Talmud Bavli · Massechet Negaim · Perek Yud-Dalet
פֶּרֶק אַרְבָּעָה עָשָׂר

Mishná de Negaim, décimo quarto perek — adaptada à trilha Bavli

13 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1Como se purifica o metzorá: o vaso de barro, as duas aves, o cedro, o hissopo e a lã escarlate
Abre o Perek Yud-Dalet, capítulo final de Massechet Negaim, descrevendo o primeiro estágio do ritual de purificação do metzorá: o vaso de barro novo com água viva, a ave abatida sobre eles, a ave viva amarrada ao cedro, ao hissopo e à lã escarlate, e a aspersão sobre o metzorá e sobre a casa marcada

Como se purifica o metzorá? Trazia um vaso de barro novo e colocava dentro dele um quarto de log de água viva, e trazia duas aves livres. Abatia uma delas sobre um vaso de barro e sobre a água viva. Cavava e a enterrava diante dele. Tomava madeira de cedro, hissopo e lã de escarlate, e os amarrava com o restante da língua (de lã), e aproximava junto a eles as pontas das asas e a ponta da cauda da segunda ave. Mergulhava e aspergia sete vezes sobre o dorso da mão do metzorá — e há os que dizem, sobre a sua testa. E assim aspergia sobre a verga da porta da casa, por fora.

Com esta mishná abre-se o capítulo final de Massechet Negaim, dedicado inteiramente ao processo de purificação do metzorá descrito em Vayikrá 14. O vaso deve ser de barro e novo, por comparação (guezerá shavá) entre "vaso" e "água": assim como a água não pode ter sido usada para nenhum trabalho, também o vaso não pode ter sido usado para nenhum trabalho. A quantidade de água — um quarto de log — foi fixada pelos sábios como a medida em que o sangue da ave abatida permanece visível na água. As duas aves devem ser tziporim dror, aves que habitam livremente tanto na casa quanto no campo. A primeira é abatida sobre o vaso de barro e sobre a água viva, e por ser proibida para qualquer proveito, é enterrada diante do metzorá, para que veja que ela não será aproveitada de nenhuma forma. O cedro, o hissopo e a lã escarlate são então amarrados juntos com a ponta sobressalente da própria lã, e a eles se aproximam as pontas das asas e da cauda da segunda ave, a ave viva; todo o conjunto é mergulhado junto no sangue e na água, e aspergido sete vezes sobre o dorso da mão do metzorá — segundo uma opinião, sobre a sua testa, embora a lei não siga essa opinião — e da mesma forma se asperge sobre a verga da porta de uma casa marcada por tzaraat, do lado de fora.

כֵּיצַד מְטַהֲרִין אֶת הַמְּצֹרָע. הָיָה מֵבִיא פְיָלִי שֶׁל חֶרֶשׂ חֲדָשָׁה וְנוֹתֵן לְתוֹכָהּ רְבִיעִית מַיִם חַיִּים, וּמֵבִיא שְׁתֵּי צִפֳּרִים דְּרוֹר. שָׁחַט אֶת אַחַת מֵהֶן עַל כְּלִי חֶרֶשׂ וְעַל מַיִם חַיִּים. חָפַר וְקוֹבְרָהּ בְּפָנָיו. נָטַל עֵץ אֶרֶז וְאֵזוֹב וּשְׁנִי תוֹלַעַת וּכְרָכָן בִּשְׁיָרֵי הַלָּשׁוֹן, וְהִקִּיף לָהֶם רָאשֵׁי אֲגַפַּיִם וְרֹאשׁ הַזָּנָב שֶׁל שְׁנִיָּה. טָבַל וְהִזָּה שֶׁבַע פְּעָמִים לְאַחַר יָדוֹ שֶׁל מְצֹרָע, וְיֵשׁ אוֹמְרִים, עַל מִצְחוֹ. וְכָךְ הָיָה מַזֶּה עַל הַשְּׁקוֹף שֶׁבַּבַּיִת מִבַּחוּץ׃
Mishná 2A soltura da ave viva e a primeira tosquia do metzorá
Trata da direção em que se solta a ave viva, proibida em direção ao mar, à cidade ou ao deserto; da primeira tosquia completa do metzorá; e do seu novo estatuto de pureza, ainda contaminante como o sherets, e proibido nas relações conjugais por sete dias

Ao vir soltar a ave viva, não vira o rosto nem para o mar, nem para a cidade, nem para o deserto, pois está dito: "e soltará a ave viva para fora da cidade, sobre a face do campo" (Vayikrá 14:53). Ao vir tosquiar o metzorá, passava a navalha sobre toda a sua carne, e ele lavava as suas roupas e mergulhava — puro quanto a não contaminar por entrada, mas ainda contamina como o sherets. Entra para dentro do muro (de Jerusalém), mas fica excluído de sua casa por sete dias, e está proibido no uso do leito.

