Massechet Chalá não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Duas mulheres que fizeram [cada uma] dois kavin [de massa] (um kav de farinha é uma medida menor do que o volume mínimo obrigado em chalá — cinco quartos —, de modo que duas massas de um kav cada, pertencentes a mulheres diferentes, não alcançam sozinhas essa medida), e se tocaram uma com a outra (as duas massas entraram em contato físico, quase se fundindo), mesmo que sejam da mesma espécie (de grão), estão isentas (da chalá, pois pertencem a duas pessoas diferentes, e presume-se que cada uma se incomoda com a mistura de sua massa com a da outra, de modo que o contato não as une para efeito de medida). Mas quando são de uma só mulher (as duas massas de dois kavin pertencem à mesma pessoa): se são espécie dentro de sua espécie (do mesmo tipo de grão), está obrigada (pois presume-se que uma só pessoa não se incomoda com a combinação de suas próprias massas, e elas se somam até completar a medida); e se não são de sua espécie (espécies diferentes de grão), está isenta (pois massas de espécies diferentes, mesmo pertencendo à mesma pessoa, não se combinam).
Qual é a espécie dentro de sua espécie (pergunta retórica que abre a definição técnica)? O trigo não se combina com todos (as demais espécies de grão), senão com a espelta (apenas a espelta se soma ao trigo para completar o volume mínimo de chalá, por sua semelhança botânica e de uso). A cevada se combina com todos (as demais espécies), exceto com o trigo (a cevada se soma à espelta, à aveia e ao centeio, mas não ao trigo). Rabi Yochanan ben Nuri diz: as demais espécies se combinam umas com as outras (opinião mais ampla: espelta, aveia e centeio se combinam livremente entre si, além das combinações já mencionadas).
[Se há] dois kavin (duas massas de um kav cada, de grão obrigado), e um kav de arroz ou um kav de massa de teruma no meio (entre as duas massas de grão, colocando-se fisicamente entre elas), não se combinam (pois o arroz nunca é obrigado em chalá, e a teruma — já santificada — também está isenta; o que separa as duas massas laterais é algo genuinamente isento, e por isso interrompe a soma entre elas). [Mas] algo do qual já se retirou a chalá, no meio (uma porção de massa da qual a chalá já foi separada, colocada entre as duas massas de kav), se combinam (as duas massas laterais se somam normalmente), pois já se tornou obrigada em chalá (a massa central, ainda que já tenha cumprido sua obrigação, pertence à mesma categoria de "massa obrigada" e não interrompe a combinação, ao contrário do arroz ou da teruma, que nunca foram obrigados).
Um kav [de massa de grão] novo e um kav [de massa de grão] velho que se morderam um no outro (duas massas de grãos de safras diferentes que se tocaram e quase se fundiram): Rabi Ishmael diz: retire-se [a chalá] do meio (do ponto exato onde as duas massas se tocam, misturando um pouco de cada); mas os sábios proíbem (pois isso pareceria retirar chalá do grão novo em nome do grão velho, ou vice-versa, o que é proibido). Quem retira a chalá de [uma massa de] um só kav (abaixo do volume mínimo de cinco quartos): Rabi Akiva diz: é chalá (válida, mesmo tendo sido retirada de uma massa insuficiente); mas os sábios dizem: não é chalá (a separação não é válida, pois a massa nunca atingiu a obrigação).
Dois kavin cuja chalá foi retirada, deste por si e daquele por si (duas massas de um kav cada, cada uma tratada individualmente, e de cada uma se retirou separadamente uma porção como chalá — mesmo sendo, na opinião dos sábios da mishná anterior, insuficientes para gerar obrigação real), e depois se fez delas uma só massa (as duas massas, já com "chalá" retirada de cada uma, foram unidas em uma massa única, que agora atinge o volume mínimo): Rabi Akiva isenta (a massa combinada não precisa de nova separação de chalá), mas os sábios obrigam (exigem nova separação, pois a massa combinada agora atinge o volume mínimo pela primeira vez). Descobre-se que sua estringência é sua leniência (a posição rigorosa de Rabi Akiva na mishná anterior — de que a chalá retirada de um só kav é válida — é exatamente o que lhe permite, aqui, isentar a massa combinada, pois já considera cumprida a obrigação de cada uma das partes).
