Estas são as coisas pelas quais não se é responsabilizado por pigul: o punhado, o incenso [de acompanhamento], a queima de incenso [do templo], a oferenda vegetal dos sacerdotes, a oferenda vegetal do sacerdote ungido, (a oferenda vegetal de libações), o sangue, e as libações que vêm por si mesmas — palavras de Rabi Meir. — O princípio do pigul deriva-se das oferendas de paz, onde há uma clara sequência de habilitação: o sangue habilita as partes a serem queimadas no altar, e estas habilitam a carne para consumo humano. Só o que se encaixa nessa cadeia — dependendo de outro elemento que o habilite — pode se tornar pigul. Mas o punhado da oferenda vegetal (que é queimado e assim habilita o resto da oferenda para os sacerdotes), o incenso de acompanhamento, a queima diária de incenso, as oferendas vegetais consumidas por inteiro no altar (dos sacerdotes e do sumo sacerdote), o próprio sangue, e as libações de vinho quando trazidas independentemente de um animal — todos esses são eles mesmos os habilitadores, não o habilitado; não há nada além deles que precise primeiro ser processado. Por isso, uma intenção errada ao processá-los não gera pigul.
E os sábios dizem: também as que vêm com o animal. — Os sábios discordam de Rabi Meir quanto às libações que acompanham um animal: como elas podem, tecnicamente, ser oferecidas até no dia seguinte ao do animal, o sangue do animal não é, estritamente, o que as habilita — elas se habilitam a si mesmas, do mesmo modo que as libações trazidas isoladamente. Por isso, também elas escapam ao pigul.
Quanto ao logue de óleo do leproso, Rabi Shimon diz: não se é responsabilizado por ele por pigul. E Rabi Meir diz: responsabilizam-se por ele por pigul, pois o sangue da oferenda de culpa o habilita. — O caso do logue de óleo trazido pelo leproso em processo de purificação é mais sutil: sua aplicação depende, por preceito, de que primeiro se aplique o sangue da oferenda de culpa. Rabi Meir considera essa dependência suficiente para classificá-lo como algo "habilitado" pelo sangue, e portanto sujeito a pigul; Rabi Shimon discorda, considerando que, como o leproso pode trazer o óleo vários dias depois de trazer a oferenda de culpa, o sangue não é de fato o que o habilita no momento.
E tudo que tem habilitadores, seja para o homem seja para o altar, responsabilizam-se por ele por pigul. — A mishná fecha com a formulação positiva do princípio: o critério decisivo não é a gravidade ou a santidade do item, mas puramente estrutural — se existe algo, humano ou do próprio altar, que dependa de um habilitador prévio, esse elemento pode se tornar pigul quando a intenção errada recai sobre o próprio processo de habilitação.
Rambam expõe a derivação bíblica completa do princípio: a Torá fala de pigul a respeito da oferenda de paz, cujo processo tem uma estrutura clara de dois estágios de habilitação (sangue habilita as partes para o altar; as partes habilitam a carne para o homem). A regra geral que daí se extrai é puramente estrutural: um item se torna pigul apenas quando sua permissão de uso depende de um ato anterior distinto — o próprio habilitador nunca se torna pigul, porque não há nada anterior a ele que precise ser corretamente completado; ele é a origem da cadeia, não seu elo dependente.
Bartenura ilustra o princípio com o exemplo do próprio punhado: se o sacerdote o separou com intenção de comer o restante da oferenda vegetal fora do prazo, a oferenda vegetal se torna pigul (pois depende do punhado como habilitador), mas quem come o punhado em si não incorre em excisão, já que o punhado não depende de nenhum habilitador anterior. Sobre o logue de óleo do leproso, explica a posição dos sábios (aqui, de Rabi Shimon): embora tecnicamente o óleo dependa do sangue da oferenda de culpa aplicado primeiro, como a lei permite trazer o óleo até dez dias depois da oferenda de culpa, na prática o sangue não funciona como habilitador imediato — e por isso o óleo escapa ao pigul.
Rashi precisa que a excisão em jogo aqui é a devida a comer algo que se tornou pigul, e explica com o exemplo do punhado o mecanismo geral: quando o sacerdote separa o punhado com a intenção de comer o restante da oferenda depois do prazo, é o restante — que depende do punhado como seu habilitador — que se torna pigul; o punhado em si, por não ter nenhum habilitador anterior a ele (é ele quem habilita a oferenda, não o contrário), permanece fora do alcance do pigul, e o mesmo raciocínio se estende ao incenso e a todos os demais itens da lista.