Uma seá de teruma que caiu em cem (seá de produto comum, sendo então retirada uma seá da mistura, como se ensinou nas mishnayot anteriores), e ele a levantou (essa seá retirada) e ela caiu em outro lugar (em outro monte de produto comum, em quantidade menor que cem): Rabi Eliezer diz: torna medumá como teruma certa (Rabi Eliezer, fiel ao seu princípio de que "a seá que caiu é a seá que se eleva", trata a seá retirada como se fosse, integralmente, uma seá de teruma verdadeira e completa — de modo que, ao cair em menos de cem no segundo lugar, torna toda aquela nova mistura medumá por completo, como se uma seá inteira de teruma tivesse caído ali). Mas os sábios dizem: só torna medumá na proporção (os sábios, consistentes com sua posição anterior de que a seá retirada não é a teruma original, mas apenas uma seá "representativa" contendo, na realidade, só uma centésima parte de teruma verdadeira — calculam o efeito da segunda queda proporcionalmente a essa fração real, e não como se fosse uma seá inteira de teruma).
Esta mishná retoma o debate entre Rabi Eliezer e os sábios sobre a identidade da seá retirada, aplicando-o agora a uma segunda queda, e introduz o princípio do cálculo proporcional que orientará o restante do perek.
Por que Rabi Eliezer trata a seá retirada como teruma certa e integral, enquanto os sábios insistem no cálculo proporcional? Este debate é a continuação natural do que já apareceu nas mishnayot 5:2 e 5:4: Rabi Eliezer sustenta consistentemente que, uma vez que uma seá é retirada de uma mistura de cem para representar a teruma que caiu, essa seá retirada carrega plenamente a identidade e o "peso" de uma seá de teruma verdadeira — não importa quão diluída estivesse originalmente dentro da mistura de cem partes. Por isso, se essa seá cai novamente, em outro lugar, ele a trata como se fosse teruma certa, capaz de tornar medumá toda uma nova mistura de até noventa e nove partes de produto comum. Os sábios, em contrapartida, aplicam aqui o mesmo raciocínio aritmético que caracteriza toda a abordagem deles ao longo do perek: a seá retirada, tendo sido originalmente uma mistura de cem partes de produto comum para uma parte de teruma, contém, na realidade, apenas uma centésima parte de teruma genuína. Por isso, ao cair essa seá em um novo lugar, o efeito de tornar medumá deve ser calculado proporcionalmente a essa fração real — e não como se fosse uma seá inteira de teruma. Este princípio de "cálculo proporcional" (לְפִי חֶשְׁבּוֹן) será a base explícita da mishná seguinte, e um pilar de todo o tratamento haláchico do medumá.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado ao princípio do cálculo proporcional — decidindo como os sábios.
O Rambam decide como os sábios contra Rabi Eliezer: a seá retirada só torna medumá o novo local na proporção real de teruma que efetivamente contém — uma centésima parte —, e não como se fosse uma seá inteira de teruma certa.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Segundo a proporção": significa que a seá de teruma que caiu em cem, e foi retirada, considera-se que nela não há teruma certa, senão uma parte de cem de uma seá — pois ela se misturou em cem seá. E se caiu em outro lugar junto com apenas uma seá, não torna medumá, pois dizemos que uma parte de cem de uma seá caiu numa seá, e isso não torna medumá, mas eleva-se na proporção de um para cem. E se se misturou em menos de uma seá, então se torna medumá. E a lei não segue Rabi Eliezer.
"Como teruma certa": Rabi Eliezer segue seu princípio, segundo o qual "eu digo que a seá que caiu é a seá que se eleva".
"Só torna medumá segundo a proporção": pois a seá que ele retirou não contém senão uma parte de cem de teruma, sendo o restante produto comum.