Talmud Yerushalmi · Massechet Berachot · Perek Heh · Halachá 4
בְּרָכוֹת

Quem responde Amém à própria bênção, a posição do sacerdote, e a bênção sacerdotal numa cidade só de sacerdotes

Perek Heh, Halachá 4 (completa) — quarta halachá do capítulo

A Mishná ensina que quem passa diante da arca não responde "Amém" depois dos sacerdotes por causa da distração (o risco de perder o fio da oração); que, se não há ali sacerdote além dele, ele mesmo não deve erguer as mãos para abençoar o povo; e que, se está seguro de que consegue erguer as mãos e retornar à sua oração, é permitido. A halachá aplica essa regra de não responder "Amém" à própria bênção a toda uma lista de oficiantes públicos — quem recita as bênçãos do Shemá, o enviado da congregação, quem ergue as mãos, quem lê a Torá, quem lê a Haftará e quem abençoa qualquer preceito da Torá —, registra a disputa tanaítica entre chamá-lo de "rústico" ou de "sábio", e a distinção de Rav Chisdá entre responder ao final de um bloco de bênçãos ou depois de cada uma. Segue-se uma sequência de ensinamentos sobre a honra devida aos sacerdotes: a regra de Rabi Chanina de colocar o sacerdote no meio entre dois israelitas, ou o sábio no meio quando há diferença de erudição; a recusa pessoal de Rabi Yehoshua ben Levi em abençoar diante de um sacerdote ou em deixar um israelita abençoar diante dele; o ensinamento de Rabi Yudá ben Pazi em nome de Rabi Elazar de que todo sacerdote que fica na sinagoga sem erguer as mãos transgride um preceito positivo, e o costume de Rabi Yudá ben Pazi, quando adoentado, de sustentar a cabeça e ficar atrás de uma coluna. A halachá trata ainda da bênção sacerdotal numa cidade só de sacerdotes — a quem abençoam, e quem responde "Amém" por eles —, de quem fica incluído ou excluído da bênção conforme fique atrás, diante ou ao lado dos sacerdotes, e conclui com a exigência de que o chazan que anuncia "Cohanim" seja ele mesmo um israelita, e não um sacerdote.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

הָעוֹבֵר לִפְנֵי הַתֵּיבָה לֹא יַעֲנֶה אַחַר הַכֹּהֲנִים אָמֵן מִפְּנֵי הַטֵּירוּף. וְאִם אֵין שָׁם כֹּהֵן אֶלָּא הוּא לֹא יִשָּׂא אֶת כַּפָּיו. וְאִם הֻבְטַחְתּוֹ שֶׁהוּא נוֹשֵׂא אֶת כַּפָּיו וְחוֹזֵר לִתְפִילָּתוֹ רְשָׁאִי.

Quem passa diante da arca (o enviado da congregação, ao rezar em voz alta) não responde "Amém" depois dos sacerdotes (que recitam a bênção sacerdotal), por causa da distração (o risco de perder o fio da oração e não saber prosseguir). E se não há ali sacerdote além dele (sendo ele mesmo sacerdote e o único presente), não deve erguer as mãos (para abençoar o povo, pois isso o distrairia de sua função de enviado). Mas se está seguro de que consegue erguer as mãos e retornar à sua oração (sem se perder), é permitido.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01Ensinaram: quem recita as bênçãos do Shemá, o enviado, quem ergue as mãos, quem lê a Torá ou a Haftará, e quem abençoa qualquer preceito, não responde Amém à própria bênção; se respondeu, é rústico; disputa tanaítica entre "rústico" e "sábio"; Rav Chisdá: responder ao final ou a cada bênção
Yerushalmi · Berachot 5:4
תַּנִּי הַפּוֹרֵס אֶת שְׁמַע וְהָעוֹבֵר לִפְנֵי הַתֵּיבָה וְהַנּוֹשֵׂא אֶת כַּפָּיו וְהַקּוֹרֵא בַתּוֹרָה וְהַמַּפְטִיר בְּנָבִיא וְהַמְבָרֵךְ עַל אַחַת מִכָּל מִצְוֹת הָאֲמוּרוֹת בַּתּוֹרָה לֹא יַעֲנֶה אַחַר עַצְמוֹ אָמֵן. וְאִם עָנָה הֲרֵי זֶה בּוּר. אִית תְּנָיֵי תַּנִּי הֲרֵי זֶה בּוּר. וְאִית תְּנָיֵי תַּנִּי הֲרֵי זֶה חָכָם. אָמַר רַב חִסְדָּא מַאן דָּמַר הֲרֵי זֶה חָכָם בְּעוֹנֶה בְּסוֹף. וּמַאן דָּמַר הֲרֵי זֶה בּוּר בְּעוֹנֶה עַל כָּל בְּרָכָה וּבְרָכָה.

