Massechet Terumot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Uma cebola (de teruma) que se colocou dentro de lentilhas (de chulin, depois de cozidas): se estava inteira, é permitida (pois a cebola inteira não solta sabor, apenas absorve umidade, sem transferir gosto às lentilhas). Mas, se a cortou, depende de dar sabor (prova-se o guisado; se há nele sabor perceptível de cebola de teruma, é proibido aos que não são cohanim; se não há, permanece chulin comum). E todos os demais guisados, seja o tempero inteiro seja cortado, dependem de dar sabor (diferentemente da cebola, cujo caso próprio de estar inteira a isenta, os demais temperos — como alho e alho-poró — sempre exigem a prova de sabor, estejam inteiros ou cortados, pois soltam gosto com mais facilidade). Rabi Yehudá permite no caso do molho de peixe salgado (tzachaná, peixes pequenos macerados em salmoura), porque ela (a cebola de teruma colocada ali) serve apenas para remover o mau cheiro (e não para conferir sabor — por isso, mesmo que tecnicamente solte algo no molho, sua função ali é puramente higiênica, retirando o odor desagradável do peixe, e não seu gosto próprio; esta é opinião individual de Rabi Yehudá, que a halachá não segue).
Uma maçã (de teruma) que se esmagou e se colocou dentro de uma massa (de chulin), e a fez fermentar, eis que esta (a massa) é proibida (a estranhos, pois embora a maçã em si seja pouca em quantidade, sua função ali foi a de agente ativo de fermentação — e tudo que atua dessa forma, mesmo em quantidade mínima, proíbe o todo, diferentemente da simples mistura de sabor, que exige quantidade suficiente para ser percebida). Cevada (de teruma) que caiu dentro de uma cisterna de água, ainda que a tenha feito feder (o odor da cevada em decomposição estragou o cheiro e o gosto da água), suas águas são permitidas (pois aqui o efeito da teruma sobre o chulin foi de deterioração — piorar, não melhorar ou dar sabor positivo — e um sabor que apenas estraga não é considerado "dar sabor" no sentido proibitivo; ao contrário, torna-se um caso de noten taam lifgam, sabor que deprecia, o qual a halachá geralmente permite).
O que retira (do forno) pão quente e o coloca sobre a boca de um barril (aberto) de vinho de teruma (o calor do pão faz com que ele absorva vapor e aroma do vinho que sobe da abertura do barril): Rabi Meir proíbe (considera que o pão absorveu efetivamente sabor de teruma através do vapor, e por isso está proibido a estranhos). Rabi Yehudá permite (entende que a mera absorção de aroma pelo vapor não constitui "dar sabor" no sentido que a halachá exige para proibir — vapor e cheiro não equivalem a substância). Rabi Yosei permite no (caso do pão) de trigo, e proíbe no de cevada, porque a cevada absorve (a cevada, por sua textura porosa e composição, absorve umidade e vapor com muito mais intensidade que o trigo, de modo que o pão de cevada de fato recebe substância líquida do vinho — não apenas aroma — enquanto o pão de trigo permanece relativamente impermeável a esse processo).
Um forno que se aqueceu com cominho de teruma (usado como combustível, sendo queimado para gerar calor), e nele se assou (pão de chulin), o pão é permitido, pois não há nele sabor de cominho, mas apenas cheiro de cominho (o cominho, ao ser queimado como lenha, libera apenas seu aroma no ar do forno — nenhuma substância líquida ou sólida do cominho realmente entra em contato direto com a massa do pão para lhe transferir sabor; o que penetra no pão é somente o odor que impregna o ambiente do forno, e isso, segundo o princípio já estabelecido de que "o cheiro não é uma coisa", nunca configura "dar sabor" para efeitos de proibição — mesmo neste caso extremo, em que a fonte da teruma foi completamente consumida pelo fogo).
