A Mishná ensina que quem passa diante da arca não responde "Amém" depois dos sacerdotes por causa da distração (o risco de perder o fio da oração); que, se não há ali sacerdote além dele, ele mesmo não deve erguer as mãos para abençoar o povo; e que, se está seguro de que consegue erguer as mãos e retornar à sua oração, é permitido. A halachá aplica essa regra de não responder "Amém" à própria bênção a toda uma lista de oficiantes públicos — quem recita as bênçãos do Shemá, o enviado da congregação, quem ergue as mãos, quem lê a Torá, quem lê a Haftará e quem abençoa qualquer preceito da Torá —, registra a disputa tanaítica entre chamá-lo de "rústico" ou de "sábio", e a distinção de Rav Chisdá entre responder ao final de um bloco de bênçãos ou depois de cada uma. Segue-se uma sequência de ensinamentos sobre a honra devida aos sacerdotes: a regra de Rabi Chanina de colocar o sacerdote no meio entre dois israelitas, ou o sábio no meio quando há diferença de erudição; a recusa pessoal de Rabi Yehoshua ben Levi em abençoar diante de um sacerdote ou em deixar um israelita abençoar diante dele; o ensinamento de Rabi Yudá ben Pazi em nome de Rabi Elazar de que todo sacerdote que fica na sinagoga sem erguer as mãos transgride um preceito positivo, e o costume de Rabi Yudá ben Pazi, quando adoentado, de sustentar a cabeça e ficar atrás de uma coluna. A halachá trata ainda da bênção sacerdotal numa cidade só de sacerdotes — a quem abençoam, e quem responde "Amém" por eles —, de quem fica incluído ou excluído da bênção conforme fique atrás, diante ou ao lado dos sacerdotes, e conclui com a exigência de que o chazan que anuncia "Cohanim" seja ele mesmo um israelita, e não um sacerdote.
Quem passa diante da arca (o enviado da congregação, ao rezar em voz alta) não responde "Amém" depois dos sacerdotes (que recitam a bênção sacerdotal), por causa da distração (o risco de perder o fio da oração e não saber prosseguir). E se não há ali sacerdote além dele (sendo ele mesmo sacerdote e o único presente), não deve erguer as mãos (para abençoar o povo, pois isso o distrairia de sua função de enviado). Mas se está seguro de que consegue erguer as mãos e retornar à sua oração (sem se perder), é permitido.
Ensinaram: quem recita as bênçãos que envolvem o Shemá (em nome da congregação, dividindo a recitação entre vários), e quem passa diante da arca, e quem ergue as mãos (para a bênção sacerdotal), e quem lê na Torá, e quem lê a Haftará no livro dos Profetas, e quem abençoa por qualquer um dos preceitos mencionados na Torá — não responde "Amém" depois de si mesmo. E se respondeu, este é um rústico (bur, alguém sem instrução, que age de modo socialmente inadequado). Há tanaítas que ensinam: este é um rústico; e há tanaítas que ensinam: este é um sábio. Disse Rav Chisdá: quem disse "este é um sábio" refere-se a quem responde ao final (de um conjunto de bênçãos que formam uma unidade completa); e quem disse "este é um rústico" refere-se a quem responde depois de cada bênção (interrompendo a sequência indevidamente).
Disse Rabi Chanina: havendo dois israelitas e um sacerdote, coloca-se o sacerdote no meio (o lugar de honra). Quando é assim? Quando todos são iguais (em erudição). Mas se um deles era discípulo dos sábios, coloca-se o erudito no meio (preferindo-se o mérito do saber ao mérito da linhagem sacerdotal).
Disse Rabi Yehoshua ben Levi: em toda a minha vida, nunca recitei a bênção do repasto (a Birkat HaMazon, em voz alta pela congregação) diante de um sacerdote, nem deixei um israelita recitá-la diante de mim (cedendo sempre a precedência ao sacerdote, apesar de ser ele próprio a maior autoridade de sua geração).
Rabi Yudá ben Pazi, em nome de Rabi Elazar: todo sacerdote que fica de pé na sinagoga e não ergue as mãos (no momento da bênção sacerdotal) transgride um preceito positivo. Rabi Yudá ben Pazi, quando estava fraco (ou doente, incapaz de participar da bênção com decoro), sustentava a cabeça (com um pano ou faixa, sinal visível de enfermidade) e ficava atrás de uma coluna (escondendo-se, para não ser chamado a erguer as mãos). Rabi Elazar, em situação semelhante, saía para fora (retirando-se do prédio da sinagoga).