Ensinaram: quem recita as bênçãos que envolvem o Shemá (em nome da congregação, dividindo a recitação entre vários), e quem passa diante da arca, e quem ergue as mãos (para a bênção sacerdotal), e quem lê na Torá, e quem lê a Haftará no livro dos Profetas, e quem abençoa por qualquer um dos preceitos mencionados na Torá — não responde "Amém" depois de si mesmo. E se respondeu, este é um rústico (bur, alguém sem instrução, que age de modo socialmente inadequado). Há tanaítas que ensinam: este é um rústico; e há tanaítas que ensinam: este é um sábio. Disse Rav Chisdá: quem disse "este é um sábio" refere-se a quem responde ao final (de um conjunto de bênçãos que formam uma unidade completa); e quem disse "este é um rústico" refere-se a quem responde depois de cada bênção (interrompendo a sequência indevidamente).

02Rabi Chanina: dois israelitas e um sacerdote colocam o sacerdote no meio; quando um deles é sábio, coloca-se o sábio no meio
Yerushalmi · Berachot 5:4
אָמַר רִבִּי חֲנִינָא שְׁנַיִם יִשְׂרָאֵל וְאֶחָד כֹּהֵן מְמַצְּעִין אֶת הַכֹּהֵן. אֵימָתַי בִּזְמַן שֶׁכּוּלָּם שָׁוִין. אֲבָל אִם הָיָה אֶחָד מֵהֶן תַּלְמִיד חָכָם מְמַצְּעִין אֶת הֶחָבֵר.

Disse Rabi Chanina: havendo dois israelitas e um sacerdote, coloca-se o sacerdote no meio (o lugar de honra). Quando é assim? Quando todos são iguais (em erudição). Mas se um deles era discípulo dos sábios, coloca-se o erudito no meio (preferindo-se o mérito do saber ao mérito da linhagem sacerdotal).

03Rabi Yehoshua ben Levi: nunca abençoei diante de um sacerdote, nem deixei um israelita abençoar diante de mim
Yerushalmi · Berachot 5:4
אָמַר רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי מִיָּמַי לֹא בֵּרַכְתִּי לִפְנֵי כֹהֵן וְלֹא הִנַּחְתִּי יִשְׂרָאֵל לְבָרֵךְ לְפָנַי.

Disse Rabi Yehoshua ben Levi: em toda a minha vida, nunca recitei a bênção do repasto (a Birkat HaMazon, em voz alta pela congregação) diante de um sacerdote, nem deixei um israelita recitá-la diante de mim (cedendo sempre a precedência ao sacerdote, apesar de ser ele próprio a maior autoridade de sua geração).

04Rabi Yudá ben Pazi em nome de Rabi Elazar: todo sacerdote que fica na sinagoga sem erguer as mãos transgride um preceito positivo; o costume de Rabi Yudá ben Pazi quando adoentado
Yerushalmi · Berachot 5:4
רִבִּי יוּדָה בֶּן פָּזִי בְשֵׁם רִבִּי אֶלְעָזָר כָּל כֹּהֵן שֶׁהוּא עוֹמֵד בְּבֵית הַכְּנֶסֶת וְאֵינוֹ נוֹשֵׂא אֶת כַּפָּיו עוֹבֵר בַּעֲשֵׂה. רִבִּי יוּדָה בֶּן פָּזִי כַּד הֲוָה תָּשִׁישׁ הֲוָה חֲזִיק רֵישֵׁיהּ וְקָאִים לֵיהּ אֲחוֹרֵי עֲמוּדָא. רִבִּי אֶלְעָזָר נְפִיק לֵיהּ לִבְרָא.

