Sete dias antes de Yom Kipur separam o Cohen Gadol de sua casa para a Câmara de Parhedrin, e preparam para ele outro cohen em seu lugar, para que não lhe sobrevenha alguma invalidez. — Como todo o serviço de Yom Kipur só é válido quando realizado pelo próprio Cohen Gadol, os sábios o retiravam de casa uma semana antes e o instalavam numa câmara do Templo reservada para essa finalidade, afastando-o de qualquer contato que pudesse torná-lo impuro por acidente. Ao mesmo tempo, preparavam um segundo cohen, apto a substituí-lo de imediato caso alguma invalidez — impureza por emissão involuntária, ou qualquer outro impedimento — o atingisse repentinamente nos dias que antecedem o serviço.
Rabi Yehudá diz: também outra mulher preparam para ele, para que não morra sua mulher, pois está dito: e fará expiação por si e por sua casa — sua casa, esta é sua mulher. Disseram-lhe: se assim for, não há fim para o assunto. — Rabi Yehudá estende a mesma lógica de precaução ao casamento do Cohen Gadol: como o versículo exige que ele tenha esposa para que sua expiação seja completa, também se deveria preparar uma segunda mulher, caso a primeira morresse durante a semana de separação. Os demais sábios rejeitam essa extensão: se a preocupação com a morte fosse levada a sério, não haveria limite — seria preciso preparar uma terceira mulher para o caso de a segunda também morrer, e assim indefinidamente; por isso apenas a impureza, que é frequente, justifica a precaução, e não a morte, que é rara.
É desse versículo que Rabi Yehudá deriva a exigência de que o Cohen Gadol tenha esposa no momento do serviço de Yom Kipur, pois os sábios interpretam a expressão "sua casa" como referência à sua mulher. Como o mesmo versículo condiciona a validade da expiação do Cohen Gadol à existência dessa "casa", Rabi Yehudá conclui que sua ausência — por morte da esposa durante a semana de separação — comprometeria o próprio serviço, e por isso caberia preparar uma substituta. Os sábios discordam apenas quanto ao alcance prático dessa precaução, não quanto à leitura do versículo em si.
O Rambam, no Perush HaMishná, liga a separação do Cohen Gadol antes de Yom Kipur ao mesmo princípio bíblico que rege a separação do cohen que queima a vaca vermelha.
Disse Hashem, bendito seja, sobre os sete dias da consagração: "e da porta da Tenda do Encontro não saireis" etc.; e depois disse: "como se fez neste dia, ordenou Hashem fazer, para expiar sobre vós" — e veio a tradição de que "fazer" refere-se ao ato da vaca vermelha, e "expiar sobre vós" refere-se ao ato de Yom Kipur. Por isso, tanto o cohen que queima a vaca quanto o Cohen Gadol que serve em Yom Kipur são separados por sete dias. E os sábios dizem: a impureza é frequente, a morte não é frequente; e se te preocupasses com a morte, não haveria fim ao assunto, pois diríamos "e se também esta segunda morrer", e assim a terceira e a quarta. E não é assim a lei segundo Rabi Yehudá.
Bartenura explica cada expressão da mishná com sua base bíblica e histórica; Rashi, na Guemará, confirma a mesma leitura ao abrir o tratado.
"Sete dias separam o Cohen Gadol" — pois todos os serviços de Yom Kipur só são válidos quando realizados por ele, como está dito a respeito de Yom Kipur: "e fará expiação o cohen que for ungido". "Para a Câmara de Parhedrin" — os oficiais do rei são chamados de parhedrin; e como os cohanim gedolim do Segundo Templo eram trocados a cada doze meses, como os oficiais do rei, essa câmara passou a se chamar Câmara de Parhedrin. "E preparam para ele" — designam outro cohen para ser Cohen Gadol em seu lugar, caso lhe sobrevenha uma emissão involuntária ou outra impureza.
"Se assim for, não há fim ao assunto" — pois é apenas com a impureza, que é frequente, que nos preocupamos, e por isso preparam outro cohen; já com a morte, que não é frequente, não nos preocupamos, e por isso não preparam outra mulher para ele. E a lei segue os sábios.
"Mishná: sete dias antes de Yom Kipur separam o Cohen Gadol" — pois todo o serviço de Yom Kipur só é válido quando realizado por ele, como se deriva no tratado Horayot, no último perek, pois está escrito a respeito de Yom Kipur: "e fará expiação o cohen que for ungido"; e a Guemará explicará por que o separam. "Para a Câmara de Parhedrin" — este é o seu nome, e a Guemará explicará por que assim se chama. "E preparam para ele" — designam outro cohen para ser Cohen Gadol em seu lugar, caso lhe sobrevenha uma invalidez de emissão involuntária ou outra impureza que o impeça de entrar no Templo.
"E por sua casa" — a respeito de Yom Kipur está escrito na porção de Acharei Mot. "Se assim for" — pois te preocupas com a morte. "Não há fim ao assunto" — pois talvez também esta morra.