Anciãos dentre os anciãos do Beit Din lhe entregavam e liam diante dele a ordem do dia, e diziam-lhe: meu senhor Cohen Gadol, lê tu mesmo com tua boca, pois talvez tenhas esquecido, ou talvez nunca tenhas aprendido. — Um grupo de sábios do Sinédrio se dedicava especificamente a ele, lendo em voz alta toda a sequência do serviço de Yom Kipur para que a fixasse na memória, e insistindo para que ele próprio a recitasse — não porque duvidassem de seu conhecimento por princípio, mas porque nos tempos do Segundo Templo muitos cohanim gedolim eram nomeados por razões políticas, sem o preparo que teriam num sistema ideal, tornando essa verificação necessária.
Na manhã da véspera de Yom Kipur o colocavam junto ao portão leste, e faziam passar diante dele touros, carneiros e cordeiros, para que ficasse familiarizado e habituado com o serviço. — Além da instrução verbal, ele recebia também um treinamento visual e prático: os animais destinados aos sacrifícios do dia eram conduzidos diante dele na véspera, para que reconhecesse cada espécie e cada detalhe físico relevante ao serviço, chegando a Yom Kipur não apenas instruído, mas também visualmente familiarizado com o que executaria.
É desse "grande entre seus irmãos" que se deriva a exigência de que o Cohen Gadol seja o mais qualificado de sua geração — em sabedoria, estatura, riqueza e força — o que explica por que, no Primeiro Templo, essa verificação da mishná seria dispensável. No Segundo Templo, porém, quando reis frequentemente nomeavam cohanim gedolim por interesse político e não por mérito, tornou-se necessário confirmar, na véspera de Yom Kipur, que o Cohen Gadol de fato conhecia de cor toda a ordem do serviço.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica que essa verificação só se tornou necessária porque, no Segundo Templo, nem todo Cohen Gadol nomeado possuía a excelência exigida pela Torá.
O princípio para nós é que o Cohen Gadol precisa ser, entre os cohanim de sua geração, o mais completo em sabedoria, em fé, em beleza, em riqueza e em força. Disse Hashem, bendito seja: "e o cohen grande entre seus irmãos". E veio na tradição que ele deve ser maior que eles em beleza, em riqueza e em sabedoria; e se não tiver posses, os cohanim reúnem dinheiro entre si e lhe dão, para que seja mais rico que cada um deles. Mas no Segundo Templo, em que tudo estava incompleto, como já sabes, e os reis não seguiam o caminho reto, nomeavam cohanim gedolim à força, ainda que não fossem dignos disso.
Bartenura explica cada expressão da mishná e confirma a razão histórica da verificação; Rashi, na Guemará, resume os mesmos pontos ao introduzir o texto da mishná no fólio.
"E leem diante dele" — durante todos os sete dias. "A ordem do dia" — a porção de Acharei Mot. "Meu senhor" — meu amo. "Ou talvez nunca tenhas aprendido" — no Segundo Templo eram necessários a isso, pois estabeleciam cohanim gedolim que não eram adequados, indicados pela realeza; já no Primeiro Templo não estabeleciam Cohen Gadol senão o maior dos cohanim em sabedoria, beleza, força e riqueza, e se não tivesse riqueza, seus irmãos cohanim o enriqueciam com o próprio dinheiro deles, como está dito: "e o cohen grande entre seus irmãos" — engrandece-o com o de seus irmãos.
"Para que fique familiarizado" — observando os animais que passam diante dele, para gravar em seu coração as leis da ordem do dia.
"Mishná: meu senhor" — meu amo. "Leem diante dele a ordem do dia" — a porção de Acharei Mot, e assim durante todos os sete dias. "Para que fique familiarizado" — observando os animais que passam diante dele, para gravar em seu coração as leis da ordem do dia.