A soltura da ave viva não pode ser feita na direção do mar, da cidade ou do deserto, para que não pareça um ato de descarte disfarçado, mas sim uma soltura franca, em direção ao campo aberto, conforme o versículo citado. Em seguida, o sacerdote passa a navalha sobre toda a pele do metzorá — a tosquia total, que exclui apenas o pelo oculto (bet hasetarim), aprendido por analogia verbal (guezerá shavá) com a segunda tosquia do sétimo dia. Depois de lavar as roupas e imergir, o metzorá atinge um novo grau de pureza: já não contamina por simples entrada num espaço, como fazia enquanto estava enclausurado (chalut), nem contamina o que está deitado ou sentado sob ele; mas continua a contaminar por contato, como o sherets (réptil impuro), sem contaminar por carregamento. Pode então entrar dentro do muro de Jerusalém, mas permanece afastado de sua própria casa por sete dias — pois "sua tenda", segundo a tradição, refere-se à sua esposa, como em "voltai às vossas tendas" (Devarim 5:27), dito quando se permitiu novamente ao povo o uso do leito após a revelação no Sinai — e está proibido nas relações conjugais durante todo esse período.

בָּא לוֹ לְשַׁלֵּחַ אֶת הַצִּפּוֹר הַחַיָּה, אֵינוֹ הוֹפֵךְ פָּנָיו לֹא לַיָּם וְלֹא לָעִיר וְלֹא לַמִּדְבָּר, שֶׁנֶּאֱמַר (ויקרא יד), וְשִׁלַּח אֶת הַצִּפֹּר הַחַיָּה אֶל מִחוּץ לָעִיר אֶל פְּנֵי הַשָּׂדֶה. בָּא לְגַלֵּחַ אֶת הַמְּצֹרָע, הֶעֱבִיר תַּעַר עַל כָּל בְּשָׂרוֹ, וְכִבֵּס בְּגָדָיו, וְטָבַל, טָהוֹר מִלְּטַמֵּא בְּבִיאָה, וַהֲרֵי הוּא מְטַמֵּא כַשֶּׁרֶץ. נִכְנַס לִפְנִים מִן הַחוֹמָה, מְנֻדֶּה מִבֵּיתוֹ שִׁבְעַת יָמִים, וְאָסוּר בְּתַשְׁמִישׁ הַמִּטָּה׃
Mishná 3A segunda tosquia no sétimo dia e os três graus de pureza do metzorá
Descreve a segunda tosquia do sétimo dia e os três graus progressivos de pureza do metzorá — do segundo dízimo à oferta sacerdotal e às coisas sagradas — comparados aos três graus paralelos da mulher após o parto

No sétimo dia, tosquia uma segunda tosquia como a primeira tosquia; lava as suas roupas e mergulha — puro quanto a não contaminar como o sherets, mas ainda é como um tevul yom (imerso do dia): come do segundo dízimo (maasser). Ao pôr do sol, come da oferta sacerdotal (terumá). Quando trouxer a sua expiação, come das coisas sagradas. Eis que há três graus de pureza no metzorá, e três graus de pureza na parturiente.

A segunda tosquia, realizada no sétimo dia, segue exatamente o mesmo padrão da primeira, conforme o versículo: "e será no sétimo dia, tosquiará todo o seu pelo, a sua cabeça, e a sua barba, e as sobrancelhas dos seus olhos, e todo o seu pelo tosquiará; e lavará as suas roupas, e lavará a sua carne em água, e será puro" (Vayikrá 14:9). Depois de lavar as roupas e imergir, o metzorá deixa de contaminar mesmo como o sherets, mas permanece no estatuto de tevul yom — imerso no dia, mas ainda impuro até o pôr do sol — podendo já comer do segundo dízimo. Ao anoitecer, pode comer da oferta sacerdotal. E somente depois de trazer sua oferenda de expiação, no oitavo dia, pode comer das coisas sagradas. A mishná fecha comparando estes três graus progressivos aos três graus equivalentes da parturiente: sete ou catorze dias de impureza plena, seguidos de trinta e três ou sessenta e seis dias de "sangue de pureza" em que ainda não pode tocar em coisas sagradas, e finalmente a purificação completa, trazida pela oferenda de expiação mencionada no versículo "e o sacerdote expiará por ela, e ela será pura" (Vayikrá 12:8) — sendo este o terceiro grau, que permite comer das coisas sagradas.

בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי מְגַלֵּחַ תִּגְלַחַת שְׁנִיָּה כַּתִּגְלַחַת הָרִאשׁוֹנָה, כִּבֶּס בְּגָדָיו וְטָבַל, טָהוֹר מִלְּטַמֵּא כַשֶּׁרֶץ, וַהֲרֵי הוּא טְבוּל יוֹם, אוֹכֵל בַּמַּעֲשֵׂר. הֶעֱרִיב שִׁמְשׁוֹ, אוֹכֵל בַּתְּרוּמָה. הֵבִיא כַפָּרָתוֹ, אוֹכֵל בַּקָּדָשִׁים. נִמְצְאוּ שָׁלשׁ טְהָרוֹת בַּמְּצֹרָע וְשָׁלשׁ טְהָרוֹת בַּיּוֹלֶדֶת׃
Mishná 4Os três que têm a tosquia como preceito: o nazireu, o metzorá e os levitas
Enumera os três casos em que a própria tosquia constitui um preceito — o nazireu, o metzorá e os levitas — e estabelece que a tosquia só é válida se feita com navalha, sem deixar nenhum pelo remanescente

Três tosquiam, sendo a sua tosquia um preceito: o nazireu, o metzorá, e os levitas. E todos eles que tosquiaram sem navalha, ou que deixaram dois fios de cabelo, não fizeram nada.

Esta breve mishná reúne os três únicos casos na Torá em que o próprio ato de tosquiar o cabelo constitui, em si, um mandamento religioso: o nazireu, ao completar o seu voto; o metzorá, nos dois momentos já descritos nas mishnayot anteriores; e os levitas, cuja tosquia ocorreu uma única vez, no momento em que foram escolhidos para o serviço no deserto (Bemidbar 8:7), e que não se repete nas gerações seguintes. Em todos os três casos, a validade da tosquia depende de dois requisitos: que seja feita com uma navalha (e não com tesoura ou outro instrumento que arranque o pelo sem cortá-lo rente), e que remova a totalidade do pelo, sem deixar sequer dois fios remanescentes. Se qualquer uma dessas condições faltar, considera-se que a tosquia não foi realizada, e o preceito permanece não cumprido.

שְׁלשָׁה מְגַלְּחִין וְתִגְלַחְתָּן מִצְוָה, הַנָּזִיר וְהַמְּצֹרָע וְהַלְוִיִּם. וְכֻלָּן שֶׁגִּלְּחוּ שֶׁלֹּא בְתַעַר אוֹ שֶׁשִּׁיְּרוּ שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת, לֹא עָשׂוּ כְלוּם׃
Mishná 5A mitzvá das duas aves: semelhança, defeitos e substituição do par
Detalha a mitzvá de que as duas aves sejam semelhantes em aparência, estatura e preço, e as regras de reposição quando uma delas se revela imprópria, ou quando o sangue e a ave viva se perdem em ordem inversa

A mitzvá das duas aves é que sejam iguais em aparência, em estatura e em preço, e que a sua aquisição seja feita de uma só vez; mas ainda que não sejam iguais, são válidas. Se comprou uma hoje e outra amanhã, são válidas. Se abateu uma delas e se descobriu que não era livre, tome um par para a segunda — a primeira é permitida para comer. Se a abateu e se descobriu que era tereifá, tome um par para a segunda — a primeira é permitida para proveito. Se o sangue foi derramado, que morra a que seria enviada. Se morreu a que seria enviada, que se derrame o sangue.

A Torá exige apenas "duas aves" no mínimo, mas a repetição da expressão "a ave, uma" e "a ave viva" (Vayikrá 14:4-5) ensina que, idealmente, as duas devem ser semelhantes em tudo — aparência, estatura e preço — e adquiridas juntas; ainda assim, mesmo sem essa semelhança, ou compradas em dias diferentes, permanecem válidas, pois esta é apenas a forma preferencial do preceito, e não uma condição indispensável. Se, ao abater a primeira ave (destinada ao sangue), descobre-se que na verdade não era uma ave livre (dror) apta ao preceito, deve-se adquirir um novo par para a segunda ave (a que seria solta), e a primeira, já abatida, pode ser comida normalmente, sem qualquer restrição. Se, porém, descobre-se que a ave abatida era tereifá — imprópria por um defeito que a tornaria fisicamente inviável — também se adquire um novo par, mas a primeira só é permitida para proveito, não para consumo, pois o versículo exige que sejam "vivas" no sentido pleno, excluindo a tereifá. Por fim, a mishná trata da ordem entre a morte de cada ave: se o sangue da primeira já foi derramado (tornando-o inutilizável) antes que a segunda fosse solta, esta última deve ser deixada para morrer por si mesma, sem proveito algum; e, inversamente, se a ave que seria solta morreu antes da aspersão do sangue, este deve ser derramado, pois o ritual não pode mais ser completado com apenas uma das duas aves.

