Cinco mulheres cujos filhos se misturaram: quando os misturados cresceram, casaram e morreram, quatro fazem chalitzá a uma das viúvas, e um faz yibum com ela. Ele e mais três fazem chalitzá a outra, e um faz yibum. Encontram-se quatro chalitzot e um yibum para cada uma delas. — Como nenhum dos cinco homens sabe com certeza de qual das cinco mães nasceu, cada um deles é, para cada uma das cinco viúvas, um possível cunhado — filho de uma das outras quatro mulheres cujo marido morreu. Se um deles simplesmente casasse com uma das viúvas sem mais, haveria o risco real de ela ser, na verdade, sua cunhada plena, e ele estaria tomando uma yevamá la-shuk, uma cunhada "solta no mercado" sem yibum nem chalitzá formal — proibição grave. Por isso, o procedimento exige que primeiro quatro dos cinco homens façam chalitzá com a viúva, eliminando a dúvida quanto a cada um deles individualmente; só então o quinto pode fazer yibum com ela, pois, seja ele o cunhado verdadeiro (e então cumpre a mitzvá) ou não (e então ela já está livre pela chalitzá dos outros), o casamento é válido de qualquer forma. O mesmo procedimento se repete, com os papéis trocados, para cada uma das cinco viúvas — resultando em vinte atos ao todo: quatro chalitzot e um yibum, cinco vezes.
Esta mishná não introduz uma nova fonte bíblica: ela aplica, a um caso extremo de dúvida múltipla, a proibição fundamental de yevamá la-shuk — a cunhada que fica "solta", sem ser liberada formalmente por yibum ou chalitzá, e que por isso não pode ser tomada por qualquer outro homem enquanto sua condição permanecer indefinida. A engenhosidade do procedimento das "quatro chalitzot e um yibum" está exatamente em cumprir essa exigência apesar da incerteza: ao eliminar sucessivamente a possibilidade de cada homem individual ser o cunhado verdadeiro através da chalitzá, o quinto pode enfim tomá-la em yibum com segurança halachica plena, sem nunca ter havido, em nenhum momento, uma cunhada verdadeira "solta no mercado".
Rambam detalha a ordem exata do procedimento e por que a chalitzá deve necessariamente preceder o yibum em cada rodada.
Rambam esclarece que a mishná pressupõe cinco filhos certos, um de cada mulher, e explica a lógica "ממה נפשך" (de qualquer modo) que garante a validade do casamento final: se este quinto homem é de fato o cunhado da viúva, ele cumpre a mitzvá de yibum; se não é, ela já foi liberada pela chalitzá dos outros quatro, e ele a toma como qualquer homem livre toma uma mulher livre. Rambam insiste que a ordem — primeiro as quatro chalitzot, depois o yibum — não é incidental, mas essencial: inverter a ordem arriscaria consumar um yibum antes que a condição de yevamá la-shuk da mulher fosse resolvida para todos os candidatos possíveis.
Bartenura detalha passo a passo o procedimento das quatro chalitzot e um yibum, repetido para cada uma das cinco viúvas; Rashi, na Guemará, explica por que a ordem entre chalitzá e yibum é indispensável.
Bartenura observa uma alternativa teoricamente válida — os quatro poderiam fazer chalitzá com todas as cinco viúvas de uma vez, e um único homem entre os cinco casar com todas — mas explica por que a Guemará prefere o procedimento rotativo descrito na mishná: dessa forma, existe a chance real de que, em pelo menos uma das cinco rodadas, o homem que faz yibum seja de fato o cunhado verdadeiro daquela viúva específica, cumprindo a mitzvá autêntica de yibum e não apenas um casamento comum após chalitzá alheia. O procedimento rotativo maximiza, portanto, a probabilidade estatística de que a mitzvá seja genuinamente cumprida ao menos uma vez entre as cinco.
Rashi confirma, a partir da própria Guemará, que a ordem entre chalitzá e yibum não é uma preferência entre alternativas equivalentes, mas uma exigência estrita: "especificamente chalitzá de todos os quatro certos, e só depois yibum pelo quinto". Ele explica que a preocupação central é o risco de "pegar" uma yevamá la-shuk — se o yibum fosse feito antes de esgotadas as chalitzot dos outros candidatos possíveis, haveria o perigo real de consumar um casamento com uma mulher que, para aquele homem específico, ainda não estava halachicamente livre. É esse cuidado processual, e não apenas a preferência por multiplicar a chance de cumprir a mitzvá genuína, que fixa a ordem exata descrita na mishná.