Massechet Terumot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Cinco não separam teruma (a oferta sacerdotal levantada dos grãos, do vinho e do azeite antes de serem consumidos), e se separaram, sua teruma não é teruma (não tem validade alguma, e o restante do produto continua sendo tevel, proibido ao consumo): o surdo-mudo (que nasceu sem fala nem audição), e o louco, e o menor (que ainda não atingiu a maioridade), e quem separa teruma do que não é seu (sem autorização do dono). O gentio que separou teruma do produto de um israelita, mesmo autorizado (mesmo que o israelita o tenha nomeado seu agente para fazê-lo), sua teruma não é teruma (pois a teruma exige, além da autorização, que o próprio agente seja apto — "filho da aliança" — para o ato).
O surdo que fala e não ouve (por ter perdido a audição depois de aprender a falar) não deve separar teruma a princípio (pois não pode ouvir a si mesmo pronunciar a bênção que acompanha a separação); mas se separou, sua teruma é teruma (pois tem discernimento pleno, sendo a exigência da bênção apenas um requisito inicial, não uma condição de validade). O surdo de que falam os sábios em toda parte (sempre que a Mishná usa o termo "surdo" sem qualificação, referindo-se a alguém legalmente incapaz) é aquele que nem ouve nem fala (desde o nascimento, e por isso presumido sem o discernimento necessário para atos que exigem intenção, como votos, casamento e a separação de teruma).
O menor que ainda não trouxe dois pelos (sinal físico da puberdade): Rabi Yehudá diz, sua teruma é teruma (vale plenamente, mesmo antes de qualquer sinal de maturidade). Rabi Yossei diz: se ainda não chegou à idade dos votos (onat nedarim — a idade a partir da qual os votos de um menor são considerados válidos), sua teruma não é teruma; mas desde que chegou à idade dos votos, sua teruma é teruma (mesmo sem ainda ter atingido a maioridade plena, marcada pelos dois pelos).
Não se separa teruma de azeitonas sobre o azeite (quando a pessoa tem azeitonas ainda não prensadas e azeite já pronto, ambos sujeitos à teruma, ela não pode designar as azeitonas como teruma cobrindo também o azeite), nem de uvas sobre o vinho (pelo mesmo princípio). E se separaram (mesmo assim): Bet Shamai diz, há nelas teruma de si mesmas (a separação vale como teruma apenas para as próprias azeitonas ou uvas, mas não cobre o azeite ou vinho já prontos, que continuam a exigir teruma própria); e Bet Hilel diz: sua teruma não é teruma (a separação é totalmente inválida, tanto para as azeitonas ou uvas quanto para o azeite ou vinho, porque a intenção do separador incluía ambos).
Não se separa teruma do lekket (as espigas caídas durante a colheita, dom dos pobres), nem da shichechá (o feixe esquecido no campo, dom dos pobres), nem da peá (a quina do campo reservada aos pobres), nem do hefker (produto declarado sem dono) — sobre o produto próprio do doador, ainda sujeito à teruma; nem do primeiro dízimo do qual já foi retirada sua teruma (a teruma que o levita separa de seu próprio maasser antes de entregá-la ao cohen); nem do segundo dízimo (que deve ser consumido em Jerusalém) nem de consagração que foram resgatados (pagos com dinheiro equivalente para retirá-los de sua santidade original); nem do obrigado sobre o isento (produto sujeito ao dízimo sobre produto isento), nem do isento sobre o obrigado; nem do colhido sobre o preso à terra (produto já separado da terra sobre produto ainda ligado a ela), nem do preso à terra sobre o colhido; nem do novo sobre o velho (produto da safra deste ano sobre o da safra anterior), nem do velho sobre o novo; nem dos frutos da Terra de Israel sobre os frutos de fora da Terra, nem dos frutos de fora da Terra sobre os frutos da Terra. E se separaram, sua teruma não é teruma (em nenhum destes dez casos).