Rabi Acha, Rabi Tanchuma bei Rabi Chiya, em nome de Rabi Simlai: numa cidade que é toda de sacerdotes (sem israelitas leigos presentes para serem abençoados), eles mesmos erguem as mãos. A quem eles abençoam? A seus irmãos que estão ao norte, a seus irmãos que estão ao sul, a seus irmãos que estão ao leste, a seus irmãos que estão ao oeste (voltando-se para os sacerdotes de outras localidades nas quatro direções, já que não há leigos ali para receber a bênção). E quem responde "Amém" depois deles? As mulheres e as crianças (que, não sendo sacerdotes, permanecem como destinatários e respondentes da bênção).
Ensinou Aba (ou Abaye), na academia de Rabi Binyamin: os que ficam atrás dos sacerdotes não estão incluídos na bênção. Quanto aos que ficam diante dos sacerdotes, disse Rabi Chiya bar Vava: mesmo um muro de ferro que os separasse, a bênção o atravessaria (a bênção alcança quem está à frente, não importa o obstáculo). Os que ficam aos lados — ouvimos a resposta a partir do seguinte caso análogo: quem pretendia aspergir (as águas de purificação da vaca ruiva) diante de alguém e aspergiu atrás dele, ou pretendia aspergir atrás dele e aspergiu diante dele — sua aspersão é inválida. Mas se pretendia aspergir diante dele e aspergiu sobre os lados que ficam diante dele, sua aspersão é válida. Isso ensina que também os que ficam aos lados estão incluídos na bênção (pois a intenção voltada para a frente abrange naturalmente os lados, excluindo apenas quem está atrás).
Disse Rav Chisdá: e é necessário que o chazan (o assistente da congregação que anuncia o chamado à bênção sacerdotal) seja israelita (e não sacerdote). Rav Nachman bar Yaacov disse: se havia um único sacerdote, diz-se "sacerdote" (no singular); se havia dois, dizem "sacerdotes" (no plural, conforme o número presente). Disse Rav Chisdá: mesmo havendo apenas um sacerdote, diz-se "sacerdotes" (no plural), pois o chamado não convoca o indivíduo, mas a tribo inteira, e por isso mantém sempre a forma plural.
Esta quarta halachá do Perek Heh comenta a Mishná sobre o enviado da congregação que, ao recitar a bênção sacerdotal, não deve responder "Amém" depois dos sacerdotes por risco de se distrair e perder o fio da própria oração — e sobre o sacerdote que, sendo o único presente, não deve erguer as mãos, salvo se estiver seguro de conseguir retornar à sua prece sem se perder. A primeira metade da halachá generaliza essa regra a toda uma série de funções litúrgicas públicas — quem recita as bênçãos do Shemá, o enviado da congregação, quem ergue as mãos, quem lê a Torá ou a Haftará, e quem abençoa qualquer preceito da Torá —, todas as quais não devem responder "Amém" à própria bênção, com a disputa tanaítica sobre se quem o faz é "rústico" ou "sábio", resolvida por Rav Chisdá conforme se responde ao final de um bloco de bênçãos ou a cada uma isoladamente. A segunda metade trata da honra devida ao sacerdote na vida comunitária — sua posição central entre dois israelitas, salvo quando há maior erudição envolvida; a notável recusa pessoal de Rabi Yehoshua ben Levi em preceder ou ser precedido por um sacerdote na bênção do repasto; e a obrigação positiva, segundo Rabi Elazar, de todo sacerdote presente na sinagoga erguer as mãos, ilustrada pelos costumes de Rabi Yudá ben Pazi e do próprio Rabi Elazar quando adoentados. A halachá conclui com o caso extremo de uma cidade só de sacerdotes, que se abençoam mutuamente através das direções cardeais enquanto mulheres e crianças respondem "Amém"; com a delimitação de quem está incluído ou excluído da bênção conforme sua posição atrás, diante ou ao lado dos sacerdotes, à luz da analogia com a aspersão da vaca ruiva; e com a exigência de que o chazan que anuncia "Cohanim" seja ele mesmo israelita, e a discussão sobre o número gramatical desse chamado.