Esta mishná aplica diretamente o princípio que Rabi Shimon acabara de formular: enumera dez categorias de animais cuja desqualificação antecede qualquer consagração válida — eles nunca chegaram a "entrar na santidade" propriamente, pois já nasceram, ou se tornaram, inaptos ao Templo. Por isso, mesmo que tenham subido ao altar, devem descer. A mishná fecha com uma disputa sobre o último item da lista, os animais com defeito físico.
Estes cuja desqualificação não estava na santidade: o que copulou com um animal, e o que foi copulado, o reservado para idolatria, o que foi objeto de culto, o pagamento de uma prostituta, o preço de um cão, o de espécies misturadas, o dilacerado, o nascido por incisão abdominal, e os que têm defeitos físicos. — A mishná lista dez situações em que o próprio animal, antes de qualquer tentativa de consagrá-lo, já era inapto por sua própria natureza ou história: um animal envolvido em relação sexual com um ser humano — seja como agente ativo, seja como objeto — um animal separado para servir a um ídolo, um animal que foi efetivamente adorado como divindade, um animal dado como pagamento a uma prostituta ou trocado pelo preço de um cão, um animal de espécies cruzadas, um animal com ferimento fatal (trefá), um animal nascido por incisão cirúrgica no ventre da mãe em vez de parto normal, e animais com defeito físico. Em todos esses casos, a inaptidão precede qualquer possibilidade de consagração válida, por isso, segundo o princípio de Rabi Shimon, se ainda assim subiram ao altar, devem descer.
Rabi Akiva valida quanto aos animais com defeito físico. — Rabi Akiva discorda especificamente quanto ao último item: sustenta que ao menos certos animais com defeito físico, uma vez subidos ao altar, não descem — tratando-os como uma exceção dentro da própria lista, e não como um caso idêntico aos demais.
Rabi Chanina, vice dos sacerdotes, diz: meu pai costumava afastar os animais com defeito físico de sobre o altar. — Rabi Chanina relata um testemunho prático da conduta sacerdotal de seu pai, que fisicamente removia do altar os animais com defeito físico que ali houvessem subido — posição que discorda tanto do primeiro Taná quanto de Rabi Akiva sobre a forma exata do procedimento.
Rambam precisa o alcance da posição de Rabi Akiva: ele não valida qualquer defeito físico, mas apenas os defeitos localizados no olho — como manchas brancas, escuras, um ponto vermelho sobre o branco do olho, ou uma membrana rígida que cresce em direção ao nariz, e casos semelhantes. A razão é que esses mesmos defeitos são permitidos de antemão em aves, conforme explicado no Perek Cinco, onde se ensinou que não há exigência de perfeição física nem de sexo masculino para aves. Conclui que a halachá segue Rabi Chanina, vice dos sacerdotes.
Bartenura explica que "valida quanto aos que têm defeitos físicos" significa que, se subiram, não descem. Precisa que Rabi Akiva validou especificamente as opacidades no olho e defeitos semelhantes, já que esses mesmos defeitos são válidos de antemão em aves; mas quanto a um membro faltante, que desqualifica até mesmo aves, Rabi Akiva não validaria. Sobre o pai de Rabi Chanina, esclarece que ele afastava os animais com defeito de maneira indireta, sem os derrubar publicamente de forma humilhante — discordando, nesse ponto, do primeiro Taná, que dizia simplesmente que eles descem. Conclui que a halachá segue Rabi Chanina ben Antignos.
Rashi confirma que "valida" significa que, se subiram, não descem, e que a Guemará restringe essa validação às opacidades no olho, precisamente porque esses defeitos são permitidos de antemão em aves. Sobre a conduta do pai de Rabi Chanina, explica de forma sucinta que "afastar" significa aqui removê-los do altar.