Massechet Maasrot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Disseram um princípio geral sobre os dízimos (maasrot): tudo que é alimento, e é guardado (tem dono que o protege, excluindo o que é hefker, abandonado sem proprietário), e seu crescimento é da terra (excluindo cogumelos e trufas, que não brotam de semente plantada), é obrigado aos dízimos. E ainda disseram outro princípio geral: tudo cujo início é alimento e cujo fim é alimento (como os vegetais, comestíveis desde pequenos), ainda que se o guarde para aumentar seu alimento (deixando-o crescer mais na terra), é obrigado, pequeno ou grande (desde o início de seu crescimento até o fim). Mas tudo cujo início não é alimento (como os frutos de árvore, imprestáveis quando verdes) porém seu fim é alimento, não se obriga até que se torne alimento (isto é, até atingir o grau de maturação em que passa a ser comestível).
A partir de quando as frutas se obrigam aos dízimos? Os figos, desde que começam a amadurecer (bochal, quando iniciam seu processo de maturação e se tornam próprios ao consumo). As uvas e as uvas silvestres (abushim, um tipo inferior de uva), desde que apodrecem (hivíshu, quando amolecem tanto que as sementes internas ficam visíveis por fora). O sumagre e as amoras, desde que avermelham; e todos os frutos vermelhos, desde que avermelham (referindo-se a todo fruto cuja natureza é tornar-se vermelho quando maduro). As romãs, desde que derretem (quando a polpa amolece o suficiente para que, ao apertar entre os dedos, escorra líquido). As tâmaras, desde que fermentam (quando a casca se racha como pão fermentado). Os pêssegos, desde que criam veias (veias avermelhadas visíveis sob a casca). As nozes, desde que fazem celeiro (quando o miolo se separa da casca externa, como se estivesse guardado em um celeiro). Rabi Yehudá diz: as nozes e as amêndoas, desde que fazem casca (referindo-se à casca interna, que só se forma ao final da maturação completa — opinião minoritária que a halachá não segue).
As alfarrobas, desde que criam pintas (pequenas manchas escuras que começam a surgir na casca). E todos os frutos escuros, desde que criam pintas (o mesmo sinal se aplica a qualquer fruto cuja natureza é escurecer quando maduro). As peras, os pêros, os marmelos e as nêsperas, desde que ficam lisos (quando a fina penugem que os cobre quando verdes começa a cair, revelando manchas claras). E todos os frutos claros, desde que ficam lisos (o mesmo sinal se aplica a qualquer fruto cuja natureza é clarear quando maduro). O feno-grego (tiltan), desde que germina (isto é, desde que sua semente amadureceu o bastante para que, se plantada, brotaria). O grão e as azeitonas, desde que trazem um terço (isto é, desde que atingem um terço de seu tamanho e conteúdo final de crescimento).
E quanto aos vegetais (retomando o primeiro princípio geral de 1:1): os pepinos, as abóboras, as melancias, os melões (pepinos-melão), as maçãs e os etrogs (embora o etrog seja fruto de árvore, seu caso se assemelha ao dos vegetais), se obrigam pequenos e grandes (pois desde o início são comestíveis, ainda que se deixe que cresçam mais). Rabi Shimon isenta os etrogs pequenos (por considerar que, ao contrário dos demais itens desta lista, o etrog verde e pequeno não é realmente próprio para consumo — opinião individual que a halachá não segue). Aquele que se obriga nas amêndoas amargas, se isenta nas doces; e aquele que se obriga nas doces, se isenta nas amargas (pois a amêndoa amarga é comestível quando verde e imprópria quando madura, ao passo que a amêndoa doce é o oposto — imprópria quando verde e comestível quando madura; assim, cada uma se obriga em seu próprio estágio de maturação).
