Se teve a intenção de comer um azeitona fora e um azeitona no dia seguinte; um azeitona no dia seguinte e um azeitona fora; meio azeitona fora e meio azeitona no dia seguinte; meio azeitona no dia seguinte e meio azeitona fora — é inválido, e não há nele karet. — A mishná retoma o caso de 2:4 em que as intenções de lugar e de tempo se misturam — mas agora considerando também a possibilidade de que cada intenção, isoladamente, seja de apenas meio azeitona (metade da medida mínima que costuma invalidar). Mesmo assim, as duas metades se somam para completar a medida de um azeitona inteiro, e a mistura de dois tipos de intenção (lugar e tempo) na mesma avodá — seguindo o princípio de 2:4 — resulta apenas em invalidação simples, sem a gravidade do pigul, seja qual for a ordem em que as intenções ocorreram.
Disse Rabi Yehudá: este é o princípio: em qualquer caso em que a intenção de tempo precedeu a intenção de lugar, é pigul, e são responsáveis por ele ao karet; e se a intenção de lugar precedeu a intenção de tempo, é inválido, e não há nele karet. E os sábios dizem: neste caso e naquele caso, é inválido, e não há nele karet. — Rabi Yehudá discorda do princípio geral de 2:4 e desta mishná: para ele, a ordem das intenções importa. Se o sacerdote primeiro teve em mente "fora do tempo" e só depois, na mesma ação, "fora do lugar", a primeira intenção já "fixou" a gravidade de pigul sobre a oferenda, e a intenção posterior de lugar não tem mais poder de neutralizá-la — permanecendo pigul. Mas, se a ordem for inversa (lugar primeiro, tempo depois), a intenção de lugar já retirou a oferenda de qualquer possibilidade de pigul, e a intenção de tempo posterior não pode mais "reintroduzi-la" nessa categoria — permanecendo apenas inválida. Os sábios, discordando, sustentam que a ordem é irrelevante: em ambos os casos, a simples presença de dois tipos de intenção já impede o pigul, e o resultado é sempre a invalidação simples.
Se teve a intenção de comer meio azeitona e de queimar meio azeitona, é válido, pois comer e queimar não se somam. — A mishná fecha com um caso que, à primeira vista, parece semelhante — duas metades de azeitona — mas que na verdade não se soma de forma alguma: aqui as duas metades referem-se a dois destinos diferentes da mesma oferenda (uma parte destinada ao consumo humano, outra às partes queimadas no altar), não a duas ocasiões (lugar e tempo) do mesmo destino. Como o consumo humano e a queima no altar são categorias distintas, cada uma precisa atingir a medida de um azeitona inteiro por si mesma para invalidar — e, como nenhuma das duas chega sozinha a essa medida, a oferenda permanece totalmente válida.
Rambam declara que a lei segue os sábios, não Rabi Yehudá — ou seja, a ordem entre a intenção de lugar e a de tempo não importa: sempre que ambas estiverem presentes na mesma avodá, o resultado é a invalidação simples, sem pigul. E acrescenta um esclarecimento importante: a regra de que "meio azeitona não se soma a meio azeitona" para produzir pigul, mencionada por ele em nota, refere-se a quando os dois meios-azeitonas são de tipos diferentes de intenção (lugar e tempo) — pois, se ambos forem exatamente da mesma intenção (por exemplo, dois meios-azeitonas, ambos de "fora do tempo"), eles se somam normalmente para produzir pigul completo, já que "meio azeitona não vale sozinho no lugar de um azeitona inteiro", mas soma-se com outro meio da mesma categoria. Sobre o consumo humano, Rambam nota ainda que, se a intenção foi de que o próprio sacerdote comesse meio azeitona e que um animal ou fera comesse o outro meio, os dois se somam — pois, para fins desta lei, "comer" é uma única categoria, não importa quem come.
Bartenura resume a posição de Rabi Yehudá como uma discordância de fundo com toda a mishná anterior (2:4): para ele, não é verdade, em geral, que a mistura de outro tipo de defeito sempre "retire" a oferenda do pigul — isso só ocorre quando o defeito de lugar precedeu, no tempo, a intenção de pigul. E confirma que a lei não segue Rabi Yehudá, mas os sábios. Sobre o último caso da mishná — meio azeitona para comer e meio azeitona para queimar —, esclarece que ambas as metades têm a mesma intenção de lugar ou de tempo (a diferença está apenas no destino: consumo humano ou queima), e mesmo assim não se somam, "pois aqui falta a medida, e ali falta a medida" — isto é, tratando-se de duas categorias de consumo diferentes (comer e queimar), cada uma precisa, por si só, atingir a medida completa de um azeitona para que a invalidação se aplique a ela.
Rashi observa que o primeiro caso desta mishná é, em essência, o mesmo já discutido na mishná anterior (2:4) — a diferença é que ali a mistura ocorria entre duas avodot distintas, enquanto aqui a mesma mistura ocorre dentro de uma única avodá (por exemplo, no próprio abate, o sacerdote já teve em mente comer parte fora e parte no dia seguinte). E explica que, segundo a leitura da Guemará que também situa este caso em duas avodot, a mishná precisou repetir o exemplo usando meio-azeitonas justamente para ensinar que essas metades se somam entre si, mesmo vindo de avodot diferentes. Sobre Rabi Yehudá, confirma que ele discorda de toda a mishná anterior, sustentando o princípio de que a primeira intenção expressa "prevalece" sobre a segunda — tanto entre avodot diferentes quanto dentro de uma única avodá. E, sobre o caso final, confirma que comer e queimar não se somam precisamente porque, tomadas separadamente, nenhuma das duas metades atinge a medida mínima exigida em sua própria categoria.