Uma seá de teruma que caiu na boca do celeiro e coagulou (formou uma crosta compacta na superfície, sem penetrar e se misturar naturalmente com o grão abaixo). Rabi Eliezer diz: se há na crosta coagulada cem seín (ou seja, se a crosta formada, por si só ou em combinação com o grão diretamente sob ela, já perfizer cem partes), ela se eleva em cento e um (aplica-se a regra normal de bittul, e a teruma se anula proporcionalmente). E Rabi Yehoshua diz: não se eleva (por ter coagulado e formado uma massa separada, a crosta não pode ser tratada como misturada organicamente com o restante do celeiro, e por isso a regra de bittul, que pressupõe mistura real, não se aplica). Uma seá de teruma que caiu na boca do celeiro (antes de ser tratada de qualquer modo): deve-se coagulá-la (é recomendável, como procedimento padrão, fazer com que ela forme uma crosta compacta e visível, em vez de deixá-la se espalhar e se diluir livremente no grão). E, se assim é (se, de qualquer modo, a lei reconhece que a teruma se eleva em cento e um quando misturada), por que disseram que a teruma se eleva em cento e um (qual é, então, a razão de recomendar sempre a coagulação, se a regra geral de bittul já resolveria o problema de qualquer forma)?
Esta mishná introduz uma nova dimensão à discussão do medumá: a questão de saber se a proximidade física (mistura real) ou a mera proporção numérica é o critério decisivo para o bittul — e a recomendação prática de "coagular" a teruma caída como precaução preferível.
Por que se recomenda "coagular" a teruma caída na boca do celeiro, ao invés de deixá-la se misturar naturalmente com o grão? A resposta a essa pergunta — que a própria mishná formula explicitamente ao final — revela a lógica prática por trás da halachá: se a teruma se espalhasse livremente pelo celeiro, sem qualquer controle, ela se misturaria de modo irregular e imprevisível, tornando quase impossível calcular com precisão quanto produto está de fato contaminado e em que proporção. Ao coagular a teruma — fazendo-a formar uma crosta visível e localizada — cria-se uma unidade concreta e delimitada, cuja proporção em relação ao produto imediatamente ao redor pode ser calculada com clareza, permitindo a aplicação confiável da regra de "cento e um" apenas onde ela realmente se aplica, e preservando o restante do celeiro, mais distante, como inequivocamente permitido. A resposta completa a essa pergunta viria a compor o restante da mishná (na continuação não preservada nesta versão do texto), explicando como a coagulação, embora crie uma massa localizada, ainda pode "se elevar" com o produto imediatamente adjacente segundo Rabi Eliezer.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado ao procedimento de precaução com teruma que cai sobre produto comum e ao seu tratamento apropriado.
O princípio de que se deve manter a teruma controlada e claramente delimitada — em vez de deixá-la se dispersar de modo incerto — é o mesmo espírito que sustenta a recomendação, nesta mishná, de "coagular" a teruma caída na boca do celeiro em vez de permitir que se misture livremente.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Coagular" significa que a coisa se junta e se adensa num único lugar, sem se dispersar. E quando uma seá de teruma caiu na boca do celeiro, que está cheio de trigo, e se juntou no ponto de sua queda sem se dispersar pelo restante do trigo, disse Rabi Eliezer que, se naquela massa coagulada havia cem seín de trigo comum reunidas ali, a teruma se anula nelas na proporção de cento e um. E Rabi Yehoshua diz que isso não ajuda, pois não é costume da massa coagulada se misturar com o restante do trigo, e não é correto considerá-la como misturada com todo o celeiro. E a lei não segue Rabi Eliezer.
Mas é correto, quando cai teruma na boca do celeiro, coagulá-la em seu lugar, para que não se misture com todo o celeiro e assim aumente o tevel (a quantidade de produto que se tornaria proibida por contato). E se perguntares: se assim é, como dissemos que a teruma se eleva em cento e um, e por que então não conhecemos sempre a mistura da teruma em todo o produto comum? — já explicamos que isso não vale para a massa coagulada, mas apenas quando ela se mistura com todo o celeiro em sua totalidade.
"E coagulou": reuniu-se e adensou-se num único lugar, sem se dispersar pelo restante do trigo.
"Se há na crosta coagulada cem seín": se naquele lugar onde a teruma se reuniu havia cem seín de produto comum.
"Ela se eleva em cento e um": pois é como se estivesse misturada com elas.
"E Rabi Yehoshua diz: não se eleva": pois não é costume da massa coagulada se misturar com o restante do trigo, e não se deve considerá-la como misturada com todo o celeiro. E a lei segue Rabi Yehoshua.
"Deve-se coagulá-la": faz bem quem deixa a teruma que caiu num único lugar e não a dispersa, para que não aumente o tevel.
"E, se assim é, por que disseram que a teruma se eleva em cento e um?": se a coagulação não ajuda a elevá-la, mas apenas quando se mistura com todo o celeiro, por que então instruem coagulá-la? E a resposta a esta pergunta virá na próxima mishná.