Massechet Maaser Sheni não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Um vinhedo de quarto ano, marcam-no com torrões de terra (pequenos montículos de terra solta empilhados junto ao vinhedo, sinalizando que seus frutos ainda não estão liberados para consumo comum, exigindo primeiro o resgate), e o de orlá com barro de oleiro (um material diferente e mais resistente do que simples terra, pois o barro cozido não se desfaz com o vento e a chuva — a proibição de orlá é mais severa do que a de neta revai, já que orlá é proibida até para qualquer benefício, e não apenas para consumo direto, exigindo por isso um sinal mais duradouro), e o de sepulturas com cal (um material de cor branca, que se destaca visualmente do solo ao redor e da vegetação, avisando à distância sobre a impureza do lugar), e dissolve-se a cal em água e derrama-se (sobre o local exato da sepultura, para que a marca branca fique clara e não se confunda com pedras naturais). Disse Rabban Shimon ben Gamliel: em que caso se aplica isso? No ano sabático (pois apenas no ano sabático os frutos de todos os campos e vinhedos ficam livres para qualquer pessoa colher, tornando necessário um sinal claro para afastar as pessoas do vinhedo de quarto ano e da orlá, que continuam proibidos mesmo nesse ano; nos demais anos do ciclo, como os campos têm dono e ninguém tem permissão de entrar e colher sem autorização, não há risco relevante de engano, e por isso não é necessário marcar). E os escrupulosos deixavam o dinheiro (reservado de antemão, junto ao vinhedo) e diziam: tudo o que for colhido daqui (por qualquer pessoa que passe, no ano sabático, quando o vinhedo está franqueado a todos) seja resgatado (automaticamente) por este dinheiro (evitando que os frutos sagrados sejam consumidos sem resgate prévio, mesmo por quem os colhe licitamente como propriedade abandonada do ano sabático).
O vinhedo de quarto ano subia a Jerusalém (seus frutos, e não apenas o dinheiro do resgate, deviam ser fisicamente levados à cidade e ali consumidos, dentro de certo raio) a uma distância de um dia de caminho para cada lado (de Jerusalém). E qual é o seu limite? Eilat ao sul, Acrabat ao norte, Lod a oeste, e o Jordão a leste (quatro pontos geográficos que demarcam aproximadamente um dia de viagem a pé em cada direção a partir de Jerusalém, formando o perímetro dentro do qual os frutos de vinhedo de quarto ano tinham de subir fisicamente à cidade). E quando os frutos se multiplicaram (a produção de vinhedos de quarto ano cresceu além do que os mercados de Jerusalém conseguiam absorver e adornar adequadamente), decretaram que se resgatasse junto ao muro (da cidade — isto é, permitiu-se o resgate por dinheiro já nas proximidades de Jerusalém, sem a necessidade de transportar fisicamente os próprios frutos para dentro da cidade, aliviando o volume excessivo que sobrecarregava os mercados). E havia uma condição nisso: que, quando quisessem, voltaria a ser como antes (o decreto de permitir o resgate junto ao muro não era definitivo, mas condicional — reservava-se o direito de os sábios revogá-lo e restaurar a obrigação original de subir os frutos fisicamente, caso a situação de excesso de produção se revertesse). Disse Rabi Yossei: depois da destruição do Templo, essa condição voltou a valer (isto é, a permissão de resgatar junto ao muro deixou de se justificar pela razão original — o excesso de produção —, mas passou a se justificar por uma nova razão: a própria impossibilidade prática de subir os frutos a uma Jerusalém destruída e sob domínio estrangeiro).
