O kohen comum não desposará a ailonit, a menos que já tenha esposa e filhos. Rabi Yehuda diz: mesmo que já tenha esposa e filhos, não desposará a ailonit, pois ela é a zoná mencionada na Torá. Mas os Sábios dizem: não há zoná senão a convertida, a liberta, e a que teve relação de prostituição. — A ailonit é a mulher que, por sua própria constituição física, não tem capacidade de gerar filhos — um tipo de esterilidade permanente e reconhecível desde a juventude, distinta da mulher fértil que simplesmente não engravidou. Como o casamento com ela nunca poderá cumprir o preceito de "sede fecundos e multiplicai-vos", a mishná restringe esse casamento para o kohen: ele só pode desposá-la se já tiver cumprido esse preceito com outra mulher — ou seja, se já tiver esposa e filhos, de modo que o casamento com a ailonit não representa mais um obstáculo ao cumprimento do preceito. Rabi Yehuda vai além e proíbe terminantemente o casamento com a ailonit para o kohen, mesmo que ele já tenha esposa e filhos — porque, em sua opinião, a ailonit se enquadra na categoria de zoná que a Torá proíbe ao kohen, dada sua condição peculiar. Os Sábios discordam frontalmente dessa definição: para eles, "zoná" não é um termo genérico para qualquer mulher de status incomum, mas uma categoria específica e limitada — a mulher convertida ao judaísmo, a escrava liberta, ou a mulher que teve relação sexual proibida caracterizada como prostituição —, e a ailonit não se encaixa em nenhuma dessas três.
A Torá proíbe ao kohen desposar uma "zoná" sem definir precisamente o termo, deixando à tradição oral a tarefa de delimitar seu alcance. A disputa entre Rabi Yehuda e os Sábios é, no fundo, uma disputa sobre a extensão dessa categoria: se ela inclui qualquer mulher cuja condição a torne inadequada para gerar descendência de modo pleno — como sustenta Rabi Yehuda quanto à ailonit —, ou se está restrita a três categorias específicas e taxativas ligadas à origem da mulher ou a uma relação sexual proibida — como sustentam os Sábios, cuja posição prevalece na halachá.
Rambam explica por que o kohen que já cumpriu peru u'rvu pode desposar a ailonit, e fixa a halachá contra Rabi Yehuda.
Rambam esclarece que esta restrição não é exclusiva do kohen: quanto ao preceito de peru u'rvu, não há diferença alguma entre kohen, levita e israelita comum. Por isso, nenhum homem — seja kohen, levita ou israelita — pode desposar a ailonit antes de já ter cumprido o preceito com esposa e filhos; a mishná menciona o kohen apenas porque é a respeito dele que surge a disputa com Rabi Yehuda. E a halachá segue os Sábios: não há razão para proibir o casamento com a ailonit além da consideração de peru u'rvu, e Rabi Yehuda, que a proíbe terminantemente por considerá-la zoná, não é seguido.
Bartenura detalha por que a mishná menciona especificamente o kohen, e o que caracteriza a "relação de prostituição" da terceira categoria de zoná; Rashi, na Guemará, explica o sentido lexical da palavra "zoná" segundo Rabi Eliezer.
Rambam define com precisão a terceira categoria de zoná mencionada pelos Sábios: trata-se da mulher que teve uma relação proibida por caret (extirpação), por açoites bíblicos, ou por um simples preceito positivo — como as relações listadas nas duas primeiras mishnayot deste perek —, seja essa relação sob coação, seja por vontade própria. Essa é exatamente a mesma definição de "relação proibida que desqualifica" já estabelecida no início do perek, agora aplicada à questão específica de quem se enquadra na categoria de zoná para efeito de proibição matrimonial ao kohen.
Bartenura confirma que a lei da mishná se aplica igualmente a qualquer israelita, não apenas ao kohen — a Torá exige de todo homem o cumprimento de peru u'rvu antes de se permitir um casamento infrutífero. A mishná escolhe falar do kohen apenas porque é sobre ele que gira a disputa peculiar de Rabi Yehuda, que proíbe o casamento com a ailonit terminantemente para o kohen, mesmo já tendo ele cumprido o preceito — uma restrição que Rabi Yehuda não estende ao israelita comum, pois sua base é a santidade especial exigida do kohen, e não apenas o preceito de procriação.
Rashi traz uma leitura ainda mais restritiva do termo "zoná", segundo Rabi Eliezer na Guemará: a palavra deriva de uma raiz que sugere "desviar-se" — a mulher que se desvia de seu marido para outros homens, o que, para Rabi Eliezer, só se aplica à mulher casada infiel, e nunca à mulher solteira. Rashi explica, porém, que há uma exceção: mesmo uma mulher solteira pode ser chamada de zoná se ela se entrega livremente a qualquer homem, tornando-se, por assim dizer, "mulher pública" — mas uma única relação isolada, mesmo proibida, não basta para tornar zoná a mulher solteira. Essa nuance ajuda a esclarecer por que a ailonit, cuja condição nada tem a ver com promiscuidade, não se enquadra em nenhuma das definições de zoná discutidas pelos Sábios da Guemará.