Toma-se o suficiente para chalá (uma porção do tamanho necessário para servir como chalá) de uma massa pura cuja chalá ainda não foi retirada (uma massa própria, certamente pura, da qual ainda não se separou a porção obrigatória), para fazê-la em pureza (mantendo essa porção pura, sem contato com impureza), a fim de ir separando-a, continuamente, como chalá de demai (usando essa porção pura como a "chalá" designada para cobrir a obrigação de outras massas cuja separação de dízimos é duvidosa — demai), até que se estrague (até que essa porção pura se deteriore e não sirva mais para consumo humano). Pois a chalá de demai é retirada do puro em nome do impuro (regra especial: ao contrário da chalá comum, a chalá de demai pode ser separada de uma massa pura para cobrir uma massa impura), e sem proximidade (também pode ser separada mesmo quando as duas massas não estão fisicamente próximas uma da outra — outra leniência exclusiva do demai).
Israelitas que eram arrendatários de gentios na Síria (judeus que trabalhavam terras pertencentes a não-judeus na Síria, território conquistado pelo Rei Davi mas não plenamente santificado como a Terra de Israel): Rabi Eliezer obriga seus frutos nos dízimos e no [ano] sabático (trata a Síria, para efeito de dízimos e Shemitá, como equivalente à Terra de Israel), mas Rabban Gamliel isenta (entende que a Síria não se equipara à Terra de Israel para essas obrigações, ao menos quando o arrendatário não é o proprietário pleno da terra). Rabban Gamliel diz: duas chalot na Síria (como no exterior propriamente dito, uma parte queimada e uma parte dada ao sacerdote); mas Rabi Eliezer diz: uma só chalá (como na Terra de Israel plena). Adotaram a leniência de Rabban Gamliel e a leniência de Rabi Eliezer (o povo, num primeiro momento, seguiu a posição mais branda de cada um dos dois sábios — isentando dízimos como Rabban Gamliel, mas também separando apenas uma chalá, como Rabi Eliezer). [Depois] voltaram a agir conforme as palavras de Rabban Gamliel em ambos os assuntos (com o tempo, a prática se estabilizou seguindo integralmente a posição de Rabban Gamliel: isenção de dízimos e separação de duas chalot).
Rabban Gamliel diz: três terras quanto à chalá (o território relevante para a obrigação de chalá se divide em três zonas com regras distintas). Da Terra de Israel até Keziv (a região conquistada e ressantificada pelos que retornaram do exílio babilônico, sob Ezra), uma chalá (separa-se apenas uma porção, dada ao sacerdote, com plena santidade bíblica). De Keziv até o rio e até Amaná (uma faixa intermediária, parte da Terra de Israel histórica mas não ressantificada por Ezra), duas chalot: uma para o fogo e uma para o sacerdote (uma porção é queimada, por precaução quanto à impureza; a outra é comida pelo sacerdote). A do fogo tem medida [mínima] (um quarenta e oito avos, a mesma fração da chalá impura padrão), e a do sacerdote não tem medida (pode ser qualquer quantidade, por ser apenas de instituição rabínica). Do rio e de Amaná para dentro (o restante do mundo, exterior pleno), duas chalot: uma para o fogo e uma para o sacerdote. A do fogo não tem medida (pode ser mínima), e a do sacerdote tem medida (um quarenta e oito avos, para que não se desperdice tanto alimento — o inverso da zona anterior). E um tevul yom pode comê-la (um sacerdote que imergiu durante o dia, mas ainda aguarda o pôr do sol para pureza plena, já pode comer esta chalá). Rabi Yosei diz: não precisa de imersão (opinião ainda mais leniente). Mas é proibida a zavim, zavot, à mulher menstruada e às que deram à luz (pessoas com impurezas que emanam do próprio corpo, mais graves), e pode ser comida junto com um não-sacerdote à mesma mesa (sem receio de que o não-sacerdote a coma por engano), e pode ser dada a qualquer sacerdote (mesmo um sacerdote comum, não necessariamente um "chaver" confiável em pureza).
