Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
As aparências das pragas são duas, que são quatro: a baheret (mancha) é intensa como a neve; secundária a ela é como a cal do Templo. E a se’et (elevação) é como a membrana do ovo; secundária a ela é como a lã branca — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: a se’et é como a lã branca; secundária a ela é como a membrana do ovo.
A mishná abre o tratado definindo o objeto de todo o seu estudo: as quatro tonalidades de branco que constituem sinal de tzaraat na pele. A Torá menciona explicitamente apenas duas — a baheret e a se’et — mas cada uma delas possui uma tonalidade secundária, mais fraca, incluída pela mishná seguinte a partir da palavra sapachat (erupção agregada). A controvérsia entre Rabi Meir e os sábios não é sobre a existência das quatro tonalidades, mas sobre sua ordem de intensidade: para Rabi Meir, a se’et mais fraca (membrana do ovo) é mais branca que sua secundária (lã); para os sábios, a se’et forte é como a lã, e sua secundária, mais fraca, é como a membrana do ovo.
A mescla (patuch) que há na neve é como vinho misturado em neve; a mescla que há na cal é como sangue misturado em leite — palavras de Rabi Ishmael. Rabi Akiva diz: o avermelhado que há nesta e nesta é como vinho misturado em água, exceto que a [mescla] da neve é intensa, e a da cal é mais fraca do que ela.
A mishná anterior descreveu as quatro tonalidades de branco puro; esta acrescenta que cada uma delas também pode aparecer “misturada” (patuch) com um matiz de vermelho, e ainda assim constituir sinal de tzaraat — como se depreende da própria Torá, que fala de “baheret branca avermelhada” (Vayikrá 13:19). Rabi Ishmael compara as duas mesclas principais a duas bebidas diferentes: vinho em neve (mais branco, pouco vermelho) e sangue em leite (mais vermelho). Rabi Akiva discorda desta distinção de substância e compara ambas a vinho em água, diferindo apenas no grau de intensidade da brancura de fundo.
Estas quatro aparências se combinam umas com as outras para isentar, para certificar impuro, e para enclausurar. Para enclausurar: aquele que permanece [em sua cor] ao fim da primeira semana. Para isentar: aquele que permanece ao fim da segunda semana. Para certificar impuro: aquele a quem nasceu carne viva ou pêlo branco — no início, ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, ou depois da isenção. Para certificar impuro: aquele a quem nasceu propagação — ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, ou depois da isenção. Para certificar impuro: aquele que se tornou todo branco depois da isenção. Para isentar: aquele que se tornou todo branco depois da certificação de impureza ou depois da clausura. Estas são as aparências das pragas, das quais dependem todas as pragas.
Depois de estabelecer as quatro tonalidades (mishná 1) e suas mesclas (mishná 2), a mishná agora explica por que a distinção entre elas é irrelevante para a maioria dos julgamentos práticos: as quatro se combinam como se fossem uma única aparência para os três veredictos possíveis do sacerdote — isentar (declarar puro), certificar impuro definitivamente, ou enclausurar por sete dias para nova observação. A mishná lista, em sequência, os gatilhos técnicos de cada veredito, que serão desenvolvidos em detalhe nos capítulos seguintes do tratado.
Rabi Chanina, vice-chefe dos sacerdotes, diz: as aparências das pragas são dezesseis. Rabi Dossa ben Harkinas diz: as aparências das pragas são trinta e seis. Akavia ben Mahalalel diz: setenta e duas. Rabi Chanina, vice-chefe dos sacerdotes, diz: não se examinam as pragas pela primeira vez depois do Shabat, pois sua semana cairia no Shabat; nem na segunda-feira, pois sua segunda semana cairia no Shabat; nem na terça-feira, no caso de casas, pois sua terceira semana cairia no Shabat. Rabi Akiva diz: examina-se sempre; se [o dia do exame] cair dentro do Shabat, adia-se para depois do Shabat. E há nisto tanto para levar à leniência quanto para levar ao rigor.
