A oitava e última halachá do Perek Chet comenta a Mishná sobre o vinho trazido depois da refeição quando só há aquele copo — para Beit Shamai, abençoa-se primeiro sobre o vinho; para Beit Hilel, primeiro o Birkat Hamazon (a bênção após a refeição) — e sobre responder amém depois de um israelita e depois de um kuti. A guemará traz a razão de Beit Shamai segundo Rabi Ba; restringe, com Chiya, filho de Rav, o amém sem ter ouvido a quem não comeu com os outros; traz, da sugia do Halel, a regra de que quem ouve e não responde cumpre sua obrigação; e reúne as leis do amém: Rabi Oshaya sobre quem não comeu, os amém proibidos — yetomá, ketufá e chatufá — com a sentença de Ben Azai, o amém depois de um gentio, e o encontro de Rabi Yishmael com dois gentios, um que o abençoou e outro que o amaldiçoou.
Se lhes foi trazido vinho depois da refeição e só há ali aquele copo, Beit Shamai diz: ele abençoa sobre o vinho e depois abençoa sobre a refeição. E Beit Hilel diz: ele abençoa sobre a refeição e depois abençoa sobre o vinho. Respondem amém depois de um israelita que abençoa, e não respondem amém depois de um kuti (samaritano) que abençoa, até que se ouça toda a bênção.
Rabi Ba disse: a razão de Beit Shamai é que, por ser a do vinho uma bênção pequena, talvez ele esqueça de abençoá-la e beba. Mas aqui, uma vez que ele a encadeia sobre o copo, ele não esquece.
Daí se depreende que depois de um israelita respondem amém, ainda que a pessoa não tenha ouvido toda a bênção. Não se ensina assim numa baraita: ouviu e não respondeu, cumpriu sua obrigação; respondeu e não ouviu, não cumpriu? Chiya, filho de Rav, disse: a Mishná trata do caso em que ele não comeu com eles o volume de uma azeitona.
Aqui, a baraita ensina: ouviu e não respondeu, cumpriu sua obrigação; respondeu e não ouviu, não cumpriu. Rav, em nome de Aba bar Chana — e há quem o diga: Aba bar Chana, em nome de Rav —: e isso vale quando ele respondeu os rashei perakim (inícios dos capítulos). Rabi Zeirá perguntou: quais são os inícios dos capítulos? Por exemplo: “Haleluyá! Louvai, servos do Eterno, louvai o Nome do Eterno” (Tehilim 113:1). Perguntaram diante de Rabi Chiya bar Aba: de onde se sabe que, se alguém ouviu e não respondeu, cumpriu sua obrigação? Ele disse: daquilo que nós vemos os grandes rabinos fazerem assim: eles estão de pé na congregação, em que estes dizem “Bendito o que vem”, e aqueles dizem “em nome do Eterno” (Tehilim 118:26), e uns e outros cumprem sua obrigação.
Rabi Oshaya ensinou: uma pessoa responde amém depois do Birkat Hamazon ainda que não tenha comido; mas não diz “Abençoemos Aquele de cujo alimento comemos”, a menos que tenha comido.
Ensina-se: não se responde amen yetomá (amém órfão), nem amen ketufá (amém cortado), nem amen chatufá (amém arrebatado). Ben Azai diz: quem responde amen yetomá, que seus filhos sejam órfãos; quem responde amém chatufá, que seus anos sejam arrebatados; quem responde amém ketufá, que sua alma seja cortada; quem responde um amém longo, prolongam-lhe os dias e os anos em bem. Qual é o amen yetomá? Disse Rav Huna: este que está sentado para abençoar, e responde amém, e não sabe a que ele responde.
Ensina-se: um gentio que abençoou o Nome, respondem amém depois dele; se abençoou com o Nome, não respondem amém depois dele. Rabi Tanchuma disse: se um gentio te abençoou, responde amém depois dele, pois está escrito: “Bendito serás de todos os povos” (Devarim 7:14). Um gentio encontrou Rabi Yishmael e o abençoou. Rabi Yishmael lhe disse: tua palavra já foi dita. Outro gentio encontrou-o e o amaldiçoou; ele lhe disse: tua palavra já foi dita. Seus discípulos lhe disseram: Rabi, como disseste a este, assim disseste a este outro? Ele lhes disse: assim está escrito: “os que te amaldiçoam, malditos; e os que te abençoam, benditos” (Bereshit 27:29).