Tiltan (feno-grego, planta cujas sementes e caule têm sabor semelhante) que caiu dentro de um poço de vinho (de chulin): se era teruma, ou segundo dízimo (maasser sheni), se há na semente (sozinha, sem contar o caule) o suficiente para dar sabor (proíbe o vinho — mas isso se calcula apenas pela quantidade de semente que caiu, ignorando a contribuição do caule, ainda que este também tenha caído e também contribua fisicamente para o sabor), mas não se calcula pelo caule (pois o caule do tiltan, mesmo tendo sabor semelhante ao da semente, nunca foi santificado como teruma nem sujeito ao dízimo — apenas a semente, que é a parte comestível relevante para essas leis, o foi; por isso o caule é irrelevante para o cálculo, mesmo contribuindo sensorialmente). No sétimo ano (shevi'it, cuja santidade recai sobre toda a planta, incluindo o caule), e em kilei hakerem (mistura proibida de sementes no vinhedo, cuja proibição também recai sobre a planta inteira), e em hekdesh (consagração ao Templo, igualmente abrangente): se há na semente e no caule (somados juntos) o suficiente para dar sabor (proíbe — pois, nestes três casos, diferentemente da teruma e do segundo dízimo, a própria planta inteira, caule incluído, possui o status proibido, e por isso ambas as partes se somam no cálculo do sabor).
Aquele que teve feixes de tiltan (plantados) em kilei hakerem (mistura proibida de sementes num vinhedo), devem ser queimados (toda a plantação de kilei hakerem, incluindo o tiltan nela misturado, está sujeita à queima obrigatória, sem possibilidade de resgate ou uso). Teve feixes de tiltan de tevel (produto agrícola do qual ainda não se separaram teruma e dízimos): bate-o (processa os feixes, triturando-os para separar a semente do caule), e calcula quanta semente há neles, e separa a semente (a porção correspondente à teruma, calculada proporcionalmente sobre a quantidade de semente), mas não precisa separar o caule (pois a obrigação de teruma recai apenas sobre a semente comestível, e não sobre o caule, que nunca teve status de tevel para essa finalidade). Mas, se já separou (a teruma antes de triturar os feixes, declarando uma porção proporcional do feixe inteiro como teruma, caule incluído), não deve dizer: "vou bater e tomar o caule para mim e dar a semente" (isto é, uma vez que a separação já ocorreu sobre o feixe inteiro, ele não pode depois reter o caule só para si e entregar apenas a semente ao cohen), mas deve dar o caule junto com a semente (a totalidade do que foi separado como teruma — caule e semente juntos, na proporção do feixe original — deve ir integralmente ao cohen, sem que o proprietário retenha nenhuma parte para uso próprio).
Azeitonas de chulin que se conservaram junto com azeitonas de teruma (no mesmo recipiente de salmoura), sejam azeitonas amassadas de chulin com azeitonas amassadas de teruma, sejam azeitonas amassadas de chulin com azeitonas inteiras de teruma, ou ainda que amassadas apenas em água de teruma (o líquido resultante do processamento de azeitonas de teruma, mesmo sem contato direto com as azeitonas inteiras), é proibido (em todos esses três casos, a proibição se aplica, pois a azeitona amassada de chulin, tendo sua polpa exposta, absorve ativamente qualquer contato com substância de teruma — seja de outra azeitona amassada, seja de uma inteira que ainda solta algo de seu suco, seja do próprio líquido já processado). Mas azeitonas inteiras de chulin com azeitonas amassadas de teruma são permitidas (pois a azeitona de chulin, permanecendo intacta e com a casca fechada, não absorve o suco liberado pela azeitona amassada de teruma ao seu redor — sua estrutura física a protege da penetração de sabor, de modo semelhante ao princípio já visto com a cebola inteira em 10:1).
Peixe impuro que se conservou junto com peixe puro (em salmoura, dentro do mesmo recipiente): todo jarro que comporta duas seás (medida de volume), se há nele em peso dez zuz na medida da Judeia (unidade de peso local), que são cinco selás na medida da Galileia (unidade equivalente, mas nomeada e calculada diferentemente na região da Galileia), de peixe impuro, sua salmoura é proibida (a proporção de peixe impuro em relação ao volume total do recipiente determina se a salmoura resultante — que se mistura entre os peixes — se torna proibida ou não). Rabi Yehudá diz: um quarto (de log, unidade menor de volume) em duas seás (ele propõe uma proporção diferente, calculada por volume de peixe impuro, não por peso). E Rabi Yosei diz: um dezesseis avos dele (uma fração ainda diferente e mais rigorosa da proporção de peixe impuro necessária para proibir a salmoura de todo o recipiente).
