboras, contanto que a soma das medidas envolvidas chegue a doze côvados).
Esta é a quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Kilayim. Depois de tratar, na halachá anterior, das fileiras de pepinos, abóboras e feijão-egípcio e da cova compartilhada, a Mishná passa agora a um novo caso: o campo já semeado de cebolas em que o dono deseja abrir fileiras de abóboras, com as posições de Rabi Yishmael (arrancar duas, plantar uma), Rabi Akiva (arrancar duas, plantar duas) e os sábios (exigindo doze côvados entre as fileiras novas para manter a semente do meio).
A guemará explica, por Cahana, que a medida de Rabi Yishmael varia entre dezesseis, doze e oito côvados conforme a disposição do espaço de trabalho; traz a discordância de Shmuel, para quem a medida é sempre doze, apoiada por uma baraita que fixa a opinião de Rabi Yishmael em doze e a de Rabi Akiva em oito; e fecha esclarecendo que, coincidindo Rabi Yishmael e os sábios da Mishná na medida de doze côvados, a diferença real entre eles está apenas na permissão de encostar as fileiras sem faixa vazia — proibida para Rabi Yishmael, permitida para os sábios.