Esta oitava e última halachá do Perek Chet comenta a Mishná sobre o copo de vinho depois da refeição e sobre responder amém. Segundo o Penei Moshe, “depois da refeição” refere-se a qualquer dia do ano, e não à véspera de Shabat da primeira Mishná do capítulo; e responde-se amém depois do israelita mesmo sem ter ouvido a menção do Nome, só o fim da bênção, porque presumivelmente ele abençoou para o Céu, mas não depois do kuti, que talvez tenha abençoado em referência ao monte Guerizim. Sobre a primeira seção: o Penei Moshe, o Sirilio e o Ohr LaYesharim observam que a frase “mas aqui, uma vez que ele a encadeia sobre o copo” pertence à primeira halachá do capítulo (8:1), onde se discute o copo único que serve ao Birkat Hamazon e ao kidush, e foi copiada para cá; o Sirilio chama-a de erro de copista. As palavras entre colchetes no hebraico são a correção do Sefaria, segundo o manuscrito de Roma; o texto impresso, citado pelo Ohr LaYesharim, traz עַל יְדֵי שֶׁהִיא מְשׁוּלָּשָׁה. O Mareh HaPanim discute se, por essa razão, a disputa das escolas depende ou não de o Birkat Hamazon exigir um copo. Sobre a segunda e a terceira seções: no texto do Sefaria, as palavras הָכָא מַתְנִיתָא abrem o quarto segmento; o Penei Moshe e o Ohr LaYesharim as leem como o fim da resposta de Chiya, filho de Rav (“a Mishná daqui trata de quem não comeu com eles”), e o que segue como a baraita do Halel, trazida da sugia paralela do Yerushalmi, Sucá 3:10, e Meguilá 1:9 (numeração do Sefaria; na edição de Guggenheimer, Sucá 3:12). A tradução segue a divisão do Sefaria. A resposta de Chiya, filho de Rav, está também no Bavli, Berachot 53b; o costume do Halel, “ele diz ‘Bendito o que vem’, e eles dizem ‘em nome do Eterno’”, está no Bavli, Sucá 38b. Segundo o Penei Moshe, quem só ouve precisa responder ao menos os inícios dos capítulos; o Sirilio entende por isso o início de cada salmo do Halel. Segundo o Ohr LaYesharim, a palavra דֵּין (“este”) no relato dos grandes rabinos era uma variante escrita na margem que entrou no texto. Sobre a quarta seção: segundo o Penei Moshe, a baraita ensina que, embora quem tenha comido pudesse em princípio cumprir pelos outros, ele não convida ao zimún sem ter comido, conforme a regra do Yerushalmi, Berachot 3:3, de que em toda mitzvá quem é obrigado pode fazer os outros cumprirem, exceto no Birkat Hamazon; o Sirilio acrescenta que ele responde “Bendito seja Ele e bendito o Seu Nome para sempre”. Compare-se o Bavli, Berachot 45b, e Rambam, Hilchot Berachot 5:17. Sobre a quinta seção: o Penei Moshe e o Sirilio explicam o amen ketufá como aquele em que não se pronuncia com clareza o nun final, e o amen chatufá como o dito às pressas (segundo o Sirilio, com o alef pronunciado em chataf e não em kamats). O Penei Moshe corrige דְּיָתִיב (“que está sentado”) para דְּחַיָּיב (“que é obrigado”), como nos paralelos de Sucá e Meguilá: amen yetomá é o de quem está obrigado a uma bênção, não a ouviu e responde amém só porque ouviu os outros responderem; assim também o Rambam, Hilchot Berachot 1:14, e o Shulchan Aruch, Orach Chayim 124:8, conforme observa o Mareh HaPanim. A baraita está na Tosefta, Meguilá 3:16 (na edição de Lieberman, 3:27), e no Bavli, Berachot 47a. Sobre a sexta seção: as palavras entre colchetes no hebraico, “com o Nome, não respondem amém depois dele”, faltam no texto impresso e foram completadas pelo Sefaria segundo o manuscrito de Roma e os paralelos; na Tosefta, Berachot 5:22 (na edição de Lieberman, 5:21), a regra aparece sobre o gentio e sobre o kuti que abençoa “com o Nome”, e as interpretações das duas fórmulas divergem; a tradução mantém a concisão do original. Segundo o Penei Moshe, “Bendito serás de todos os povos” é lido assim: mesmo que os povos te abençoem, a bênção recai sobre ti. O Mareh HaPanim explica que os discípulos entenderam a primeira resposta de Rabi Yishmael como alusão a esse versículo, e por isso estranharam a segunda; ele lhes mostrou que pensava em Bereshit 27:29, que abrange os dois casos: quem te amaldiçoa será maldito, e quem te abençoa será bendito. Na edição de Guggenheimer o sábio é chamado Rabi Yehoshua; o hebraico do Sefaria, seguido aqui, traz Rabi Yishmael. Sobre responder amém depois de um israelita, de um kuti e de um gentio, ver Rambam, Hilchot Berachot 1:13, e Shulchan Aruch, Orach Chayim 215:2; sobre o copo único, Shulchan Aruch, Orach Chayim 174:3. O hebraico segue o Sefaria, inclusive as grafias לָהֶן, אַחַר הַמָּזוֹן e מְבָרֵךְ sem artigo na Mishná do Yerushalmi (a Mishná avulsa, Berachot 8:8, traz לָהֶם, לְאַחַר הַמָּזוֹן e הַמְבָרֵךְ), e a grafia ולֹא do sexto segmento; foram removidos apenas os rótulos “משנה:” e “הלכה:” e o marcador de folha da edição de Vilna (62a), no sexto segmento. O Korban HaEdah não está disponível no Sefaria para esta halachá. Com esta halachá encerra-se o Perek Chet de Berachot no Talmud Yerushalmi.
A Mishná seguinte, Berachot 9:1 (הָרוֹאֶה מָקוֹם…), abre o Perek Tet, último capítulo do tratado, com as bênçãos de quem vê um lugar onde se fizeram milagres para Israel ou de onde foi erradicada a idolatria.
Ver também no Talmud Bavli. A mesma Mishná é discutida no Talmud Bavli: o copo único em Berachot 52a, a resposta de Chiya, filho de Rav, sobre quem não comeu com eles em Berachot 53b, e a baraita do amém órfão, cortado e arrebatado em Berachot 47a.
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