Por seis coisas a oferenda é abatida: em nome da oferenda, em nome de quem a oferece, em nome do Nome [Divino], em nome dos fogos, em nome do odor, em nome do agrado. E a oferenda de pecado e a oferenda de culpa, em nome do pecado. — A mishná enumera as seis intenções ideais que, segundo o preceito pleno, deveriam acompanhar o abate de qualquer oferenda: que seja "em nome" do próprio tipo de oferenda (excluindo a intenção de trocá-la por outra), "em nome" de seus donos (excluindo a intenção de trocar os donos), "em nome do Nome" divino, "em nome dos fogos" do altar (excluindo, por exemplo, a intenção de simplesmente assar pedaços sobre brasas), "em nome do odor" que sobe ao céu (excluindo assá-los primeiro fora do lugar da pira, onde a fumaça não sobe como oferenda), e "em nome do agrado" — o contentamento Divino por Seu povo cumprir Sua vontade. A oferenda de pecado e a de culpa somam-se a essas seis uma sétima intenção própria: que sejam abatidas em nome do pecado específico pelo qual são trazidas.
Disse Rabi Yossei: também aquele que não teve em seu coração [a intenção] em nome de nenhuma dessas [seis coisas], é válida, pois é uma condição estabelecida pelo tribunal — que a intenção só segue quem executa [a avodá]. — Rabi Yossei revela que, apesar da lista detalhada, nenhuma dessas intenções é, na prática, um requisito: quem abate sem pensar em nenhuma delas — de modo neutro, sem intenção explícita alguma — cumpre igualmente o preceito, pois os sábios estabeleceram como condição padrão que o abate seja feito "em silêncio" (sem declaração de intenção), justamente para evitar o risco de o sacerdote declarar acidentalmente uma intenção errada. A cláusula final acrescenta um princípio geral independente, já conhecido do Perek Alef: a intenção relevante para qualquer uma das avodot é sempre a de quem materialmente as executa — o abatedor, o recebedor do sangue, quem o transporta, quem o asperge — e nunca a dos donos da oferenda, ainda que estes declarem sua própria intenção paralela.
Rambam situa esta mishná no contexto de tudo o que já foi ensinado no tratado: desde o início ficou estabelecido que abater sem qualquer declaração de intenção ("em silêncio") já é válido para todos os tipos de oferenda — não é preciso dizer "em nome da oferenda de paz" para que ela seja de paz. A inovação desta mishná era apenas listar as seis intenções ideais que, segundo certa opinião tannaítica, o dono da oferenda deveria ter em mente, além da intenção do próprio abatedor. Mas a lei segue Rabi Yossei, que rejeita completamente essa exigência adicional: a única intenção relevante é a de quem executa fisicamente a avodá, nunca a dos donos — e por isso a opinião de que "os donos também podem tornar pigul" fica definitivamente rejeitada.
Bartenura precisa o que cada uma das seis intenções vem excluir: "em nome da oferenda" exclui a troca mental por outro tipo de santidade; "em nome de quem a oferece" exclui a troca dos donos; "em nome dos fogos" exclui a intenção de simplesmente assar a carne sobre brasas, sem propósito sacrificial; "em nome do odor" exclui assar as partes fora do lugar da pira do altar, onde a fumaça não conta como "odor" ascendente. Sobre a condição do tribunal, explica que os sábios preferiram instituir o abate silencioso — sem qualquer declaração de intenção — precisamente para evitar o perigo de o sacerdote, ao tentar declarar a intenção correta, acabar declarando por engano seu oposto; e conclui que, por seguir-se a lei de Rabi Yossei, mesmo que os donos declarassem explicitamente "em nome de tal oferenda", isso não teria nenhum efeito halachico, pois a Torá atribui a intenção relevante apenas a "quem a oferece" — o sacerdote que executa a avodá, conforme o versículo "aquele que a oferece não será computado".
Rashi confirma, resumidamente, o que cada intenção exclui — mudança do tipo de santidade, mudança dos donos —, e remete o leitor de volta ao Perek Alef, onde essas duas categorias já haviam sido derivadas dos versículos sobre o voto (Vayikrá 22:21) e a doação voluntária. Aponta que a Guemará desenvolve, a partir de versículos próprios, exatamente o que as intenções "em nome dos fogos" e "em nome do odor" vêm excluir, e explica que "em nome do pecado" refere-se ao pecado específico pelo qual a oferenda de culpa ou de pecado é trazida.