Ervilhacas de teruma (carshin — uma leguminosa cujo uso principal é como ração animal, embora tecnicamente também comestível por humanos em situações extremas), alimenta-se com elas o gado, e os animais selvagens, e as galinhas (pois, sendo seu uso primário animal, a teruma de carshin pode ser dada diretamente aos animais do próprio cohen, sem que isso constitua desperdício de alimento humano). Um israelita que alugou uma vaca de um cohen (pagando pelo uso temporário do animal, mas sem adquirir sua propriedade), pode alimentá-la com ervilhacas de teruma (pois, mesmo alugada, o corpo da vaca continua pertencendo ao cohen — e a teruma dada a um animal que pertence a um cohen não constitui perda, já que o próprio cohen se beneficia da alimentação de seu animal). E um cohen que alugou uma vaca de um israelita, embora sua alimentação esteja a cargo dele (mesmo que o contrato de aluguel obrigue o cohen a arcar com os custos de ração), não deve alimentá-la com ervilhacas de teruma (pois, apesar de o cohen estar pagando pela alimentação, o corpo do animal continua pertencendo ao israelita — e dar teruma a um animal que não é propriedade de um cohen constitui perda proibida da teruma, mesmo que indiretamente beneficie um cohen através do aluguel). Um israelita que avaliou uma vaca com um cohen (um acordo de parceria em que se estima o valor do animal e se dividem os lucros de sua futura engorda e venda), não deve alimentá-la com ervilhacas de teruma (pois, uma vez avaliada e aceita pelo israelita nesses termos, a vaca é considerada, para efeitos práticos, propriedade do israelita). E um cohen que avaliou uma vaca com um israelita, alimenta-a com ervilhacas de teruma (pois, pelo mesmo raciocínio invertido, a vaca avaliada é considerada propriedade do cohen desde o momento da avaliação).
O critério que decide as quatro combinações desta mishná deriva diretamente da definição bíblica de quem tem direito de "adquirir" (kinyan kaspo) e consumir a teruma — não apenas o próprio cohen, mas tudo o que legalmente lhe pertence, incluindo seus animais.
Por que o critério decisivo é sempre a propriedade do corpo do animal, e não quem paga por sua alimentação? A mishná ilustra, com quatro variações cuidadosamente construídas, que a halachá segue rigorosamente a letra do princípio de "kinyan kaspo" (aquisição por seu dinheiro), e não uma lógica de benefício econômico geral. No caso do aluguel, o israelita que aluga a vaca de um cohen pode alimentá-la com teruma — mesmo pagando ele mesmo pelo aluguel — porque o corpo do animal continua pertencendo ao cohen durante o período de aluguel, e o proveito da alimentação reverte, em última análise, ao dono. Já o cohen que aluga a vaca de um israelita não pode alimentá-la com teruma, mesmo que ele mesmo arque com os custos de ração — pois o animal não é sua propriedade, apenas seu uso temporário. A avaliação (shuma) inverte essa lógica precisamente porque transfere, para efeitos práticos, a propriedade do animal à parte que o recebe em avaliação — por isso, quando o cohen recebe a vaca em avaliação de um israelita, ela passa a ser considerada "sua", e pode alimentá-la com teruma; e quando o israelita a recebe em avaliação de um cohen, ela deixa de ser considerada do cohen, e não pode ser alimentada com teruma.
O Rambam trata o uso de carshin e tiltan de teruma como ração animal em Hilchot Terumot, no contexto de produtos que, não sendo alimento humano principal, recebem tratamento mais flexível.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Tarnegolin" é termo conhecido que se aplica tanto aos machos quanto às fêmeas dessa espécie (galinhas e galos). E é sabido que, quando o cohen adquire um animal, ele pode alimentá-lo com teruma, conforme a palavra do Nome, exaltado seja (Vayikrá 22:11): "e o cohen, quando adquirir uma pessoa, aquisição de seu dinheiro" (o versículo é lido como abrangendo também animais adquiridos). E por isso, quando aluga o animal, não o alimenta com teruma, pois não é aquisição de seu dinheiro.
"E um israelita que avaliou uma vaca com um cohen": isto é, que o israelita a adquire do cohen por um valor determinado, e combina com ele que o israelita cuidará de sua alimentação até um tempo determinado, e depois venderão a vaca, e tudo o que lucrarem além do valor combinado entre eles, dividirão igualmente — como é permitido fazer segundo a lei... E este é o sentido de "avaliou", pois "shumá" na linguagem dos sábios é como "medida" (estimativa de valor); e estes dois, o israelita e o cohen, avaliam o valor deste animal, e sabem quanto vale agora, e o engordam, e sabem quanto ele aumenta de valor. E, como este israelita a adquiriu do cohen, ainda que reste ao cohen sua parte no lucro, ela não come da teruma, pois não é aquisição de seu dinheiro. E se o cohen a adquiriu do israelita pelo mesmo caminho que mencionamos, eis que ela come da teruma.
"Ervilhacas de teruma": sua função primária é alimento animal, pois se sua função primária fosse alimento humano, seria proibido alimentar delas o gado. E, de todo modo, elas servem em alguma medida para consumo humano, pois se não servissem absolutamente a humanos, não se separaria delas teruma e dízimos (o Bartenura explica a razão pela qual as ervilhacas, apesar de destinadas principalmente ao gado, ainda estão sujeitas à teruma: sua comestibilidade humana marginal é suficiente para essa obrigação, mas insuficiente para restringir seu uso como ração).
"Alimenta-a com ervilhacas de teruma": uma vez que o corpo do animal pertence ao cohen, ainda que sua alimentação esteja a cargo do israelita. E não há aqui roubo, pois, se quisesse, o cohen daria a teruma ao dono da vaca (o argumento é que o cohen, tendo pleno direito à teruma, escolhe voluntariamente aplicá-la à alimentação do próprio animal, o que beneficia indiretamente o israelita que paga pela ração — mas essa não é a razão legal da permissão, apenas uma justificativa adicional de que não há prejuízo a ninguém)...
"Não deve alimentá-la com ervilhacas de teruma": já que o corpo da vaca pertence ao israelita, pois está escrito (Vayikrá 22): "e o cohen, quando adquirir uma pessoa, aquisição de seu dinheiro" — e "pessoa" (néfesh) inclui até mesmo a alma de um animal.