שְׁתֵּי צִפֳּרִים מִצְוָתָן שֶׁיְּהוּ שָׁווֹת בַּמַּרְאֶה וּבַקּוֹמָה וּבַדָּמִים, וּלְקִיחָתָן כְּאֶחָת. אַף עַל פִּי שֶׁאֵינָם שָׁווֹת, כְּשֵׁרוֹת. לָקַח אַחַת הַיּוֹם וְאַחַת לְמָחָר, כְּשֵׁרוֹת. שָׁחַט אַחַת מֵהֶן וְנִמְצֵאת שֶׁלֹּא דְרוֹר, יִקַּח זוּג לַשְּׁנִיָּה. הָרִאשׁוֹנָה מֻתֶּרֶת בַּאֲכִילָה. שְׁחָטָהּ וְנִמְצֵאת טְרֵפָה, יִקַּח זוּג לַשְּׁנִיָּה. הָרִאשׁוֹנָה מֻתֶּרֶת בַּהֲנָאָה. נִשְׁפַּךְ הַדָּם, תָּמוּת הַמִּשְׁתַּלַּחַת. מֵתָה הַמִּשְׁתַּלַּחַת, יִשָּׁפֵךְ הַדָּם׃
Mishná 6A mitzvá do cedro e do hissopo: medidas exatas e as variedades excluídas
Fixa a medida exata da madeira de cedro — um côvado de comprimento e um quarto da espessura da perna da cama — e exclui do preceito do hissopo toda variedade que carregue um nome composto

A mitzvá da madeira de cedro é que tenha um côvado de comprimento, e a sua espessura seja como um quarto da perna da cama — um dividido em dois, e os dois em quatro. A mitzvá do hissopo é que não seja hissopo grego, nem hissopo azulado, nem hissopo romano, nem hissopo silvestre, e nenhum hissopo que tenha um nome agregado.

A espessura exigida da madeira de cedro é obtida por um procedimento de divisão: toma-se a perna de uma cama comum, divide-se ao meio, e cada metade novamente ao meio, obtendo quatro partes iguais — a espessura de uma dessas quatro partes é a medida exigida, nem mais fina nem mais grossa. Quanto ao hissopo, a Torá exige a planta chamada simplesmente "ezov", sem qualificativo algum; por isso a mishná exclui expressamente toda variedade que carregue um "nome agregado" (shem levai) — um nome composto que a vincule a um lugar ou característica específica, como o hissopo grego, o hissopo azulado (koch'ali) e o hissopo romano, entre outros. Somente o hissopo puro e sem qualificativo, conhecido e usado no dia a dia das pessoas, é apto para o preceito.

מִצְוַת עֵץ אֶרֶז, אָרְכּוֹ אַמָּה וְעָבְיוֹ כִרְבִיעַ כֶּרַע הַמִּטָּה. אֶחָד לִשְׁנַיִם, וּשְׁנַיִם לְאַרְבָּעָה. מִצְוַת אֵזוֹב, לֹא אֵזוֹב יָוָן, לֹא אֵזוֹב כּוֹחֲלִי, לֹא אֵזוֹב רוֹמִי, לֹא אֵזוֹב מִדְבָּרִית, וְלֹא כָל אֵזוֹב שֶׁיֶּשׁ לוֹ שֵׁם לְוָי׃
Mishná 7As oferendas do oitavo dia: os três animais, e a oferenda reduzida do pobre
Enumera as três oferendas do oitavo dia — a oferenda de expiação, a de culpa e a de subida — e a redução à oferenda de aves para o metzorá pobre

No oitavo dia, trazia três animais: uma oferenda de expiação, uma oferenda de culpa e uma oferenda de subida. E o pobre trazia uma oferenda de expiação de ave e uma oferenda de subida de ave.

Concluídos os sete dias de contagem e a segunda tosquia, o metzorá traz, no oitavo dia, as três oferendas prescritas pela Torá: um cordeiro para a oferenda de culpa (asham), um cordeiro para a oferenda de expiação (chatat), e um cordeiro para a oferenda de subida (olá), conforme Vayikrá 14:10. Para aquele que não tem posses suficientes, a Torá permite substituir a oferenda de expiação e a oferenda de subida por duas aves (rolinhas ou pombinhos), mantendo, porém, a oferenda de culpa como um cordeiro em ambos os casos, já que ela é comum tanto ao rico quanto ao pobre, como se verá adiante. Se o metzorá havia tosquiado no sétimo dia, traz as suas oferendas já no oitavo; mas se atrasou a tosquia para o oitavo dia, deve esperar até o pôr do sol e trazer as oferendas apenas no nono, pois é necessário que passe uma noite entre a tosquia e a apresentação das oferendas.

בַּיּוֹם הַשְּׁמִינִי מֵבִיא שָׁלשׁ בְּהֵמוֹת, חַטָּאת וְאָשָׁם וְעוֹלָה. וְהַדַּל הָיָה מֵבִיא חַטַּאת הָעוֹף וְעוֹלַת הָעוֹף׃
Mishná 8O sacrifício da oferenda de culpa e a aproximação do metzorá ao Portão de Nicanor
Descreve o abate da oferenda de culpa, a divisão do sangue recolhido no vaso e na mão entre dois sacerdotes, e a chegada do metzorá, já imerso, ao Portão de Nicanor

Vinha até à oferenda de culpa, apoiava as duas mãos sobre ela e a abatia; e dois sacerdotes recebiam o seu sangue, um num vaso e outro na mão. Aquele que recebeu no vaso, vinha e o lançava sobre a parede do altar. E aquele que recebeu na mão, vinha até ao metzorá. E o metzorá havia mergulhado na câmara dos metzoraim. Vinha e ficava de pé no Portão de Nicanor. Rabi Yehudá diz: não precisava de imersão.