Rabi Yudá ben Pazi, em nome de Rabi Elazar: todo sacerdote que fica de pé na sinagoga e não ergue as mãos (no momento da bênção sacerdotal) transgride um preceito positivo. Rabi Yudá ben Pazi, quando estava fraco (ou doente, incapaz de participar da bênção com decoro), sustentava a cabeça (com um pano ou faixa, sinal visível de enfermidade) e ficava atrás de uma coluna (escondendo-se, para não ser chamado a erguer as mãos). Rabi Elazar, em situação semelhante, saía para fora (retirando-se do prédio da sinagoga).

05Rabi Acha, Rabi Tanchuma bei Rabi Chiya em nome de Rabi Simlai: numa cidade só de sacerdotes, todos erguem as mãos e abençoam uns aos outros; mulheres e crianças respondem Amém
Yerushalmi · Berachot 5:4
רִבִּי אָחָא רִבִּי תַנְחוּמָא בֵּרִבִּי חִיָיא בְּשֵׁם רִבִּי שִׂמְלַאי עִיר שֶׁכּוּלָּהּ כֹהֲנִים נוֹשְׂאִין אֶת כַּפֵּיהֶן. לְמִי הֵן מְבָרְכִין לַאֲחֵיהֶן שֶׁבְּצָפוֹן לַאֲחֵיהֶם שֶׁבְּדָרוֹם לַאֲחֵיהֶם שֶׁבְּמִזְרָח לַאֲחֵיהֶם שֶׁבְּמַעֲרָב. וּמִי עוֹנֶה אַחֲרֵיהֶן אָמֵן הַנָּשִׁים וְהַטַּף.

Rabi Acha, Rabi Tanchuma bei Rabi Chiya, em nome de Rabi Simlai: numa cidade que é toda de sacerdotes (sem israelitas leigos presentes para serem abençoados), eles mesmos erguem as mãos. A quem eles abençoam? A seus irmãos que estão ao norte, a seus irmãos que estão ao sul, a seus irmãos que estão ao leste, a seus irmãos que estão ao oeste (voltando-se para os sacerdotes de outras localidades nas quatro direções, já que não há leigos ali para receber a bênção). E quem responde "Amém" depois deles? As mulheres e as crianças (que, não sendo sacerdotes, permanecem como destinatários e respondentes da bênção).

06Aba bei Rabi Binyamin: os que ficam atrás dos sacerdotes não estão incluídos na bênção; Rabi Chiya bar Vava: a bênção atravessa até um muro de ferro; os que ficam ao lado, por analogia com a aspersão da vaca ruiva, estão incluídos
Yerushalmi · Berachot 5:4
תַּנָּא אַבַּיי בֵּי רִבִּי בִּנְיָמִן הָעוֹמְדִים לַאֲחוֹרֵי הַכֹּהֲנִים אֵינָן בִּכְלַל בְּרָכָה. הָעוֹמְדִין לִפְנֵי הַכֹּהֲנִים אָמַר רִבִּי חִיָיא בַּר וָוא אֲפִילוּ חוֹמָה שֶׁל בַּרְזֶל הַבְּרָכָה מַפְסֶקֶתָהּ. הָעוֹמְדִין מִן הַצְּדָדִין נִשְׁמְעִינָהּ מִן הֲדָא נִתְכַּוֵון לְהַזּוֹת לְפָנָיו וְהִזָּה לְאַחֲרָיו. לְאַחֲרָיו וְהִזָּה לְפָנָיו הַזִּיָיתוֹ פְּסוּלָה. לְפָנָיו וְהִזָּה עַל הַצְּדָדִין שֶׁלְּפָנָיו הַזִּיָיתוֹ כְּשֵׁירָה. הֲדָא אָמְרָה אַף הָעוֹמְדִין מִן הַצְּדָדִין בִּכְלָל בְּרָכָה הֵן.