E estes são dados a qualquer sacerdote (diferentemente da chalá e da teruma, que só se dão a um sacerdote confiável em pureza, os itens a seguir podem ser entregues a qualquer sacerdote, sem essa restrição): os itens consagrados (charamim, objetos dedicados ao Templo por voto), os primogênitos (de animais puros), o resgate do filho primogênito (as cinco moedas de prata do pidyon haben), o resgate do primogênito do asno (o cordeiro dado em troca), o braço, as bochechas e o estômago (as partes do animal abatido, dadas ao sacerdote), a primeira tosquia (do rebanho de lã), o óleo de queima (teruma que se tornou impura e não pode ser comida, apenas queimada para iluminação), os itens sagrados do Templo (consagrados que devem ser consumidos dentro do recinto), e os bikurim (os primeiros frutos). Rabi Yehuda proíbe quanto aos bikurim (entende que os bikurim, diferentemente dos demais itens desta lista, só devem ser dados a um sacerdote da guarda sacerdotal da vez, não a qualquer sacerdote). A ervilhaca de teruma (um tipo de leguminosa usada como ração animal, cultivada com status de teruma): Rabi Akiva permite (dá-la a qualquer sacerdote, mesmo um am haaretz, pois não há risco real de impureza), mas os sábios proíbem (exigem que também ela seja dada apenas a um sacerdote confiável, como a teruma comum).
Nitai, homem de Tekoa, trouxe chalot de Beitar (um lugar fora da Terra de Israel plena; Nitai trouxe porções de chalá de lá a Jerusalém), e não as aceitaram dele (os sábios recusaram receber essa chalá, por presumirem-na impura, sem que se pudesse nem comê-la nem devolvê-la com segurança). Os habitantes de Alexandria trouxeram suas chalot de Alexandria (cidade no Egito, fora da Terra de Israel), e não as aceitaram deles (pelo mesmo motivo). Os habitantes do Monte Tzevoim trouxeram seus bikurim antes de Atzeret (a festa de Shavuot, antes da qual os primeiros frutos ainda não podem ser trazidos como bikurim), e não os aceitaram deles (rejeitaram por serem trazidos fora do tempo devido), por causa do que está escrito na Torá (citação explícita do versículo que fundamenta a rejeição): "E a festa da colheita, dos primeiros frutos do teu trabalho, que semeaste no campo" (Shemot 23:16 — os bikurim só podem ser trazidos a partir da época da colheita, associada à festa de Shavuot, e não antes).
Ben Antinos trouxe primogênitos da Babilônia (animais primogênitos, que devem ser oferecidos e consumidos em Jerusalém, trazidos de fora da Terra de Israel), e não os aceitaram dele (recusaram, pois a Torá liga a obrigação de trazer primogênitos ao mesmo território onde se traz o dízimo de grão — apenas dentro da Terra de Israel). José, o sacerdote, trouxe bikurim de vinho e azeite (tentando trazer como primeiros frutos líquidos extraídos, e não a fruta inteira), e não aceitaram dele (pois bikurim de líquidos só são aceitos quando colhidos originalmente para esse fim, não extraídos posteriormente). Ele também levou seus filhos e os membros de sua casa para fazer um pequeno Pêssach em Jerusalém (uma celebração adicional de Pessach, fora da obrigação padrão de peregrinação), mas o mandaram de volta (os sábios recusaram, temendo que a prática se tornasse obrigação fixa), para que a prática não se estabelecesse como obrigação (evitando que um costume voluntário se tornasse lei vinculante para todos). Ariston trouxe seus bikurim de Apamea (cidade na Síria), e aceitaram dele (diferentemente dos casos anteriores), porque disseram: quem adquire [terra] na Síria é como quem adquire nos arredores de Jerusalém (princípio especial que equipara certas terras da Síria, para efeito de bikurim, aos subúrbios imediatos de Jerusalém).