Antes da imposição das mãos, a oferenda de culpa do metzorá precisa ainda ser agitada (tenufá) enquanto viva, sendo esta a única oferenda de culpa sujeita a tal exigência. Depois de apoiadas as duas mãos e realizado o abate, o sangue é recolhido simultaneamente por dois sacerdotes: um recolhe num vaso próprio para uso ritual, e o outro recolhe diretamente na palma da mão — pois o versículo diz "e tomará o sacerdote... e porá sobre o lóbulo da orelha do que se purifica" (Vayikrá 14:14), ensinando que, assim como a aplicação deve ser feita pela pessoa do próprio sacerdote, também a recepção do sangue deve ser feita pela pessoa do próprio sacerdote, sem intermediário de um vaso. O sangue recolhido no vaso é lançado sobre a parede do altar, como qualquer outra oferenda de culpa; o sangue recolhido na mão é reservado para as aplicações sobre o corpo do metzorá, descritas na mishná seguinte. Enquanto isso, o metzorá já havia imergido na câmara dos metzoraim, no Templo, e vem posicionar-se junto ao Portão de Nicanor — situado entre o pátio das mulheres e o pátio de Israel — pois, sendo ainda mechusar kippurim (alguém a quem falta a expiação final), não pode entrar no pátio de Israel, e o sangue da oferenda de culpa não pode sair do pátio; por isso, o metzorá permanece do lado de fora, introduzindo apenas as partes do corpo necessárias. Rabi Yehudá discorda quanto à necessidade dessa imersão, sustentando que a imersão da véspera do sétimo dia já bastaria; mas os sábios exigem uma nova imersão por dúvida, receando que o metzorá se tenha contaminado no intervalo, e a lei segue os sábios.

בָּא לוֹ אֵצֶל הָאָשָׁם, וְסָמַךְ שְׁתֵּי יָדָיו עָלָיו, וּשְׁחָטוֹ, וְקִבְּלוּ שְׁנֵי כֹהֲנִים אֶת דָּמוֹ, אֶחָד בִּכְלִי, וְאֶחָד בַּיָּד. זֶה שֶׁקִּבֵּל בַּכְּלִי, בָּא וּזְרָקוֹ עַל קִיר הַמִּזְבֵּחַ. וְזֶה שֶׁקִּבֵּל בַּיָּד, בָּא לוֹ אֵצֶל הַמְּצֹרָע. וְהַמְּצֹרָע טָבַל בְּלִשְׁכַּת הַמְּצֹרָעִים. בָּא וְעָמַד בְּשַׁעַר נִקָּנוֹר. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, לֹא הָיָה צָרִיךְ טְבִילָה׃
Mishná 9As aplicações do sangue na orelha, na mão e no pé do metzorá
Detalha a sequência de aplicações do sangue sobre o lóbulo da orelha, o polegar da mão e o dedão do pé do metzorá através do Portão de Nicanor, e as disputas sobre a falta desses membros ou a aplicação do lado esquerdo

Introduzia a sua cabeça, e (o sacerdote) aplicava (o sangue) sobre o lóbulo médio da sua orelha; (introduzia) a sua mão, e aplicava sobre o polegar da sua mão; (introduzia) o seu pé, e aplicava sobre o dedão do seu pé. Rabi Yehudá diz: introduzia os três de uma só vez. Aquele que não tem polegar na mão, dedão no pé, ou orelha direita, nunca tem purificação. Rabi Eliezer diz: aplica-se no lugar deles. Rabi Shimon diz: se aplicou no lado esquerdo, cumpriu.

Como visto na mishná anterior, sendo o metzorá ainda mechusar kippurim, não pode entrar no pátio de Israel, onde se encontra o sacerdote com o sangue; por isso, permanece junto ao Portão de Nicanor e introduz, sucessivamente, apenas as partes do corpo necessárias: primeiro a cabeça, para receber o sangue no lóbulo médio da orelha direita; depois a mão, para recebê-lo no polegar; e por fim o pé, para recebê-lo no dedão. Rabi Yehudá discorda dessa sequência, sustentando que os três membros eram introduzidos simultaneamente. Como o versículo exige explicitamente esses três pontos exatos do corpo, a mishná estabelece que aquele que nasceu, ou ficou, sem polegar na mão direita, sem dedão no pé direito, ou sem orelha direita, jamais poderá completar sua purificação — e isto se refere especificamente a quem perdeu o membro depois de já estar obrigado à purificação. Rabi Eliezer discorda, sustentando que, na falta do membro específico, o sangue é aplicado no lugar onde ele estaria; e Rabi Shimon acrescenta que, mesmo tendo os membros direitos intactos, se por engano a aplicação foi feita do lado esquerdo, o preceito ainda assim se cumpre. A lei não segue nenhuma dessas três opiniões dissidentes, mas a orientação inicial da mishná.

