A sétima halachá do Perek Chet comenta a Mishná sobre quem comeu, esqueceu e não recitou o Birkat Hamazon (a bênção após a refeição): para Beit Shamai, deve voltar ao lugar onde comeu; para Beit Hilel, abençoa onde se lembrou; e o prazo para abençoar dura até que o alimento seja digerido. A guemará traz, em nome de Rabi Yusta bar Shunem, as razões de cada escola — a bolsa de pedras preciosas que ninguém deixaria para trás, e o trabalhador no topo da tamareira ou no fundo da cisterna, a quem não se impõe o incômodo de voltar — e depois define a medida da digestão: segundo Shmuel, até que o alimento seja digerido; segundo os sábios, enquanto há sede por causa da refeição, e segundo Rabi Yochanan, até que se tenha fome.
Quem comeu e esqueceu e não abençoou o Birkat Hamazon: Beit Shamai diz: volte ao seu lugar onde comeu e abençoe. E Beit Hilel diz: abençoe no lugar em que se lembrou. E até quando ele abençoa? Até que se digira o alimento que está em suas entranhas.
Rabi Yusta bar Shunem disse: há dois amoraim (sábios da guemará): um disse a razão de Beit Shamai, e um disse a razão de Beit Hilel. Quem disse a razão de Beit Shamai: se ele tivesse esquecido ali no lugar da refeição uma bolsa de pedras preciosas e pérolas, acaso não voltaria e tomaria sua bolsa? Também aqui, volte ao seu lugar e abençoe. Quem disse a razão de Beit Hilel: se um trabalhador trabalha no topo da tamareira ou dentro da cisterna e esqueceu de abençoar, acaso lhe impõem o incômodo de voltar ao seu lugar e abençoar? Antes, abençoa no lugar em que se lembrou. Também aqui, abençoa no lugar em que se lembrou.
Até quando ele abençoa? Rabi Chiya, em nome de Shmuel, disse: até que o alimento seja digerido em suas entranhas. E os sábios dizem: abençoa-se todo o tempo em que ele está com sede por causa daquela refeição. Rabi Yochanan disse: abençoa-se até que ele tenha fome.
Esta sétima halachá do Perek Chet comenta a Mishná sobre quem esqueceu o Birkat Hamazon. Segundo o Penei Moshe, a disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel vale só para quem esqueceu; quem saiu deliberadamente sem abençoar deve, segundo todos, voltar ao seu lugar e abençoar — como diz também o Bavli, Berachot 53b, em nome de Rav Zevid. No Bavli, 53b, as duas razões aparecem como uma baraita em que as escolas debatem entre si: quem comeu no alto de uma fortaleza, e quem esqueceu ali sua bolsa; o Sirilio explica a razão de Beit Shamai com a formulação do Bavli: se para sua própria honra ele volta, para a honra do Céu, tanto mais. A palavra אִלֵּן equivale a אִילּוּ, "se"; segundo o Ohr LaYesharim, a grafia com nun final é um erro da edição de Veneza, que tomou por nun o vav alongado de um corretor do manuscrito. Quanto ao trabalhador, o Penei Moshe lê que ele comeu, esqueceu e depois subiu ao topo da tamareira ou desceu à cisterna para seu trabalho, de modo que voltar o tiraria dali; o Ohr LaYesharim lê que ele comeu lá em cima ou lá embaixo e só se lembrou depois de sair, de modo que voltar o obrigaria a subir ou descer de novo. A tradução mantém a ambiguidade do original. Sobre a medida da digestão, o Penei Moshe explica que, enquanto a pessoa não tem fome por causa daquela refeição, é sinal de que o alimento não foi digerido. O texto desta passagem é incerto: o Ohr LaYesharim registra que o manuscrito de Roma traz Rabi Achá em lugar de Rabi Chiya e que a frase "até que o alimento seja digerido em suas entranhas. E os sábios dizem" foi acrescentada por um corretor; o Amudei Yerushalayim prefere a leitura da edição de Amsterdã, em que a medida da sede é do próprio Shmuel. No Bavli, 53b, "todo o tempo em que não tem fome por causa daquela comida" é de Rabi Yochanan, e a medida da sede é de Reish Lakish; o Mareh HaPanim observa que a halachá segue Rabi Yochanan, e assim decide o Shulchan Aruch (Orach Chayim 184:5). Sobre abençoar onde se lembrou ou voltar ao lugar, ver Rambam, Hilchot Berachot 4:1, e Shulchan Aruch, Orach Chayim 184:1. O hebraico segue o Sefaria, inclusive as grafias בֵּירַךְ e יִתְאַכֵּל da Mishná do Yerushalmi (a Mishná avulsa, Berachot 8:7, traz בֵרַךְ e יִתְעַכֵּל); foram removidos apenas os rótulos "משנה:" e "הלכה:"; não há marcadores de folha nestes segmentos. O Korban HaEdah não está disponível no Sefaria para esta halachá.
Ver também no Talmud Bavli. A mesma Mishná é discutida no Talmud Bavli, Berachot 53b: a disputa vale só para quem esqueceu, a baraita da fortaleza e da bolsa esquecida, e a medida da digestão segundo Rabi Yochanan e Reish Lakish.
Bavli Berachot 53b →