Um celeiro (meguerá — um espaço de armazenamento de grãos) do qual se esvaziou o trigo de teruma (retirando-se todo o trigo consagrado que ali estava guardado): não se obriga o dono a ficar sentado catando (os grãos residuais que restaram espalhados pelo chão do celeiro) um a um, mas varre-o do modo costumeiro (com a vassoura, como faria normalmente ao limpar qualquer espaço de armazenamento), e coloca ali produto comum (chulin, sem necessidade de garantir a remoção absoluta de cada grão individual de teruma que possa ter restado — os poucos grãos residuais que se misturarem ao chulin não invalidam essa mistura, pois estão abaixo do limiar de preocupação prática).
Esta mishná ilustra o princípio de que a obrigação de zelar pela teruma e evitar sua mistura indevida com chulin (medumá) tem limites de razoabilidade prática, não exigindo um padrão de diligência sobre-humano.
Por que a lei não exige uma limpeza exaustiva, grão a grão? O princípio subjacente é que a halachá de teruma, embora rigorosa quanto à proibição de misturar deliberadamente ou de desperdiçar teruma substancial, não transforma seus praticantes em investigadores obsessivos de cada partícula residual. Um celeiro que armazenou trigo de teruma por um período prolongado naturalmente retém alguns grãos presos a fendas, cantos e superfícies irregulares — e exigir que o dono os localize e remova um a um seria uma exigência impraticável e desproporcional ao risco real de mistura. A mishná estabelece, portanto, que o padrão de conduta esperado é o mesmo que qualquer pessoa razoável aplicaria à limpeza de seu próprio espaço — "varrer do modo costumeiro" —, e este padrão, embora não elimine cada resíduo, é suficiente para permitir o uso subsequente do celeiro para produto comum, sem que os traços residuais de teruma invalidem essa nova função.
O Rambam codifica esta lei em Hilchot Terumot, junto ao caso paralelo do barril de azeite derramado, tratado na mishná seguinte.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Varre-o do modo costumeiro": quer dizer, que ele varre do mesmo modo que as pessoas costumam varrer os armazéns quando os esvaziam das coisas que ali guardaram (o Rambam enfatiza que o padrão de conduta exigido é simplesmente o comportamento social normal e esperado, sem qualquer exigência técnica ou halachicamente especial além disso).
"Meguerá": um armazém no qual se guardam grãos. "Varre-o do modo costumeiro": do mesmo modo que se costuma varrer os armazéns quando são esvaziados (confirmando a mesma explicação do Rambam: o padrão é o do costume comum, não um padrão técnico especial de precisão).