הִכְנִיס רֹאשׁוֹ, וְנָתַן עַל תְּנוּךְ אָזְנוֹ. יָדוֹ, וְנָתַן עַל בֹּהֶן יָדוֹ. רַגְלוֹ, וְנָתַן עַל בֹּהֶן רַגְלוֹ. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, שְׁלָשְׁתָּם הָיָה מַכְנִיס כְּאֶחָד. אֵין לוֹ בֹּהֶן יָד, בֹּהֶן רֶגֶל, אֹזֶן יְמָנִית, אֵין לוֹ טָהֳרָה עוֹלָמִית. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, נוֹתֵן הוּא עַל מְקוֹמָן. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, אִם נָתַן עַל שֶׁל שְׂמֹאל, יָצָא׃
Mishná 10A unção com o azeite: as sete aspersões e o restante sobre a cabeça do metzorá
Descreve a segunda etapa do ritual, com o log de azeite: as sete aspersões em direção ao Santo dos Santos, a aplicação sobre os mesmos lugares do sangue, e a disputa sobre o efeito do restante colocado sobre a cabeça do metzorá

(O sacerdote) tomava do log de azeite e vertia na palma de um colega — e se verteu na própria palma, cumpriu. Mergulhava e aspergia sete vezes na direção da Casa do Santo dos Santos, mergulhando (o dedo) a cada aspersão. Vinha até ao metzorá; no lugar onde aplicava o sangue, ali aplicava o azeite, pois está dito: "sobre o lugar do sangue da oferenda de culpa. E o que sobrar do azeite que está na palma do sacerdote, ele porá sobre a cabeça do que se purifica, para o expiar" (Vayikrá 14:28-29). Se aplicou, expiou; e se não aplicou, não expiou — palavras de Rabi Akiva. Rabi Yochanan ben Nuri diz: são restos da mitzvá; quer tenha aplicado, quer não tenha aplicado, expiou — mas se considera contra ele como se não tivesse expiado. Se faltou do log antes de verter, que o complete; depois de verter, traga outro desde o início — palavras de Rabi Akiva. Rabi Shimon diz: se faltou do log antes de aplicar, que o complete; depois de aplicar, traga outro desde o início.

Após as aplicações de sangue descritas na mishná anterior, tem início a segunda parte do ritual, feita com um log inteiro de azeite, previamente trazido junto com a oferenda de culpa e mantido pronto no lugar do abate, ao norte do altar. O sacerdote que fará as aspersões verte o azeite na palma de outro sacerdote — pois o versículo diz "e verterá sobre a palma do sacerdote" (Vayikrá 14:15), sugerindo que o sacerdote que faz as aspersões o receba da palma de outro; mas, se ele mesmo verteu em sua própria palma, o preceito também se cumpre. Em seguida, molha o dedo no azeite e o asperge sete vezes na direção do Santo dos Santos — não que o azeite fosse levado ao próprio santuário, mas que o sacerdote, de pé no pátio, virava o rosto naquela direção e aspergia sobre o chão do pátio — molhando o dedo novamente a cada uma das sete aspersões, sem aproveitar uma única imersão do dedo para mais de uma aspersão. Depois, aplica o azeite exatamente nos mesmos três pontos do corpo do metzorá onde antes aplicara o sangue, conforme o versículo citado. Por fim, o restante do azeite na palma é derramado sobre a cabeça do metzorá. Surge então a disputa central da mishná: Rabi Akiva entende que essa aplicação final sobre a cabeça é indispensável para a expiação completa — sem ela, o metzorá não está expiado; Rabi Yochanan ben Nuri, por sua vez, entende que se trata apenas de um resto secundário do preceito, e que a expiação já se completa com as aplicações anteriores, ainda que, do ponto de vista Celestial, seja considerado como se o preceito não tivesse sido cumprido em sua forma mais completa. A mishná fecha com uma disputa paralela sobre o momento em que uma eventual falta de quantidade no log de azeite ainda pode ser corrigida por complemento, ou já exige um log inteiramente novo — segundo Rabi Akiva, o marco é o momento de verter na palma; segundo Rabi Shimon, o marco é o momento da aplicação sobre o corpo do metzorá.

