A quarta mishná volta-se do animal inteiro para os membros já separados: a olá é totalmente queimada no altar, enquanto a carne da chatat é comida pelos sacerdotes e nunca deveria subir ao altar. Quando os membros das duas se misturam ao ponto de não poderem mais ser distinguidos, surge a disputa entre Rabi Eliezer e os Sábios sobre como tratar essa carne de chatat que, por engano, acabaria queimada junto.
Membros da chatat que se misturaram com membros da olá — Rabi Eliezer diz: colocará-os em cima, e eu considero a carne da chatat, lá em cima, como se fosse lenha. — Rabi Eliezer resolve o problema com uma reinterpretação: como o sacerdote não tem intenção de oferecer a carne da chatat como sacrifício quando a coloca sobre o altar — ele apenas quer se desfazer corretamente dos membros da olá misturados — a carne da chatat que sobe junto não é tecnicamente "oferecida", mas simplesmente consumida pelo fogo como combustível, do mesmo modo que a lenha comum que sustenta a pira do altar.
E os Sábios dizem: sua forma se estragará, e sairá para a casa da queima. — Os Sábios rejeitam esse recurso: colocar deliberadamente carne de chatat sobre o altar viola a proibição de "não queimareis dela nada ao fogo para o Eterno", aplicada a tudo o que teria ido ao fogo sem ser parte legítima dos emurim (partes gordurosas) da chatat. Por isso a única solução correta é aguardar, como em outros casos de dúvida irremediável, até que a mistura toda se deteriore ao ponto de ficar claramente desqualificada, e então levá-la à casa da queima no átrio, junto com os demais consagrados desqualificados. A halachá segue os Sábios.
Rambam esclarece a mecânica física da posição de Rabi Eliezer: colocar a carne misturada "acima", isto é, sobre a camada de lenha já empilhada no altar, de modo que se possa considerá-la, mentalmente, parte do combustível, e não oferenda. Sobre a posição dos Sábios, explica que "sua forma se estragará" significa deixar a mistura de lado até que se torne visivelmente desqualificada, e então queimá-la no local designado para os consagrados desqualificados. Conclui que a halachá não segue Rabi Eliezer.
Bartenura funda a lógica de Rabi Eliezer no versículo sobre o levedo e o mel, do qual se infere que apenas aquilo que é efetivamente destinado a subir "como oferenda de fogo para o Eterno" está proibido de ser queimado no altar — mas o que sobe sem essa intenção, como lenha, é permitido. Por isso Rabi Eliezer pode dizer "considero a carne da chatat como se fossem lenha". Os Sábios, por sua vez, sustentam que a carne da chatat — cujos emurim já sobem regularmente ao fogo — permanece sujeita à proibição de "tudo o que dela vai ao fogo", e por isso jamais pode ser tratada como simples combustível. Conclui que a halachá segue os Sábios.
Rashi confirma que a disputa gira em torno da intenção: como a carne da chatat, em princípio, estaria proibida de subir ao fogo por "não queimareis", Rabi Eliezer a permite apenas porque, na hora de colocá-la sobre o altar, o sacerdote não tem em mente oferecê-la — apenas se livrar da mistura — e por isso é permitido. Os Sábios, que não aceitam esse raciocínio de "consideramos como se fosse" (ro'in) neste caso, entendem que subir ao altar já configura a transgressão, pois os emurim legítimos da chatat já foram oferecidos antes, e a carne restante é apenas sobra que nunca deveria voltar ao fogo.