Mas não é também a oferenda voluntária uma olá? Qual é a diferença entre as palavras de Rabi Elazar e as palavras dos sábios? Antes, quando ela vem como obrigação, ele apoia as mãos sobre ela e traz por ela libações, e suas libações são suas; e se for sacerdote, o serviço dela e seu couro são seus. E quando ela vem como oferenda voluntária, ele não apoia as mãos sobre ela e não traz por ela libações, e suas libações são da comunidade; ainda que seja sacerdote, o serviço dela e seu couro são dos homens do turno sacerdotal.
— Esta mishná é, na verdade, a continuação direta da anterior: um interlocutor pergunta por que Rabi Elazar e os sábios discordam sobre se o valor da venda deve comprar uma olá individual ou uma olá voluntária comunitária, já que ambas são, afinal, chamadas de “olá” — qual seria, então, a diferença prática entre elas? A mishná responde detalhando quatro diferenças concretas. Quando a olá vem como obrigação pessoal do dono — posição de Rabi Elazar — o próprio dono apoia as mãos sobre a cabeça do animal antes do abate, como em toda oferenda individual; ele mesmo custeia e traz as libações de vinho, farinha e óleo que a acompanham; e, se o dono for sacerdote, tanto o direito de realizar o serviço no altar quanto o couro do animal pertencem a ele pessoalmente. Já quando a olá vem como oferenda voluntária da comunidade — posição dos sábios — não há apoio de mãos, pois oferendas comunitárias não o exigem; as libações são custeadas pelo tesouro público, não pelo antigo dono; e mesmo que o dono original seja sacerdote, o direito ao serviço e ao couro pertence aos sacerdotes do turno de serviço daquela semana, e não a ele individualmente, pois o animal já não lhe pertence mais.
Rambam considera esta mishná suficientemente clara por si mesma, à luz de tudo o que já explicou nas mishnayot anteriores sobre a natureza das oferendas de obrigação e voluntárias, dispensando comentário adicional.
Bartenura confirma que a mishná é a explicação da própria Guemará à pergunta óbvia — se ambas se chamam “olá”, qual a diferença prática entre elas. Contextualiza o exemplo concreto por trás da mishná: um dono que separou um animal para oferenda de culpa e depois se expiou com outro; o primeiro animal é posto a pastar, vendido, e seu valor compra uma olá — que pode vir como obrigação individual (opinião de Rabi Elazar) ou como voluntária comunitária (opinião dos sábios). No primeiro caso, o antigo dono — se for sacerdote — tem direito ao serviço e ao couro mesmo que não seja seu turno de serviço naquela semana, pois é sua oferenda pessoal. No segundo caso, não há apoio de mãos, pois oferendas comunitárias não o exigem; e o serviço e o couro pertencem exclusivamente aos sacerdotes do turno daquela semana, com base no versículo que reserva a cada turno sacerdotal sua porção — “além do que cada um vende entre os grupos paternos” — um acordo mútuo entre os turnos de que cada um usufrui apenas de seu próprio sábado de serviço. A halachá segue os sábios.
Rashi lê a pergunta inicial da mishná como retórica e já concordada — “não é também a voluntária uma olá?” — servindo apenas para introduzir a explicação que se segue. Localiza o cenário concreto: o antigo dono de uma oferenda de culpa que já se expiou por outro animal, cujo primeiro animal foi liberado para o pastoreio. Sobre o direito ao serviço e ao couro na olá de obrigação, cita a fonte que permite a um sacerdote oferecer seus próprios sacrifícios a qualquer hora, independentemente do turno de serviço vigente. Explica por que a oferenda comunitária dispensa o apoio das mãos, citando as duas únicas exceções conhecidas em que uma oferenda pública recebe semichá — o touro comunitário por transgressão inadvertida e o bode enviado ao deserto em Yom Kipur. Por fim, fundamenta a exclusividade do turno sacerdotal sobre o serviço e o couro das oferendas comunitárias no versículo que reserva a cada grupo sacerdotal apenas sua própria porção, segundo o acordo mútuo estabelecido entre os turnos.