נָטַל מִלֹּג הַשֶּׁמֶן וְיָצַק לְתוֹךְ כַּפּוֹ שֶׁל חֲבֵרוֹ. וְאִם יָצַק לְתוֹךְ כַּף עַצְמוֹ, יָצָא. טָבַל וְהִזָּה שֶׁבַע פְּעָמִים כְּנֶגֶד בֵּית קֹדֶשׁ הַקֳּדָשִׁים, עַל כָּל הַזָּיָה טְבִילָה. בָּא לוֹ אֵצֶל הַמְּצֹרָע, מְקוֹם שֶׁהוּא נוֹתֵן אֶת הַדָּם, שָׁם הוּא נוֹתֵן אֶת הַשֶּׁמֶן, שֶׁנֶּאֱמַר (ויקרא יד), עַל מְקוֹם דַּם הָאָשָׁם. וְהַנּוֹתָר מִן הַשֶּׁמֶן אֲשֶׁר עַל כַּף הַכֹּהֵן יִתֵּן עַל רֹאשׁ הַמִּטַּהֵר לְכַפֵּר. אִם נָתַן, כִּפֵּר. וְאִם לֹא נָתַן, לֹא כִפֵּר, דִּבְרֵי רַבִּי עֲקִיבָא. רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי אוֹמֵר, שְׁיָרֵי מִצְוָה הֵן, בֵּין שֶׁנָּתַן בֵּין שֶׁלֹּא נָתַן, כִּפֵּר, וּמַעֲלִין עָלָיו כְּאִלּוּ לֹא כִפֵּר. חָסַר הַלֹּג עַד שֶׁלֹּא יָצַק, יְמַלְאֶנּוּ. מִשֶּׁיָּצַק, יָבִיא אַחֵר בַּתְּחִלָּה, דִּבְרֵי רַבִּי עֲקִיבָא. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, חָסַר הַלֹּג עַד שֶׁלֹּא נָתַן, יְמַלְאֶנּוּ. מִשֶּׁנָּתַן, יָבִיא אַחֵר בַּתְּחִלָּה׃
Mishná 11Quando muda a condição econômica do metzorá entre as oferendas: segue a chatat ou o asham?
Registra a disputa entre Rabi Shimon e Rabi Yehudá sobre qual das oferendas — a de expiação ou a de culpa — determina o padrão a seguir quando a condição econômica do metzorá muda no curso do ritual

Se um metzorá trouxe a sua oferenda sendo pobre e enriqueceu, ou sendo rico e empobreceu, tudo segue a oferenda de expiação — palavras de Rabi Shimon. Rabi Yehudá diz: segue a oferenda de culpa.

Como visto na mishná 14:7, a oferenda de expiação e a oferenda de subida diferem entre o rico, que traz animais, e o pobre, que traz aves; já a oferenda de culpa é a mesma para ambos, sempre um cordeiro, sendo a primeira das três oferendas trazidas, e a única exclusivamente dedicada à purificação do metzorá. Quando a condição econômica do metzorá muda entre o momento de trazer uma oferenda e outra, surge a dúvida sobre qual critério deve prevalecer: Rabi Shimon sustenta que tudo segue a condição no momento da oferenda de expiação — se a trouxe como pobre, mesmo tendo enriquecido depois, completa as demais oferendas segundo o padrão do pobre; e se a trouxe como rico, mesmo tendo empobrecido depois, deve completar segundo o padrão do rico. Rabi Yehudá, por sua vez, sustenta que o critério decisivo é a condição no momento da oferenda de culpa, por ser esta comum a ambos e a primeira e mais própria da purificação do metzorá. Ambos derivam sua posição do mesmo versículo, "aquele cuja mão não alcançar em sua purificação" (Vayikrá 14:21) — Rabi Shimon entende que se refere ao que expia, ou seja, a oferenda de expiação; Rabi Yehudá entende que se refere ao que o qualifica e purifica, ou seja, a oferenda de culpa. A lei segue Rabi Yehudá.

מְצֹרָע שֶׁהֵבִיא קָרְבָּנוֹ עָנִי וְהֶעֱשִׁיר, אוֹ עָשִׁיר וְהֶעֱנִי, הַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר חַטָּאת, דִּבְרֵי רַבִּי שִׁמְעוֹן. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אַחַר הָאָשָׁם׃
Mishná 12O sacrifício trazido em nome de filhos, escravos e esposa
Estabelece que o metzorá pobre cumpre seu dever com a oferenda de rico, mas não o inverso, e trata de quem pode trazer a oferenda reduzida em nome de filhos e escravos, e a exceção quanto à esposa

Um metzorá pobre que trouxe a oferenda de um rico, cumpriu; e um rico que trouxe a oferenda de um pobre, não cumpriu. Um homem pode trazer, por seu filho, por sua filha, por seu escravo e por sua escrava, a oferenda de pobre, e assim os deixa comer dos sacrifícios. Rabi Yehudá diz: também por sua esposa deve trazer a oferenda de rico, e o mesmo vale para qualquer oferenda a que ela esteja obrigada.