A mishná estende agora a contagem para além da pele nua, somando as aparências de furúnculo e queimadura (shechin e michvá), de calvície na frente e atrás da cabeça (karachat e gabachat), de tinha na cabeça e na barba (netakim), e as duas cores — esverdeada e avermelhada — das pragas de roupas e de casas, cada categoria com suas próprias variantes lisa e mesclada. As três opiniões diferem no critério de contagem: dezesseis conta cada categoria uma vez; trinta e seis distingue cada uma das oito categorias em suas quatro tonalidades; setenta e duas duplica ainda essa contagem para distinguir a aparência no início do exame da aparência ao fim da semana de clausura. A segunda parte da mishná trata de uma questão prática distinta: como o sétimo dia da semana de observação não pode cair em Shabat (pois pareceria um julgamento realizado em Shabat), Rabi Chanina probe começar a contagem em dias que levariam a esse resultado, enquanto Rabi Akiva permite sempre começar, adiando o exame para depois do Shabat quando necessário.
Como leva à leniência? Se havia nele pêlo branco e o pêlo branco desapareceu; se eram [dois pêlos] brancos e escureceram; um branco e um preto, e ambos escureceram; se eram longos e encurtaram; um longo e um curto, e ambos encurtaram; se a chaga (shechin) se aproximou de ambos ou de um deles; se a chaga cercou ambos ou um deles; ou se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada (bohak) os separou; se havia nela carne viva e a carne viva desapareceu; se era quadrada e se tornou redonda ou alongada; se era cercada e passou a ficar de lado; se era reunida e se dispersou, e veio a chaga e entrou nela; se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada a cercou, a dividiu ou a diminuiu; se havia nela propagação e a propagação desapareceu; ou se a mancha original (om) desapareceu ou diminuiu, e não há nem numa nem noutra o tamanho de um grão; se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada se interpôs entre a mancha original e a propagação — eis que estes levam à leniência.
Esta mishná desenvolve o caso mencionado na mishná 4: como o exame de uma praga deve, por vezes, ser adiado por causa do Shabat, pode ocorrer que, entre a última observação de sexta-feira e a próxima observação no domingo, algum dos sinais de impureza (pêlo branco, carne viva ou propagação) tenha desaparecido ou se enfraquecido. A mishná enumera, caso por caso, todas as mudanças que — tendo ocorrido nesse intervalo forçado pelo Shabat — favorecem o portador da praga, tornando-o puro onde, sem o adiamento, seria declarado impuro. A mishná seguinte espelhará exatamente esta lista, mas na direção oposta, do rigor.
Como leva ao rigor? Se não havia nele pêlo branco e nasceu pêlo branco; se eram pretos e embranqueceram; um preto e um branco, e ambos embranqueceram; se eram curtos e alongaram; um curto e um longo, e ambos alongaram; se a chaga se aproximou de ambos ou de um deles, se a chaga cercou ambos ou um deles, ou se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada os dividiu, e depois desapareceram; se não havia nela carne viva e nasceu carne viva; se era redonda ou alongada e se tornou quadrada; se estava de lado e passou a ficar cercada; se era dispersa e se reuniu, e veio a chaga e entrou nela; se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada a cercou, a dividiu ou a diminuiu, e depois desapareceram; se não havia nela propagação e nasceu propagação; se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada se interpôs entre a mancha original e a propagação, e depois desapareceram — eis que estes levam ao rigor.
Esta mishná espelha exatamente a estrutura da anterior, invertendo cada cláusula: onde ali um sinal de impureza desaparecia no intervalo do Shabat (a favor do portador da praga), aqui o mesmo sinal nasce nesse intervalo (contra ele); e onde ali algo se interpunha entre a mancha original e a propagação impedindo a certificação, aqui esse obstáculo desaparece, permitindo-a. Juntas, as mishnayot 5 e 6 ilustram de modo exaustivo o princípio enunciado ao final da mishná 4: a norma de nunca examinar uma praga em Shabat, ainda que protegendo o santo dia do descanso de qualquer aparência de julgamento, tem consequências reais e imprevisíveis para o portador da praga — ora a seu favor, ora contra ele — conforme o acaso da fisiologia da praga durante o dia de espera.