O vinhedo de quarto ano: Bet Shammai diz: não tem quinto e não tem biur (a escola de Shammai sustenta que as leis específicas do segundo dízimo — o acréscimo de um quinto do valor ao resgatá-lo para si mesmo, e a obrigação de removê-lo da casa na época do biur — não se estendem ao vinhedo de quarto ano, por mais que a Torá o chame de "kodesh"; para Bet Shammai, essa palavra por si só não basta para importar todas as leis do segundo dízimo). E Bet Hillel diz: tem (a escola de Hillel sustenta o oposto: a mesma palavra "kodesh" que descreve tanto o segundo dízimo quanto o vinhedo de quarto ano é suficiente, por meio de uma comparação verbal (gzerá shavá), para estender todas as leis do segundo dízimo — incluindo quinto e biur — também ao vinhedo de quarto ano). Bet Shammai diz: tem peret e tem olelot, e os pobres podem resgatar para si mesmos (peret são os cachos caídos durante a colheita, e olelot são os cachos pequenos e incompletos — ambos, segundo a Torá, Vaicrá 19:10, devem ser deixados no vinhedo para os pobres; Bet Shammai sustenta que, como o vinhedo de quarto ano continua sendo propriedade comum do dono — mamon baalim — e não "dinheiro do Alto" como o dízimo, essas leis agrícolas comuns continuam se aplicando normalmente, e os pobres que colhem peret e olelot podem resgatar esses cachos para si e consumir o valor em Jerusalém). E Bet Hillel diz: tudo vai para o lagar (a escola de Hillel, consistente com sua posição de que o vinhedo de quarto ano é inteiramente equiparado ao dízimo — portanto "dinheiro do Alto" e não propriedade comum do dono —, sustenta que não há lugar para as leis de peret e olelot: toda a colheita, sem exceção para cachos caídos ou incompletos, é levada ao lagar como uma unidade só, pertencente inteiramente à santidade do dízimo).
Como se resgata a plantação de quarto ano? Coloca-se o cesto (de frutos colhidos) diante de três (pessoas peritas em avaliação, capazes de estimar corretamente o valor comercial dos frutos), e diz-se: quantos cestos alguém gostaria de resgatar para si por uma sela (pergunta-se, hipoteticamente, a quantidade de cestos semelhantes a esse que uma pessoa disposta a comprar pagaria por uma sela), com a condição de que saiam as despesas de sua casa (isto é, a avaliação já deve descontar do valor de mercado bruto dos frutos os custos que o comprador teria de assumir para efetivamente aproveitá-los — como transporte, embalagem, ou processamento; o valor de resgate reflete apenas o valor líquido depois de descontadas essas despesas práticas). E deposita-se o dinheiro (a quantia total correspondente à avaliação combinada), e diz-se: tudo o que for colhido daqui está resgatado sobre este dinheiro, em tantos e tantos cestos por sela (uma vez fixada a proporção de cestos por sela pelos peritos, o dono declara formalmente que toda a colheita futura daquele local — não apenas o que já foi colhido — está automaticamente resgatada sobre o dinheiro já depositado, de acordo com essa proporção, dispensando um novo ato de resgate para cada cesto colhido posteriormente).
E no sétimo ano (ano sabático, quando a terra não é trabalhada e, portanto, não há despesas de cultivo do dono a descontar do valor de mercado), resgata-o pelo seu valor (integral de mercado, sem o desconto de despesas mencionado na mishná anterior, já que tais despesas simplesmente não existiram naquele ano). E se tudo estava abandonado (hefker — o dono declarou sua plantação de quarto ano propriedade de ninguém, como é comum fazer-se com campos e vinhedos no ano sabático), não tem (quem resgata) senão o pagamento da colheita (isto é, quem recolhe os frutos de uma plantação abandonada no ano sabático desconta do valor de resgate apenas o custo do trabalho de colher — já que não houve despesas de cultivo por parte de um dono, pois a propriedade foi abandonada antes mesmo de crescer). Quem resgata sua própria plantação de quarto ano acrescenta seu quinto (a obrigação do acréscimo de um quinto do valor, estabelecida na mishná 3 segundo a posição vencedora de Bet Hillel, aplica-se especificamente a quem resgata sua própria propriedade, e não a terceiros), seja ela própria, seja que lhe foi dada de presente (mesmo que a plantação de quarto ano não tenha sido originalmente cultivada pelo próprio dono, mas recebida como presente de outra pessoa — contanto que a doação tenha ocorrido antes da fruta atingir a época de dizimar, quando ainda era juridicamente transferível —, quem a resgata como seu próprio bem está sujeito ao mesmo acréscimo do quinto, pois a obrigação decorre da relação de propriedade no momento do resgate, não da origem histórica de como essa propriedade foi adquirida).