Como a oferenda do rico — animais — é, por natureza, mais completa e valiosa do que a oferenda do pobre — aves —, o metzorá pobre que, mesmo sem obrigação, opta por trazer a oferenda plena do rico cumpre seu dever perfeitamente, e recebe até uma bênção por seu gesto; mas o inverso não é verdadeiro: o metzorá rico não pode reduzir sua obrigação trazendo apenas a oferenda simplificada do pobre, pois esta foi permitida pela Torá exclusivamente por consideração à real limitação financeira de quem não tem posses. Quanto aos dependentes: um homem, mesmo sendo rico, pode trazer a oferenda reduzida do pobre em nome de seu filho, sua filha, seu escravo ou sua escrava, caso estes sejam pessoalmente pobres — pois a oferenda segue a condição de quem está sendo purificado, e não a de quem a financia; e esta oferenda, ainda que trazida por outra pessoa, é suficiente para permitir que os próprios dependentes comam dos sacrifícios sagrados. A esposa, porém, constitui exceção segundo Rabi Yehudá: por ser considerada "como o próprio corpo" do marido, este não pode trazer por ela a oferenda reduzida caso ele mesmo seja rico — e o mesmo princípio se estende a qualquer outra oferenda à qual ela esteja obrigada, como as de zavá ou de parturiente. A lei segue Rabi Yehudá.

מְצֹרָע עָנִי שֶׁהֵבִיא קָרְבַּן עָשִׁיר, יָצָא. וְעָשִׁיר שֶׁהֵבִיא קָרְבַּן עָנִי, לֹא יָצָא. מֵבִיא אָדָם עַל יְדֵי בְנוֹ, עַל יְדֵי בִתּוֹ, עַל יְדֵי עַבְדּוֹ וְשִׁפְחָתוֹ קָרְבַּן עָנִי, וּמַאֲכִילָן בַּזְּבָחִים. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אַף עַל יְדֵי אִשְׁתּוֹ מֵבִיא קָרְבַּן עָשִׁיר, וְכֵן כָּל קָרְבָּן שֶׁהִיא חַיָּבֶת׃
Mishná 13A pergunta dos habitantes de Alexandria a Rabi Yehoshua sobre as oferendas confundidas
Fecha Massechet Negaim com a célebre pergunta dos habitantes de Alexandria a Rabi Yehoshua sobre dois metzoraim cujas oferendas se confundiram após a morte de um deles, e a solução de transferir os próprios bens a outrem

Se de dois metzoraim se confundiram as suas oferendas, e foi oferecida a oferenda de um deles, e um deles morreu — esta é a pergunta que os habitantes de Alexandria fizeram a Rabi Yehoshua. Ele lhes respondeu: que escreva os seus bens em nome de outro, e traga a oferenda de pobre.

Esta última mishná do tratado apresenta um caso-limite trazido pelos sábios de Alexandria a Rabi Yehoshua: dois metzoraim trouxeram, cada um, suas próprias oferendas de expiação, mas estas se confundiram entre si, de modo que já não se sabia qual pertencia a qual; uma delas foi oferecida sobre o altar, e, logo depois, um dos dois metzoraim morreu. O metzorá sobrevivente encontra-se então numa dupla impossibilidade: não pode oferecer a oferenda restante, pois talvez pertença ao falecido, e uma oferenda de expiação cujo dono morreu deve ser deixada para morrer, nunca oferecida; e não pode trazer uma oferenda inteiramente nova em seu lugar, pois talvez a oferenda restante seja, na verdade, a sua, e trazer outra constituiria introduzir um animal não sagrado no pátio do Templo — e tampouco pode condicionar a nova oferenda como doação voluntária, pois uma oferenda de expiação nunca pode ser trazida como doação voluntária. A solução de Rabi Yehoshua resolve o impasse por um caminho indireto: que o metzorá sobrevivente transfira formalmente todos os seus bens a outra pessoa, tornando-se assim legalmente pobre, e traga então a oferenda de expiação de ave prevista para o pobre — pois esta oferenda, ao contrário da de animal, pode ser trazida mesmo em caso de dúvida, sem constituir problema de se introduzir algo não sagrado no pátio; e, uma vez pobre, mesmo que a oferenda anterior fosse de fato a sua, ele já não estaria obrigado a mais do que a oferenda de pobre. Diante da agudeza da pergunta, Rabi Yehoshua respondeu-lhes que, com aquela pergunta, haviam perguntado algo de sabedoria.

שְׁנֵי מְצֹרָעִים שֶׁנִּתְעָרְבוּ קָרְבְּנוֹתֵיהֶם, קָרַב קָרְבָּנוֹ שֶׁל אַחַד מֵהֶם, וּמֵת אַחַד מֵהֶם, זוֹ שֶׁשָּׁאֲלוּ אַנְשֵׁי אֲלֶכְּסַנְדְּרִיָּא אֶת רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ. אָמַר לָהֶם, יִכְתֹּב נְכָסָיו לְאַחֵר וְיָבִיא קָרְבַּן עָנִי׃