Quem desposou uma de duas irmãs, e não sabe qual delas desposou, dá um documento de divórcio a esta e um documento de divórcio àquela. Se morreu, e tem um único irmão, este faz chalitzá com as duas. Se tinha dois irmãos, um faz chalitzá e um faz yibum. Se se anteciparam e desposaram, não as tiram de suas mãos. — Como um homem não pode ser casado, ao mesmo tempo, com duas irmãs, e ele não sabe qual das duas realmente desposou, ele deve divorciar ambas por dúvida, para liberar tanto a verdadeira esposa quanto a que não é sua esposa — que, aliás, é livre para se casar com outro, sem qualquer vínculo. Se ele morre sem filhos, e tem apenas um irmão, esse irmão não pode fazer yibum com nenhuma das duas: se fizer yibum com uma delas, corre o risco de estar, na verdade, tomando a irmã de sua verdadeira cunhada, que lhe é vinculada por yibum — uma união proibida por analogia à proibição de duas irmãs. Por isso ele faz apenas chalitzá com as duas, liberando-as sem risco algum. Mas se há dois irmãos disponíveis, a solução é mais elegante: um deles faz chalitzá com uma das mulheres primeiro, e então o segundo pode fazer yibum livremente com a outra — pois, seja qual for a identidade real da verdadeira viúva, o segundo irmão nunca corre o risco de tomar a irmã de uma mulher vinculada a ele por yibum, já que a chalitzá do primeiro já dissolveu qualquer vínculo remanescente sobre a irmã da mulher que ele está prestes a desposar. E se, antes de consultar o tribunal, os irmãos já se anteciparam e desposaram as mulheres por conta própria, não se anula o casamento, ainda que a ordem correta não tenha sido seguida.
Este é o mesmo verso que fundamentou toda a discussão do Perek Alef sobre as rivais das relações incestuosas, e aqui aparece em sua aplicação mais direta. A proibição bíblica de tomar a irmã de sua esposa como rival — enquanto a primeira estiver viva — é o que torna tão delicado o caso desta mishná: o irmão sobrevivente não pode simplesmente escolher qualquer uma das duas mulheres, pois, se sua verdadeira cunhada for a outra, ele estaria tomando a irmã de uma mulher a quem, por vínculo de yibum, ele já está de certo modo ligado — daí a exigência de proceder com chalitzá primeiro, ou com chalitzá para ambas quando há apenas um irmão disponível.
Rambam codifica precisamente os dois cenários da mishná — irmão único e dois irmãos — como parte de sua sistematização dos casos de dúvida em yibum e chalitzá.
Rambam codifica exatamente a mishná: quem desposou uma de duas irmãs sem saber qual delas desposou, e morreu, deixando um único irmão, este faz chalitzá com as duas, para liberá-las a se casarem com outros homens; se tinha dois irmãos, um deles faz chalitzá com uma das duas, e o segundo faz yibum com a outra — a ordem entre eles resolve a dúvida sem qualquer risco de transgredir a proibição das duas irmãs.
Rambam explica, na introdução ao capítulo, o princípio geral por trás de todos esses casos de dúvida; Bartenura detalha por que a chalitzá de uma libera a irmã para o yibum da outra; Rashi, na Guemará, confirma a mesma lógica com precisão técnica.
Rambam formula o princípio geral que rege todos os casos deste tipo no capítulo: enquanto uma mulher está vinculada a um cunhado por zika (o laço de yibum), ele não pode desposar nenhuma parente próxima dela — sua mãe, sua irmã ou sua filha — pois isso poderia violar, retroativamente, uma proibição de parentesco. Por isso, quando há dois irmãos, o primeiro faz chalitzá com uma das mulheres, dissolvendo qualquer zika sobre ela e sobre suas parentes; só então o segundo pode desposar a irmã dela em yibum, pois agora ela lhe é permitida seja qual for o verdadeiro estado de dúvida.
Bartenura explica por que, com um único irmão, nenhuma combinação além da chalitzá dupla é possível: fazer chalitzá com uma e yibum com a outra não funciona, porque a chalitzá torna a mulher que a recebeu uma "chalutzá", e sua irmã fica proibida ao mesmo homem por decreto rabínico enquanto ela viver; fazer yibum diretamente com qualquer uma das duas, sem chalitzá prévia, também não funciona, porque talvez essa não seja realmente sua cunhada, e ele estaria incorrendo na proibição de tomar a irmã de uma mulher que lhe é vinculada por yibum. Só a chalitzá com ambas resolve a dúvida sem risco algum.
Rashi confirma o mecanismo exato: quando um dos dois irmãos faz chalitzá primeiro com uma das mulheres, o segundo pode então fazer yibum livremente com a outra — se ela for realmente sua cunhada, o yibum é válido normalmente; e se for, na verdade, a irmã de sua cunhada, ainda assim não há transgressão, porque a chalitzá do primeiro irmão já extinguiu qualquer zika que pudesse recair sobre a irmã dela. Rashi confirma também que, se os irmãos já se anteciparam e desposaram as mulheres antes de consultar o tribunal, o casamento permanece válido e não se desfaz.