Na véspera do primeiro dia de festa de Pessach do quarto e do sétimo ano (do ciclo sabático de sete anos — nos anos em que se separa maasar ani, o dízimo do pobre, em vez do segundo dízimo comum), era o biur (a data-limite pela qual todos os presentes agrícolas ainda retidos em casa desde o ano anterior deviam ser definitivamente distribuídos ou eliminados). Como era o biur? Dá-se teruma e teruma do dízimo a seus donos (a teruma comum e a teruma separada do primeiro dízimo pelo levita — teruma do dízimo — são entregues aos cohanim, seus destinatários legítimos), e o primeiro dízimo a seu dono (entregue ao levita), e o dízimo do pobre a seu dono (entregue aos pobres). Mas o segundo dízimo e os bikurim são removidos em qualquer lugar (diferentemente dos presentes anteriores — que têm um destinatário legítimo específico a quem basta entregá-los para cumprir a obrigação —, o segundo dízimo e os primeiros frutos (bikurim) que ainda restam em casa na época do biur não têm mais um destinatário disponível para recebê-los como tal; por isso, se ainda restam, precisam ser eliminados, "removidos do mundo", onde quer que se encontrem). Rabi Shimon diz: os bikurim são como a teruma (Rabi Shimon discorda quanto aos bikurim especificamente: para ele, os bikurim, tal como a teruma, também têm um destinatário legítimo — o cohen — a quem ainda podem ser entregues mesmo depois da época do biur, dispensando sua eliminação). O prato cozido (que contém algum ingrediente do segundo dízimo ou de produto da sétima que ainda não foi removido na época do biur), eis que é como removido (precisamente porque, uma vez cozido e misturado a outros ingredientes, sua identidade individual como produto sagrado do dízimo já não é mais reconhecível, e por isso a halachá o considera, para efeitos práticos do biur, como se já tivesse sido removido, mesmo sem uma ação física adicional).
Quem tinha frutos (do segundo dízimo) nestes tempos (depois da destruição do Templo, quando não há mais possibilidade de subir a Jerusalém e consumi-los lá) e chegou a hora do biur (a véspera do último Pessach do terceiro ou sexto ano do ciclo sabático, quando a lei exige que o segundo dízimo remanescente seja tratado): Bet Shammai diz: é preciso convertê-los em dinheiro (mesmo sem Templo, e mesmo sem poder efetivamente gastar esse dinheiro em Jerusalém no momento, Bet Shammai exige que o dono realize o ato formal de resgate, convertendo os frutos remanescentes em moeda, com base na leitura literal do versículo "converterás em dinheiro"). E Bet Hillel diz: tanto faz que sejam dinheiro, tanto faz que sejam frutos (Bet Hillel discorda: já que, de qualquer forma, tanto o dinheiro quanto os frutos remanescentes precisarão ser guardados indefinidamente — genizá — até que o Templo seja reconstruído e se torne novamente possível consumi-los ou gastá-los em Jerusalém, não há vantagem prática em exigir a conversão formal em dinheiro; ambas as formas permanecem igualmente retidas, sem uso possível no presente).
Disse Rabi Yehudá: no início, enviavam-se mensageiros aos donos de casa nas províncias, dizendo: apressai-vos e preparai vossos frutos antes que chegue a hora do biur (o costume original era alertar previamente os agricultores das regiões mais distantes para que separassem a tempo teruma, dízimos e demais presentes de todos os seus produtos, temendo-se que, se a hora do biur chegasse antes desse preparo, mesmo os frutos ainda não processados ficassem sujeitos à obrigação de remoção), até que veio Rabi Akiva e ensinou que todo fruto que não chegou à época de dizimar (isto é, fruto que ainda não atingiu o estágio de maturação a partir do qual passa a ser tecnicamente obrigado aos dízimos — antes desse estágio, ele simplesmente não é considerado "pronto" para fins de separação de presentes) está isento do biur (o ensinamento de Rabi Akiva esclareceu que a obrigação de biur nunca recaiu sobre frutos ainda imaturos ou fora de sua época de dizimar, eliminando com isso a necessidade da pressa e do aviso urgente que se praticava anteriormente — pois tais frutos, de todo modo, jamais estariam sujeitos ao biur enquanto não chegassem a essa época, independentemente de quando a data do biur efetivamente ocorresse).