Cinco não devem separar teruma a princípio, mas se separaram, sua teruma é teruma: o mudo (que ouve, mas não fala — ao contrário do surdo-mudo de 1:2), e o embriagado, e o nu (sem vestimenta adequada), e o cego, e quem teve emissão seminal (baal keri, em estado ritual que o impedia, antes de certa reforma, de participar de atos de santidade). Não devem separar teruma, mas se separaram, sua teruma é teruma (repetição que reforça: mesmo sabendo que, se separarem, a teruma valerá, não devem fazê-lo a princípio, em nenhuma circunstância).
Não se separa teruma por medida, nem por peso, nem por contagem (a teruma deve ser separada por estimativa visual, não calculada com precisão). Mas pode-se tromar aquilo que já foi medido, e o que já foi pesado, e o que já foi contado (desde que a medição tenha sido feita antes, para outro propósito, e não no próprio ato de separar a teruma). Não se separa teruma em cesto ou canastra que sejam de medida padronizada (recipientes com capacidade oficialmente reconhecida, como a seá), mas pode-se tromar neles sua metade ou seu terço (preenchendo parcialmente, de modo que não sirvam como medida exata). Não se deve separar teruma numa seá (medida padrão) preenchida até sua metade, pois sua metade também é uma medida (muitas seot têm uma marca exata indicando a metade, o que tornaria esse preenchimento igualmente uma medição proibida).
Não se separa azeite sobre azeitonas ainda a caminho de moer (ainda destinadas ao lagar, não ainda prensadas), nem vinho sobre uvas ainda a caminho de pisar (ainda destinadas ao lagar, não ainda pisadas). Mas se separou, sua teruma é teruma (diferentemente do caso oposto de 1:4, aqui a separação vale, embora tenha sido feita de modo indevido), e deve voltar a separar (uma segunda vez, depois que as azeitonas ou uvas restantes forem processadas, para cobrir também aquele produto). A primeira separação contamina por si mesma (se cair, mesmo em pequena quantidade, sobre produto comum, torna-o todo proibido a não-cohanim, como teruma plena), e se é obrigado quanto a ela o quinto (quem a consumir por engano deve pagar o valor mais um quinto adicional, como se faz com qualquer teruma); mas não a segunda (a segunda separação, sendo apenas de origem rabínica, não tem esse mesmo rigor).
E separa-se azeite sobre azeitonas destinadas à conserva (preservadas inteiras em salmoura, não destinadas a serem moídas), e vinho sobre uvas destinadas a serem feitas passas (secas ao sol, não destinadas a serem pisadas) (pois, nesses casos, as azeitonas e uvas já atingiram seu estágio final de processamento — a conserva e a secagem —, sendo consideradas produto "acabado" tanto quanto o azeite ou vinho). Eis que alguém separou azeite sobre azeitonas destinadas ao consumo (como fruta, não como matéria-prima de azeite), e azeitonas sobre azeitonas destinadas ao consumo, e vinho sobre uvas destinadas ao consumo, e uvas sobre uvas destinadas ao consumo (em todos os quatro casos, a separação foi válida por serem ambos produtos "completos" em seu estado de consumo), e depois mudou de ideia para processá-las (decidindo, após a separação, moer as azeitonas ou pisar as uvas restantes para extrair azeite ou vinho), não precisa voltar a separar (pois no momento em que separou, a teruma foi válida e completa, e a mudança posterior de destino não invalida o que já foi corretamente feito).
Não se separa teruma daquilo cujo trabalho já terminou (produto que atingiu seu estágio final de processamento — como grão já debulhado no chão da eira) sobre aquilo cujo trabalho ainda não terminou (como espigas ainda inteiras), nem daquilo cujo trabalho ainda não terminou sobre aquilo cujo trabalho já terminou, nem daquilo cujo trabalho ainda não terminou sobre aquilo cujo trabalho também ainda não terminou (um terceiro caso, de dois produtos igualmente inacabados). E se separaram (em qualquer um desses três casos), sua teruma é teruma (diferentemente do caso específico de azeitonas e uvas sobre azeite e vinho — objeto próprio de 1:4 —, aqui, para os demais produtos agrícolas em geral, a separação vale mesmo quando um dos dois lados ainda não terminou seu processamento).