A que recusa o marido, ele é permitido às suas parentes, e ela é permitida aos parentes dele, e não a desqualificou da kehuná. Deu-lhe um get, ele é proibido às suas parentes, e ela é proibida aos parentes dele, e a desqualificou da kehuná. Deu-lhe um get e a recuperou, recusou-o e casou com outro e ficou viúva ou se divorciou, é permitida a voltar a ele. Recusou-o e a recuperou, deu-lhe um get e casou com outro e ficou viúva ou se divorciou, é proibida a voltar a ele. Este é o princípio: get depois de mi'un, é proibida a voltar a ele; mi'un depois de get, é permitida a voltar a ele. — A mishná primeiro contrasta os dois mecanismos de saída em suas consequências mais básicas: o mi'un, por não envolver reconhecimento de casamento pleno, deixa livres as relações de parentesco de ambos os lados, e não impede que ele, se for cohen, se case novamente com ela caso venha a se divorciar de outra esposa; o get, ao contrário, trata-a como esposa plena divorciada, com todas as restrições que isso implica, inclusive a proibição de um cohen se casar com sua própria divorciada. Depois vem o caso mais complexo: se ele a divorciou por get, recuperou-a, e ela então o recusou por mi'un — o mi'un revela retroativamente que ela era menor, e por isso o get original perde sua força, permitindo-lhe voltar a ele mesmo depois de casar com outro homem. Mas, se a ordem for invertida — mi'un primeiro, depois get na segunda união —, ela permanece proibida a voltar, como qualquer divorciada comum. O princípio final resume: get depois de mi'un mantém a proibição de retorno normal da Torá; mi'un depois de get a cancela.
É exatamente essa proibição da Torá — de um homem recuperar sua ex-esposa depois que ela se casou com outro — que está no centro do caso complexo desta mishná: a divorciada plena nunca pode voltar ao primeiro marido depois de um segundo casamento, mas a menor que saiu por mi'un nunca foi, do ponto de vista da Torá, verdadeiramente "esposa" a ponto de essa proibição se aplicar a ela. Por isso, quando o mi'un ocorre depois do get, ele revela retroativamente que todo o "casamento" era apenas rabínico, e o get que o dissolveu nunca teve força plena — logo, a proibição bíblica de retorno simplesmente não se ativa, e ela pode voltar ao primeiro marido mesmo tendo se casado com outro. Mas quando o get vem depois do mi'un, na segunda união, esse get sim tem força plena — pois, àquela altura, ela já havia se firmado como mulher casada por direito — e a proibição de Devarim se aplica normalmente.
Rambam, no Perush HaMishná, resume o princípio geral aplicado ao caso concreto desta mishná.
Rambam liga diretamente esta mishná ao princípio de Rabi Eliezer ben Yaakov da mishná anterior: quando o homem foi a causa da retenção — expressa aqui pelo fato de que, em vez de mi'un, ele precisou lhe dar um get formal —, ela é tratada como esposa plena, e ele fica proibido de se casar com as parentes dela. Mas quando ela mesma o recusou, sem qualquer obstrução da parte dele, é como se nunca tivesse sido sua esposa, e ele permanece livre para se casar com as parentes dela normalmente.
Bartenura explica por que o mi'un posterior consegue anular o get anterior; Rashi, na Guemará, traz a razão prática — o receio da confusão popular — por trás dessa regra.
Bartenura resolve a aparente dificuldade: se ela já havia se divorciado dele uma primeira vez e não tivesse voltado a ele, casando-se diretamente com outro e enviuvando, estaria proibida a retornar ao primeiro. Mas, ao voltar para ele antes disso, e só então recusá-lo por mi'un, o próprio ato do mi'un revela que ela é menor e que aquele get original nunca teve força plena de dissolução conjugal segundo a Torá — cancelando-o retroativamente. Assim, a segunda saída dela dele, feita por mi'un, não é equiparada ao caso de um homem que recupera sua divorciada depois que ela já se casou com outro — pois, tecnicamente, nunca houve um divórcio pleno para começar.
Rashi explica por que o mi'un feito contra o segundo marido não anula o get do primeiro — mesmo que, à primeira vista, o mesmo raciocínio devesse se aplicar: como ela já conhece bem os gestos e sinais do primeiro marido, existe um receio concreto de que ele a manipule para recusar o segundo casamento e voltar para ele, revertendo assim um divórcio que era, de fato, pleno. Já quando o mi'un é feito diretamente contra o próprio homem que a divorciou e depois a recuperou, esse receio de manipulação não se aplica — pois, se ele já a havia divorciado, sinal de que não conseguiu convencê-la a ficar, é implausível que a tenha manipulado a recusá-lo justamente depois de recuperá-la.