Quem tinha frutos distantes de si (na época do biur, impossibilitado de estar fisicamente junto a eles para separar e entregar os presentes da maneira costumeira), precisa chamá-los pelo nome (fazer uma declaração verbal, à distância, atribuindo formalmente porções específicas dos frutos a cada tipo de presente devido, cumprindo assim a obrigação de separação mesmo sem contato físico). Aconteceu com Rabban Gamliel e os sábios, que vinham em um barco (durante uma viagem marítima, distantes de seus respectivos campos e produtos na época do biur). Disse Rabban Gamliel: o dízimo que ainda vou medir (referindo-se ao primeiro dízimo que ele ainda precisava separar de seus produtos, em algum momento futuro, de volta em terra), está dado a Yehoshua (Rabi Yehoshua, um levita, tornando-se assim o destinatário designado por antecipação daquele primeiro dízimo), e seu lugar está arrendado a ele (Rabban Gamliel arrenda formalmente a Rabi Yehoshua o próprio local físico onde os produtos se encontravam, permitindo que o dízimo fosse "adquirido" por Rabi Yehoshua por meio da aquisição do espaço que o contém — um mecanismo jurídico chamado "kinyan agav karka", aquisição de bens móveis por meio do imóvel que os contém). Outro dízimo que ainda vou medir (desta vez referindo-se ao dízimo do pobre, devido naquele ano específico do ciclo sabático), está dado a Akiva ben Yossef (Rabi Akiva, que atuava como administrador responsável pela distribuição de fundos aos pobres), para que os pobres adquiram por meio dele (o próprio Rabi Akiva funcionava como agente intermediário, recebendo formalmente em nome dos pobres o dízimo do pobre), e seu lugar está arrendado a ele (o mesmo mecanismo de arrendamento do espaço físico é aplicado aqui). Disse Rabi Yehoshua: o dízimo que preciso medir (o dízimo do dízimo — teruma do dízimo — que Rabi Yehoshua, como levita que já recebera o primeiro dízimo de Rabban Gamliel, precisava agora separar dele para o cohen), está dado a Elazar ben Azariá (um cohen), e seu lugar está arrendado a ele. E receberam pagamento uns dos outros (cada um dos três sábios pagou aos demais uma taxa simbólica pelo arrendamento do respectivo local, formalizando juridicamente cada uma das três transações de aquisição por meio do imóvel).
Na oração de minchá do último dia de festa (de Pessach do quarto ou sétimo ano do ciclo sabático — não no primeiro dia, mas apenas ao final da festa, dando tempo para que o dono ainda pudesse consumir parte do segundo dízimo remanescente durante os dias intermediários), confessavam-se (recitavam o texto da confissão do dízimo, viduy maasrot, prescrito em Devarim 26:13-15). Como era a confissão? "Removi o sagrado da casa" (Devarim 26) — isto é o segundo dízimo e a plantação de quarto ano (a primeira frase da confissão bíblica refere-se especificamente aos dois presentes chamados "kodesh" — sagrado — ao longo deste tratado: o segundo dízimo e a plantação de quarto ano, cujo tratamento na época do biur, como visto na mishná 6, era justamente a remoção, e não a entrega a um destinatário externo). "Dei-o ao levita" — isto é o dízimo do levita (a segunda frase refere-se ao primeiro dízimo, entregue ao levita, chamado aqui simplesmente "dízimo do levita" para distingui-lo dos demais tipos de dízimo mencionados nas frases seguintes). "E também dei" — isto é teruma e teruma do dízimo (a palavra "também" (וְגַם), segundo a leitura dos sábios, indica um acréscimo além do que já foi mencionado — sinalizando que esta frase se refere a presentes adicionais, entregues além do dízimo do levita já citado: a teruma comum entregue ao cohen, e a teruma do dízimo que o próprio levita, por sua vez, separa de seu dízimo e entrega ao cohen). "Ao converso, ao órfão e à viúva" — isto é o dízimo do pobre (a frase final da citação identifica claramente, por seus destinatários explícitos, o dízimo do pobre — maasar ani —, devido especificamente no terceiro e sexto ano do ciclo sabático, os mesmos anos em que ocorre o biur descrito nesta mishná).