Gafanhotos impuros que se conservaram (em salmoura) junto com gafanhotos puros, não invalidaram sua salmoura (diferentemente do peixe impuro tratado na mishná anterior, cuja presença em certa proporção proíbe toda a salmoura, os gafanhotos impuros, mesmo misturados a gafanhotos puros na mesma salmoura, não tornam essa salmoura proibida — em nenhuma proporção). Rabi Tzadok testemunhou sobre a salmoura de gafanhotos impuros que ela é pura (um testemunho ainda mais forte que a afirmação inicial da mishná — não apenas que a mistura com gafanhotos puros não invalida a salmoura, mas que a própria salmoura de gafanhotos impuros sozinha, sem qualquer mistura com puros, já é intrinsecamente pura e permitida, pois os gafanhotos, ao contrário dos peixes, não possuem sangue nem fluidos corporais significativos que possam transferir sua condição impura ao líquido em que são conservados).
Tudo que se conserva junto (vegetais diversos de chulin e de teruma, na mesma salmoura) é permitido, exceto com o allium (chassit — termo coletivo para a família de vegetais pungentes: cebola, alho, alho-poró e afins, cujo sabor forte penetra com facilidade em qualquer coisa ao redor). Allium de chulin com allium de teruma (ambos da mesma família pungente), ou vegetal comum de chulin com allium de teruma, é proibido (em ambos os casos, o allium de teruma — seja encontrando outro allium de chulin, seja um vegetal comum de chulin — transmite seu sabor pungente com força suficiente para proibir a mistura). Mas allium de chulin com vegetal (comum, não pungente) de teruma é permitido (aqui a direção se inverte: é o allium de chulin que está em contato com um vegetal comum de teruma — e, sendo o vegetal de teruma o elemento não-pungente, ele não transmite sabor suficiente para proibir o allium ao seu redor, mesmo que o próprio allium, por sua natureza, tenda a absorver com facilidade qualquer sabor externo).
Rabi Yosei diz: tudo que se ferve com as acelgas (de teruma) é proibido, porque elas dão sabor (diferentemente da regra geral da mishná anterior, que tratava de conserva fria, Rabi Yosei observa que a fervura — processo com calor — faz com que até vegetais comuns, como a acelga, transmitam sabor suficiente para proibir). Rabi Shimon diz: repolho de irrigação (shikya, cultivado em terra seca que precisa ser regada artificialmente) com repolho de sequeiro (ba'al, cultivado em terra naturalmente úmida, sem necessidade de irrigação, de teruma), é proibido, porque ele absorve (o repolho de irrigação, por sua natureza mais seca, absorve com mais intensidade a umidade do repolho de sequeiro de teruma ao seu redor). Rabi Yehudá diz: tudo que se cozinha junto é permitido, exceto com a carne (retomando a regra geral de que cozimento conjunto normalmente não proíbe, com a única exceção sendo a carne, cuja natureza especial — rica em sangue e gordura — sempre transmite e recebe sabor de modo mais intenso). Rabi Yochanan ben Nuri diz: o fígado proíbe, mas não se torna proibido, porque ele libera (sangue e substância continuamente durante o cozimento) mas não absorve (o fígado, por sua composição rica em sangue que continuamente se expele durante a cocção, é capaz de transmitir sabor proibido a tudo que cozinha junto com ele, mas, precisamente por estar sempre "expelindo" e nunca "recebendo", ele mesmo nunca se torna proibido por aquilo com que é cozido — uma assimetria única entre os alimentos discutidos neste perek).
Um ovo que se cozinhou com temperos proibidos (sejam eles de teruma, orlá, ou kilei hakerem — qualquer categoria proibida discutida ao longo deste perek), até sua gema é proibida (chelmon — o interior amarelo do ovo, protegido pela clara ao redor e pela casca; seria de se esperar que, por estar mais protegida e distante do contato direto com os temperos, a gema escapasse da proibição — mas a mishná ensina que não é assim), porque ela absorve (mesmo a camada mais interna e protegida do ovo absorve o sabor proibido durante o cozimento, pois o calor e o líquido penetram através de toda a estrutura do ovo, e não apenas em sua superfície externa). A água de fervura (mei shelakot — o líquido resultante de ferver vegetais ou outros alimentos junto com teruma) e a água de conserva (mei kevashim — o líquido de salmoura em que se conservou teruma) de teruma são proibidas aos estranhos (a mishná encerra o capítulo com uma afirmação geral e conclusiva: não apenas o alimento sólido que absorveu sabor de teruma está proibido, mas também os próprios líquidos resultantes desses processos — fervura e conserva — carregam em si a substância da teruma e permanecem proibidos a quem não é cohen, mesmo que sejam apenas "subproduto" do processo de preparo).