Esta halachá traz uma nova Mishná, breve: quem dá produto à pundakit (a estalajadeira ou pousadeira, que recebe mantimentos dos hóspedes para cozinhá-los) dizima tanto o que lhe dá quanto o que dela recebe de volta, pois ela é suspeita de trocar o produto por outro de origem diferente. Disse Rabi Yosei: não somos responsáveis pelos desonestos (não cabe a nós prevenir o pecado de quem furta); ele dizima apenas o que recebe dela. A guemará, também breve, observa que Rabi Yosei e Rabban Shimon ben Gamliel disseram a mesma frase — "não somos responsáveis pelos desonestos" — cada um em seu contexto, e discute até que ponto um concorda com o outro: é razoável que Rabi Yosei concorde com Rabban Shimon ben Gamliel quanto a essa frase, mas que Rabban Shimon ben Gamliel não concorde com Rabi Yosei quanto à conclusão prática, pois não é próprio de um chaver deixar sair de sua casa algo não corrigido.
Mishná: Quem dá produto à pundakit (a pousadeira, que recebe dos hóspedes os mantimentos para cozinhar e servir de volta), dizima tanto o que lhe dá quanto o que dela recebe, pois ela é suspeita de trocar (pode substituir o produto entregue por outro de origem diferente, não dizimado, para agradar o hóspede ou para tirar proveito para si). Disse Rabi Yosei: não somos responsáveis pelos desonestos (não é sobre nós a obrigação de evitar que os desonestos pequem; se ela furta o que ele lhe deu e come tevel, o pecado é dela); ele dizima apenas o que recebe dela, e não o que lhe entrega.
Rabi Yosei e Rabban Shimon ben Gamliel — ambos disseram a mesma coisa (a mesma frase, em contextos diferentes). Assim como Rabi Yosei disse: não somos responsáveis pelos desonestos (a respeito da pundakit, isentando quem dá o produto de dizimar aquilo que ela pode ter furtado), assim Rabban Shimon ben Gamliel disse: não somos responsáveis pelos desonestos (a respeito de sinalizar com torrões de terra o vinhedo do quarto ano e o pomar dos três primeiros anos após o plantio, cujos frutos são proibidos — ele ensina que isso só é exigido no ano sabático, quando toda a produção é livre para quem quiser tomar, mas não nos demais anos, quando tomar de pomares e vinhedos cercados já é furto, e não somos responsáveis por poupar os ladrões desse furto).
É razoável que Rabi Yosei concorde com Rabban Shimon ben Gamliel, mas Rabban Shimon ben Gamliel não concorde com Rabi Yosei (ou seja, a frase comum não implica concordância total entre os dois quanto a toda e qualquer aplicação dela).
Rabi Yosei concorda com Rabban Shimon ben Gamliel que não somos responsáveis pelos desonestos (aceita o princípio geral, tal como aplicado ao caso do sinalizar dos pomares e vinhedos). Mas Rabban Shimon ben Gamliel não concorda com Rabi Yosei (quanto a isentar de dízimo o que o dono entrega à pundakit), porque não é próprio de um chaver (um judeu observante, escrupuloso quanto às leis de pureza e dízimo) deixar sair de sua casa algo não corrigido (mesmo que o destino do produto entregue à pundakit seja incerto e a eventual troca seja culpa dela, o próprio chaver não deveria, de saída, entregar produto ainda não dizimado, por zelo com o que sai de seu domínio).
Esta quinta halachá do Perek Guimel traz uma nova Mishná, breve: quem dá produto à pundakit dizima tanto o que lhe dá quanto o que dela recebe, pois ela é suspeita de trocar; mas Rabi Yosei diz que não somos responsáveis pelos desonestos, e por isso dizima apenas o que dela recebe.
A guemará, também breve, observa que Rabi Yosei e Rabban Shimon ben Gamliel disseram a mesma frase — "não somos responsáveis pelos desonestos" — cada um em seu próprio contexto (a pundakit, no caso de Rabi Yosei; o sinalizar de pomares e vinhedos proibidos, no caso de Rabban Shimon ben Gamliel). Conclui que é razoável que Rabi Yosei concorde com Rabban Shimon ben Gamliel quanto ao princípio geral, mas que Rabban Shimon ben Gamliel não concorde com Rabi Yosei quanto à conclusão prática sobre a pundakit, pois não é próprio de um chaver deixar sair de sua casa algo ainda não corrigido.