"Conforme todo o mandamento que me ordenaste" (ibid.) (esta frase, segundo os sábios, ensina uma condição sobre a ordem correta de separação dos diferentes tipos de dízimo): eis que, se antecipou o segundo dízimo ao primeiro (separou primeiro o segundo dízimo — a décima parte do que restava depois da teruma — antes de separar o primeiro dízimo, devido ao levita, invertendo a ordem correta prescrita pela Torá, que exige primeiro dízimo antes do segundo), não pode se confessar (a inversão da ordem invalida completamente o cumprimento da mitzvá "conforme todo o mandamento", impedindo a recitação válida da confissão, mesmo que, no final, todos os presentes tenham sido corretamente separados e entregues). "Não transgredi teus mandamentos" (ibid.): não separei de uma espécie sobre outra que não é de sua espécie, nem do colhido sobre o preso à terra, nem do preso à terra sobre o colhido, nem do novo sobre o velho (quatro condições técnicas adicionais sobre a validade da própria separação de teruma e dízimos: não se pode separar teruma ou dízimo de um tipo de produto para cobrir a obrigação de um tipo diferente; não se pode separar de frutos já colhidos para cobrir frutos ainda presos à terra, nem o inverso; e não se pode separar da produção de um ano para cobrir a obrigação da produção do ano anterior ou seguinte — cada uma dessas combinações inválidas, se ocorrida, torna a separação ineficaz e, consequentemente, impede a confissão, que pressupõe que toda a separação foi tecnicamente correta). "E não me esqueci" (ibid.): não me esqueci de te abençoar e de mencionar teu nome sobre ele (a frase final da confissão é entendida como referindo-se à obrigação de recitar as bênçãos apropriadas no momento de separar cada presente agrícola — sobre a teruma, sobre os dízimos, sobre o resgate do segundo dízimo, e sobre a chalá —, todas mencionando explicitamente o Nome do Eterno; deixar de recitar essas bênçãos, mesmo tendo cumprido corretamente a separação em si, também impediria a recitação válida da confissão final).
"Não comi dele em meu luto" (ibid., 14) (referindo-se ao segundo dízimo): eis que, se o comeu em estado de luto agudo (aninut) (o período entre a morte de um parente próximo e seu sepultamento, quando o enlutado, segundo a lei da Torá, está proibido de comer alimentos sagrados como terumá e o segundo dízimo, mesmo sem ter contraído impureza ritual), não pode se confessar. "E não removi dele em impureza" (ibid.): eis que, se o separou em estado de impureza (se, ao retirar o segundo dízimo de sua casa durante o processo de biur, o próprio dono estava ritualmente impuro no momento da separação), não pode se confessar. "E não dei dele a um morto" (ibid.): não comprei dele caixão e mortalhas para um morto (o segundo dízimo, sendo destinado exclusivamente a comer, beber e untar em Jerusalém — como estabelecido já no segundo perek deste tratado —, não pode ser gasto em nenhum uso funerário, mesmo indiretamente, comprando itens que serão usados no sepultamento de alguém), nem o dei a um enlutado em troca de dinheiro comum (mesmo uma transação aparentemente neutra — vender o próprio dízimo, recebendo em troca dinheiro comum, para que um enlutado o consuma — é proibida, pois equivaleria a extrair benefício pessoal e comercial de algo cuja santidade exige consumo específico e não comércio ordinário), e não o comi nem mesmo em Jerusalém antes de separar a teruma do dízimo (mesmo dentro de Jerusalém, onde o consumo do segundo dízimo é normalmente permitido e correto, é proibido consumi-lo antes que a teruma do dízimo — a porção que o levita deve separar de seu próprio primeiro dízimo para o cohen — já tenha sido devidamente retirada; consumir precipitadamente, fora dessa ordem correta, também invalida a confissão).
"Olha desde tua morada sagrada, desde os céus" (ibid., 15): fizemos o que decretaste sobre nós (esta frase, embora não faça parte da citação literal do versículo bíblico, é entendida pela mishná como o pensamento implícito que fundamenta a súplica que se segue: tendo o dono acabado de declarar, nas mishnayot anteriores, o cumprimento minucioso e correto de todas as suas obrigações relativas aos dízimos, ele agora se volta para o Eterno com base nesse cumprimento), faze Tu também o que nos prometeste (a súplica assume abertamente a estrutura de um pedido baseado numa promessa recíproca: já que a parte humana do compromisso — separar corretamente os dízimos — foi cumprida, pede-se agora que a parte divina do compromisso, a bênção prometida, também se cumpra). "Olha desde tua morada sagrada, desde os céus, e abençoa teu povo, Israel" com filhos e filhas (a bênção solicitada abrange, em primeiro lugar, a fertilidade humana — a continuidade do próprio povo de Israel através de seus descendentes). "E a terra que nos deste" com orvalho, e com chuva, e com descendência de gado (em segundo lugar, a bênção solicitada abrange a fertilidade agrícola da própria terra — as condições climáticas necessárias para uma boa colheita, e a multiplicação do gado), e dá sabor aos frutos (uma bênção adicional, específica e sensorial: não apenas que a colheita seja abundante em quantidade, mas que os frutos produzidos tenham qualidade e sabor — encerrando a súplica com um pedido que retoma, de certo modo, o tema central de todo este tratado: os frutos que, quando dizimados e consumidos corretamente, tornam-se ocasião de alegria "diante do Eterno").
