Todos os sacrifícios que foram abatidos não em seu nome são válidos, mas não satisfazem a obrigação dos donos — exceto a oferenda pascal e a oferenda de pecado. A oferenda pascal, em seu tempo; e a oferenda de pecado, em qualquer tempo. — A mishná abre o tratado com um princípio fundacional que rege toda a Massechet Zevachim: a intenção do sacerdote no momento do abate (a machshavá, o pensamento que acompanha a ação) determina se o sacrifício é válido e se cumpre a obrigação de quem o trouxe. A regra geral é generosa: se, ao abater um sacrifício, o sacerdote pensou erroneamente em outro tipo de oferenda — abateu, digamos, uma oferenda de paz pensando tratar-se de uma oferenda de holocausto — o sacrifício continua cashér (apto), e seu sangue pode ser aspergido e suas partes queimadas no altar, e sua carne comida onde isso é permitido. A única consequência é que ele não serve para cumprir a obrigação original do dono, que precisará trazer outro sacrifício em seu lugar. Mas essa generosidade tem duas exceções absolutas: a oferenda pascal e a oferenda de pecado. Se abatidas não em seu próprio nome, ambas se invalidam por completo — não apenas deixam de cumprir a obrigação, mas tornam-se impróprias para qualquer uso sacrificial. A diferença entre as duas exceções está no tempo: a oferenda pascal só se invalida dessa forma quando abatida não em seu nome em seu tempo próprio — a tarde de 14 de Nissan; fora desse período, ela é tratada como uma oferenda de paz comum. Já a oferenda de pecado se invalida assim em qualquer tempo que for abatida não em seu nome, pois não tem um momento fixo do calendário que a defina.
Rabi Eliezer diz: também a oferenda de culpa. A oferenda pascal, em seu tempo; e a oferenda de pecado e a oferenda de culpa, em qualquer tempo. Disse Rabi Eliezer: a oferenda de pecado vem por um pecado, e a oferenda de culpa vem por um pecado; assim como a oferenda de pecado é inválida quando abatida não em seu nome, também a oferenda de culpa é inválida quando abatida não em seu nome. — Rabi Eliezer discorda dos sábios anônimos da primeira parte da mishná e amplia a lista das exceções: para ele, a oferenda de culpa (asham) segue a mesma regra severa da oferenda de pecado, invalidando-se sempre que abatida sem a intenção correta, em qualquer época do ano. Sua justificativa é analógica: tanto a oferenda de pecado quanto a oferenda de culpa vêm ao mundo por causa de uma transgressão específica do dono — ambas expiam um pecado cometido. Se a intenção errada invalida uma, por essa mesma lógica deveria invalidar a outra. Os sábios, como se verá nos comentários, não aceitam essa analogia, pois encontram um fundamento textual explícito que distingue os dois casos.
O Talmud deriva a distinção entre a maioria dos sacrifícios (válidos mesmo abatidos shelo lishmán) e as duas exceções a partir de versículos específicos sobre o voto, a oferenda pascal e a oferenda de pecado.
O texto bíblico fornece, para cada exceção, uma base explícita que a distingue da regra geral. Da frase "o que falaste com tua boca" a Guemará deriva que um sacrifício comum, trazido por voto, permanece válido mesmo se a execução não correspondeu exatamente à intenção declarada — ele apenas não cumpre o voto original, tornando-se uma oferenda voluntária. Já sobre a oferenda pascal, o versículo "é o sacrifício da Páscoa" exige que o próprio ato do abate seja realizado com a intenção específica de Pêssach; e sobre a oferenda de pecado, a repetição da expressão "para oferenda de pecado" e "por ele, por seu pecado que pecou" ensina que o recebimento e a aspersão do sangue, e não apenas o abate, precisam ser feitos com a intenção correta e em nome do dono exato — donde a invalidação total quando isso falha.
Rambam explica que "válidos" significa que, uma vez concluída a avodá (o serviço sacrificial) em nome do sacrifício correto, ele permanece apto mesmo que o abate tenha sido feito, por engano, com a intenção de outro tipo de oferenda — desde que o sacerdote, ao perceber o erro, complete o restante do serviço já corretamente direcionado. Explica ainda que a expressão "dos donos" ensina que essa regra vale apenas para sacrifícios individuais, com dono definido; os sacrifícios públicos não se invalidam por essa falha de intenção, pois, como ensinaram os sábios, "a faca dos sacrifícios públicos os arrasta para aquilo que são aptos" — isto é, sua natureza pública já determina seu propósito, independentemente do pensamento do abatedor. Quanto ao tempo da oferenda pascal, esclarece que é o dia 14 de Nissan: se abatida em outro dia com a intenção correta (de Pêssach), é inválida; mas abatida sem essa intenção, é válida (como oferenda de paz comum). E conclui que a lei não segue Rabi Eliezer — a oferenda de culpa não se invalida por intenção incorreta, apenas a oferenda pascal e a de pecado.
Bartenura exemplifica: "todos os sacrifícios abatidos não em seu nome" refere-se, por exemplo, a uma oferenda de holocausto abatida com a intenção de oferenda de paz. Sendo "válidos", pode-se aspergir seu sangue e queimar suas partes em nome próprio — pois permanecem em sua santidade original, e é proibido alterá-la a partir daí. "Mas não satisfazem a obrigação dos donos" significa que é preciso trazer outro sacrifício para cumprir o voto ou a obrigação; e essa regra vale apenas para sacrifícios individuais — os sacrifícios públicos, mesmo abatidos não em seu nome, cumprem a obrigação da congregação, pois "o abate os arrasta" para o que lhes é próprio. Sobre a oferenda pascal, cita os dois versículos que a Torá emprega — "farás a Páscoa" e "é o sacrifício da Páscoa" — dos quais se deriva que tanto o abate quanto todo o processo devem ser feitos em nome de Pêssach e em nome dos donos corretos. Sobre a oferenda de pecado, cita igualmente dois versículos, um para o abate e outro para o recebimento e aspersão do sangue. E conclui que a lei não segue Rabi Eliezer quanto à oferenda de culpa.
Rashi identifica de imediato o caso concreto que a mishná tem em mente: uma oferenda de holocausto (olá) abatida com a intenção de oferenda de paz (shelamim). "Válidos" significa que se pode aspergir seu sangue, queimar suas partes no altar e comer o que é comestível dela, ainda que o preceito ideal seja abatê-la já com a intenção correta desde o início — como a Guemará demonstra a partir dos versículos. "Mas não satisfazem" implica que é preciso trazer outra oferenda para cumprir a obrigação ou o voto original, abatendo-a desta vez com a intenção correta. Sobre a exceção da oferenda pascal e da oferenda de pecado, Rashi explica que elas se invalidam por completo — e a Guemará demonstra isso a partir dos versículos próprios de cada uma. Quanto ao tempo da oferenda pascal, precisa: a invalidação por intenção incorreta vale durante todo o período em que ela deve ser abatida, ou seja, do meio-dia da véspera de Pêssach até o entardecer; antes ou depois desse período, estabelece-se que a oferenda pascal trazida no resto do ano tem o status de uma oferenda de paz comum, com todas as suas leis — e, como já dito, os demais sacrifícios permanecem válidos mesmo abatidos sem a intenção correta.