Qual é o granário para os dízimos? (isto é, o ponto equivalente, para cada produto, ao momento em que o grão na eira se torna proibido ao consumo casual). Os pepinos e as abóboras, desde que se remove a penugem (a fina camada de pelos que os cobre quando ainda jovens). E se não remove a penugem, desde que se faz um monte (empilhando-os juntos, sinal de que o processo de colheita terminou). A melancia, desde que se lava (removendo a sujeira que a cobre). E se não a lava, até que se faça o "muktzê" (alinhando-as lado a lado no local designado, já que melancias não se empilham). O vegetal amarrado, desde que se amarra (em molhos, como costuma ser vendido). Se não amarra, até que se encha o utensílio (o cesto ou recipiente que pretende usar). E se não enche o utensílio, até que colha tudo o que deseja colher. O cesto, até que se cubra (com folhas ou ramos, como é costume ao final da colheita). Se não vai cobri-lo, até que se encha o utensílio. E se não enche o utensílio, até que colha tudo o que deseja colher. Quando se aplica isso? Quando se leva ao mercado (para vender). Mas quando se leva para sua própria casa, come-se dele casualmente até que chegue à sua casa (pois, sendo a intenção do dono determinante, e não havendo ainda decisão final sobre venda, permite-se o consumo casual até a entrada efetiva em casa).
As sementes de romã secas (pérad, separadas da romã e postas a secar ao sol), as passas e as alfarrobas, desde que se faz um monte. As cebolas, desde que se remove a casca (as folhas e películas externas, que costumeiramente se descartam). E se não remove a casca, desde que se faz um monte. O grão, desde que se alisa a pilha (memarêach — alisando e nivelando a superfície do monte de grão, sinal de que o processamento terminou). E se não alisa, até que se faça um monte. As leguminosas, desde que se peneira (separando-as da palha e da terra por completo). E se não peneira, até que se alise a pilha. Ainda que se tenha alisado (a pilha, já fixando a obrigação), toma-se das espigas quebradas, das bordas, e do que está misturado dentro da palha, e come-se (pois esses resíduos, ainda não plenamente processados, mantêm-se permitidos ao consumo casual mesmo depois de o monte principal já estar fixado).
O vinho, desde que forma espuma (kipuy — quando as cascas e sementes sobem à superfície durante a fermentação inicial no poço do lagar). Ainda que tenha formado espuma, toma-se da prensa superior e do duto, e bebe-se (pois o vinho que ainda está no lagar superior, ou escorrendo pelo duto até o poço inferior, ainda não completou seu processamento). O azeite, desde que desce ao poço (a cavidade onde se acumula o azeite prensado). Ainda que tenha descido, toma-se da corda e de entre a mó e de entre as tábuas, e coloca-se numa tigela pequena e numa travessa (recipientes usados para servir de imediato), mas não se coloca na panela ou no caldeirão enquanto estão fervendo (pois isso equivaleria a cozinhar o azeite, um processamento que fixaria definitivamente sua obrigação). Rabi Yehudá diz: coloca-se em qualquer coisa, exceto no que contém vinagre ou salmoura (pois estes, sendo condimentos ácidos e fortes, aceleram o processo de "cozimento" mesmo sem fogo direto — opinião individual que a halachá não segue).
O disco (de figo prensado), desde que se alisa (sua superfície, com líquido, sinal do término da fabricação). Alisam-se com figos e uvas ainda obrigados (tevel — pois, uma vez que o suco se perde na operação, não se considera consumo do produto). Rabi Yehudá proíbe (por considerar esses sucos um produto valioso, sujeito à proibição de tevel — opinião individual que a halachá não segue). Aquele que alisa com uvas, não se tornou suscetível (à impureza ritual, pois o suco que escorre não é considerado líquido intencional que prepara o alimento para receber impureza). Rabi Yehudá diz: tornou-se suscetível (pois, para ele, o suco de uva usado para alisar é considerado líquido desejado). Os figos secos (gerogarot), desde que se pisam (compactados dentro do barril). E o celeiro, desde que se arredonda (quando se nivela e alisa a superfície do depósito com as mãos). Se estava pisando no barril e arredondando no celeiro, e o barril se quebrou ou o celeiro se abriu (antes de terminado o processo), não se come deles casualmente (pois já se considera o processamento essencialmente concluído, ainda que a ruptura tenha interrompido a etapa final). Rabi Yosei permite (por considerar que a parte de cima ainda depende da de baixo e vice-versa, e o processamento não estava de fato completo — opinião individual que a halachá não segue).