Ensinou Aba (ou Abaye), na academia de Rabi Binyamin: os que ficam atrás dos sacerdotes não estão incluídos na bênção. Quanto aos que ficam diante dos sacerdotes, disse Rabi Chiya bar Vava: mesmo um muro de ferro que os separasse, a bênção o atravessaria (a bênção alcança quem está à frente, não importa o obstáculo). Os que ficam aos lados — ouvimos a resposta a partir do seguinte caso análogo: quem pretendia aspergir (as águas de purificação da vaca ruiva) diante de alguém e aspergiu atrás dele, ou pretendia aspergir atrás dele e aspergiu diante dele — sua aspersão é inválida. Mas se pretendia aspergir diante dele e aspergiu sobre os lados que ficam diante dele, sua aspersão é válida. Isso ensina que também os que ficam aos lados estão incluídos na bênção (pois a intenção voltada para a frente abrange naturalmente os lados, excluindo apenas quem está atrás).

07Rav Chisdá: o chazan que anuncia "Cohanim" deve ser israelita; Rav Nachman bar Yaacov: um sacerdote diz "sacerdote", dois dizem "sacerdotes"; Rav Chisdá: mesmo um único sacerdote diz "sacerdotes", pois chama a tribo
Yerushalmi · Berachot 5:4
אָמַר רַב חִסְדָּא וְצָרִיךְ שֶׁיְהֵא הַחֲזָן יִשְׂרָאֵל. רַב נַחְמָן בַּר יַעֲקֹב אָמַר אִם הָיָה כֹהֵן אֶחָד אוֹמֵר כֹּהֵן אִם הָיוּ שְׁנַיִם אוֹמְרִים כֹּהֲנִים. אָמַר רַב חִסְדָּא אֲפִילוּ כֹהֵן אֶחָד אוֹמֵר כֹּהֲנִים שֶׁאֵינוֹ קוֹרֵא אֶלָּא לַשֵּׁבֶט.

Disse Rav Chisdá: e é necessário que o chazan (o assistente da congregação que anuncia o chamado à bênção sacerdotal) seja israelita (e não sacerdote). Rav Nachman bar Yaacov disse: se havia um único sacerdote, diz-se "sacerdote" (no singular); se havia dois, dizem "sacerdotes" (no plural, conforme o número presente). Disse Rav Chisdá: mesmo havendo apenas um sacerdote, diz-se "sacerdotes" (no plural), pois o chamado não convoca o indivíduo, mas a tribo inteira, e por isso mantém sempre a forma plural.

Nota

Esta quarta halachá do Perek Heh comenta a Mishná sobre o enviado da congregação que, ao recitar a bênção sacerdotal, não deve responder "Amém" depois dos sacerdotes por risco de se distrair e perder o fio da própria oração — e sobre o sacerdote que, sendo o único presente, não deve erguer as mãos, salvo se estiver seguro de conseguir retornar à sua prece sem se perder. A primeira metade da halachá generaliza essa regra a toda uma série de funções litúrgicas públicas — quem recita as bênçãos do Shemá, o enviado da congregação, quem ergue as mãos, quem lê a Torá ou a Haftará, e quem abençoa qualquer preceito da Torá —, todas as quais não devem responder "Amém" à própria bênção, com a disputa tanaítica sobre se quem o faz é "rústico" ou "sábio", resolvida por Rav Chisdá conforme se responde ao final de um bloco de bênçãos ou a cada uma isoladamente. A segunda metade trata da honra devida ao sacerdote na vida comunitária — sua posição central entre dois israelitas, salvo quando há maior erudição envolvida; a notável recusa pessoal de Rabi Yehoshua ben Levi em preceder ou ser precedido por um sacerdote na bênção do repasto; e a obrigação positiva, segundo Rabi Elazar, de todo sacerdote presente na sinagoga erguer as mãos, ilustrada pelos costumes de Rabi Yudá ben Pazi e do próprio Rabi Elazar quando adoentados. A halachá conclui com o caso extremo de uma cidade só de sacerdotes, que se abençoam mutuamente através das direções cardeais enquanto mulheres e crianças respondem "Amém"; com a delimitação de quem está incluído ou excluído da bênção conforme sua posição atrás, diante ou ao lado dos sacerdotes, à luz da analogia com a aspersão da vaca ruiva; e com a exigência de que o chazan que anuncia "Cohanim" seja ele mesmo israelita, e a discussão sobre o número gramatical desse chamado.