Quinze mulheres eximem suas rivais, e as rivais de suas rivais, da chalitzá e do yibum, até o fim do mundo. E são estas: sua filha; a filha de sua filha; a filha de seu filho; a filha de sua esposa; a filha do filho dela; a filha da filha dela; sua sogra; a mãe de sua sogra; a mãe de seu sogro; sua irmã por parte de mãe; a irmã de sua mãe; a irmã de sua esposa; a esposa de seu irmão por parte de mãe; a esposa de seu irmão que não existia em seu mundo; e sua nora — eis que estas eximem suas rivais, e as rivais de suas rivais, da chalitzá e do yibum até o fim do mundo. E todas elas, se morreram, ou recusaram (miun), ou se divorciaram, ou foram encontradas ailonit, suas rivais são permitidas. E não podes dizer, quanto à sua sogra, à mãe de sua sogra e à mãe de seu sogro, que foram encontradas ailonit ou que recusaram. — A mishná abre a massechet definindo quinze graus de parentesco tão próximos que, se uma dessas mulheres fosse a esposa do irmão falecido sem filhos, ela jamais poderia ser tomada em yibum por seu cunhado, por ser-lhe proibida como parente. Mais que isso: se esse irmão tinha, além dela, outra esposa — a "rival" —, a proibição que recai sobre a parente se estende também à rival, isentando-a por completo do vínculo levirato, e essa isenção se propaga a quantas rivais houver, mesmo através de vários irmãos sucessivos. A mishná fecha esclarecendo que essa isenção só vale enquanto a parente proibida estava de fato casada com o irmão no momento de sua morte: se ela já havia morrido antes dele, ou recusara o casamento quando menor, ou fora divorciada, ou se descobriu ser fisicamente incapaz de gerar — a "ailonit" —, então, nesses casos, a proibição nunca chegou a se efetivar sobre a rival, que permanece obrigada ao yibum normalmente. A ressalva final nota que essa cláusula final não se aplica a três das quinze — a sogra e as duas avós por afinidade —, pois estas só se tornam parentes dele através do próprio casamento com a esposa, e portanto não podem ter "recusado" nem ser descobertas ailonit antes desse casamento.
O verso, proibindo tomar como rival a irmã de uma esposa já casada, é lido pela Guemará como a fonte de toda a categoria da rival isenta. A palavra incomum "litzror" (para rival) é entendida como abrangendo não apenas a própria irmã proibida, mas também sua rival — e a forma dobrada da raiz ("litzror", com duas letras resh) estende a isenção ainda à rival da rival. Embora o verso fale especificamente da irmã da esposa, a Guemará aplica o mesmo princípio, por analogia, às demais catorze relações proibidas listadas na mishná: onde quer que uma dessas mulheres fosse a esposa do irmão falecido, sua rival compartilha da mesma isenção.
Rambam codifica o princípio geral: assim como a parente proibida está isenta da chalitzá e do yibum, também sua rival está isenta, sem que nenhum vínculo levirato recaia sequer sobre a "casa" daquele casamento.
Rambam codifica: quando o irmão de alguém morre e deixa duas esposas, uma delas proibida por parentesco e a outra não, então, assim como a parente proibida está isenta da chalitzá e do yibum, também sua rival está isenta, e nenhum vínculo levirato chega sequer a recair sobre essa "casa" — ou seja, o próprio elo jurídico que ligaria o sobrevivente a esse casamento nunca se forma, e não apenas a obrigação específica de tomá-la em casamento.
Rambam expõe os quatro princípios que regem toda a massechet antes de comentar a mishná; Bartenura detalha cada uma das quinze relações; Rashi, na Guemará, situa a fonte e a extensão da isenção "até o fim do mundo".
Antes de entrar no comentário propriamente dito, Rambam antepõe quatro princípios necessários para compreender toda a massechet. O primeiro: quando um irmão morre sem filhos e deixa várias esposas, apenas uma delas precisa de chalitzá ou yibum, pois "uma casa ele constrói, e não duas". O segundo: quando a esposa do falecido é proibida ao cunhado sobrevivente por ser sua própria parente, ele não pode tomá-la em yibum. O terceiro — o que fundamenta esta mishná — é que, quando o falecido deixou várias esposas e uma delas é parente proibida do cunhado vivo, este não pode tomar em yibum nem essa mulher, nem nenhuma das demais rivais dela, pois a proibição se estende a toda a "casa" daquele casamento.
Bartenura explica a fórmula de abertura: se uma dessas quinze estava casada com o irmão, e ele tinha ainda outra esposa, e morreu sem filhos, ambas ficam isentas — como se lê no verso "não tomarás uma mulher para rival de sua irmã". A palavra "litzror" ensina que a proibição alcança tanto a parente quanto sua rival, e a forma repetida da raiz estende a isenção também à rival da rival, e assim sucessivamente. Sobre cada uma das quinze, Bartenura detalha a origem: por exemplo, "sua filha" refere-se à filha nascida de uma relação forçada (fora do casamento), pois a filha nascida da própria esposa já está incluída sob "a esposa e sua filha"; e a "esposa do irmão que não existia em seu mundo" é o caso de um irmão nascido somente depois da morte do primeiro, que nunca chegou a "viver junto" com ele, condição exigida pelo verso do yibum — por isso a viúva do primeiro permanece proibida a ele para sempre, como esposa de irmão com quem nunca houve convivência simultânea.
Rashi observa, já na abertura da massechet, que o próprio final da mishná explica o que "eximem suas rivais" significa: se uma dessas quinze estava casada com o irmão, que tinha outra esposa, e ele morreu sem filhos, ambas ficam isentas — e o fundamento dessa regra é desenvolvido ao longo da Guemará. Sobre a expressão "as rivais de suas rivais, até o fim do mundo", Rashi nota que a própria mishná se encarrega de explicar, mais adiante, como essa cadeia de isenção se propaga através de sucessivos casamentos. Sobre o caso da "esposa do irmão que não existia em seu mundo" (Yevamot 2b), Rashi detalha o cenário clássico: um irmão morre sem filhos, e só depois de sua morte nasce um novo irmão; se um irmão do meio faz o yibum e depois também morre sem filhos, a viúva original permanece proibida ao irmão mais novo para sempre, pois nunca houve, entre ele e o primeiro falecido, o "viverem juntos" que a Torá exige para que o vínculo de yibum se estabeleça — e, por essa mesma proibição, também a rival dela fica isenta.