Daqui disseram (a partir da expressão "a terra que nos deste", na súplica final da mishná anterior, os sábios derivam a seguinte regra): israelitas e mamzerim confessam-se (mamzerim — descendentes de certas uniões proibidas pela Torá, como entre um homem casado e uma mulher proibida a ele — têm plena porção hereditária na terra de Israel, exatamente como qualquer israelita de nascimento comum; por isso, apesar de sua condição de nascimento restringir seu direito de casamento dentro do povo, isso não afeta sua capacidade de recitar o viduy maasrot, que depende apenas do vínculo com a terra herdada). Mas não conversos, nem escravos libertos, pois não têm porção na terra (conversos que se juntaram ao povo judeu depois da divisão original da terra de Israel entre as tribos, e escravos que foram libertados de sua condição, não possuem uma porção hereditária ancestral na terra — herdada de um antepassado que participou da divisão original sob Josué —, e por isso não podem recitar a frase "a terra que nos deste", que pressupõe justamente essa herança específica). Rabi Meir diz: também não cohanim e levitas, pois não receberam porção na terra (Rabi Meir estende essa mesma lógica de exclusão aos próprios cohanim e levitas — que, embora sejam israelitas de nascimento pleno, foram excluídos da divisão territorial original entre as doze tribos, recebendo em vez disso o direito aos presentes sacerdotais e levíticos como sua "porção"; por essa razão técnica, Rabi Meir sustenta que eles também não podem recitar a frase sobre "a terra que nos deste"). Rabi Yossei diz: eles têm cidades de arredores (Rabi Yossei discorda de Rabi Meir: embora cohanim e levitas não tenham recebido uma porção agrícola extensa como as demais tribos, eles receberam quarenta e oito cidades espalhadas por todo o território de Israel, cada uma cercada por um "migrash" — uma faixa de terreno aberto ao redor da cidade, usada para pastagem e outros fins comunitários; essa porção, embora modesta em comparação com a das outras tribos, é suficiente, segundo Rabi Yossei, para qualificá-los como tendo "porção na terra", permitindo-lhes recitar normalmente a confissão).
Yochanan, o Sumo Sacerdote, aboliu as declarações do dízimo (a própria recitação do viduy maasrot, decomposta nas mishnayot 10 a 14, foi suspensa por decreto de Yochanan Kohen Gadol — uma figura histórica do período do Segundo Templo, identificada pela tradição com Yochanan Hircano; a razão dessa abolição, segundo os comentadores, está relacionada a uma mudança na prática de doação do primeiro dízimo, que impedia a recitação sincera de uma das frases centrais da confissão). Ele também aboliu os "despertadores" (os levitas que, durante o serviço musical no Templo, costumavam recitar diariamente o versículo "Desperta, por que dormes, Eterno?" — Salmos 44:24 —, uma prática que Yochanan considerou inadequada por sugerir, mesmo que poeticamente, que o Eterno poderia estar "dormindo"), e os "golpeadores" (pessoas que faziam pequenos cortes na testa do bezerro destinado ao sacrifício, entre seus chifres, fazendo com que sangue escorresse sobre seus olhos, impedindo-o de ver e facilitando assim sua contenção e abate; Yochanan aboliu essa prática porque o animal, com essa marca, parecia ter uma deficiência física, o que poderia gerar a falsa impressão de que um animal com defeito estava sendo oferecido no altar). E até seus dias, o martelo batia em Jerusalém (artesãos do metal — ferreiros e caldeireiros — costumavam trabalhar com martelo durante os dias intermediários da festa (chol hamoed), quando certos tipos de trabalho são permitidos por se tratarem de "trabalho de perda evitável"; Yochanan também aboliu essa prática, considerando que o barulho excessivo do martelo desrespeitava a atmosfera festiva do chol hamoed). E em seus dias, ninguém mais precisava perguntar sobre o demai (demai — produto agrícola comprado de um am haaretz, uma pessoa comum de quem não se sabe com certeza se já separou corretamente teruma e dízimos; Yochanan instituiu uma reforma fiscal que simplificou a situação: uma vez que todos passaram a separar automaticamente a teruma do dízimo e o segundo dízimo de qualquer produto comprado, sem precisar investigar previamente sua condição, eliminando a necessidade prática de "perguntar" sobre a origem duvidosa de cada produto adquirido no mercado).