As águas de purificação só se tornam águas de purificação com a colocação da cinza. O campo com sepultura perdida não gera outro campo com sepultura perdida. Nem teruma gera outra teruma. Nem a troca gera outra troca. Nem a cria gera troca. Rabi Yehudá diz: a cria gera troca. Disseram-lhe: o consagrado gera troca; nem a cria nem a troca geram troca.
— A mishná reúne quatro leis diferentes sob um mesmo princípio comum: certas categorias não se propagam de si mesmas para gerar uma nova instância igual. As águas para a purificação da impureza de contato com um morto só recebem esse estatuto no momento exato em que a cinza da vaca ruiva é colocada sobre a água já presente no recipiente — não antes, nem ao inverso. Um campo onde se perdeu o local exato de uma sepultura (e por isso todo ele fica sob suspeita de impureza, dentro dos limites que a Guemará precisa) não faz com que os campos vizinhos, ao serem arados depois dele, também se tornem duvidosos — um único túmulo não tem força para se espalhar dessa forma. Teruma que caiu sobre produto comum e o tornou proibido não pode, por si, gerar uma segunda separação de teruma sobre o mesmo produto. E, quanto à temurá em si: um animal que já é ele mesmo a troca de outro consagrado não pode, por sua vez, gerar uma nova troca caso alguém tente trocá-lo por um terceiro animal; e a cria nascida de um animal que foi objeto de troca também não tem, para os Sábios, o poder de gerar temurá. Rabi Yehudá discorda quanto à cria: para ele, a cria sim pode gerar troca. Os Sábios respondem que apenas o próprio animal consagrado original gera troca — nem a cria, nem a troca em si, geram uma nova troca.
Rambam esclarece que a expressão “águas de purificação” só se aplica, para efeitos de pureza e impureza, ao momento em que a cinza é colocada sobre a água já presente no vaso — e não ao inverso. Sobre o beit haperas, define-o como o local onde há suspeita de impureza por contato com um morto, cujos limites exatos não foram fixados, tornando toda a área sujeita a dúvida. Ao final, faz um esclarecimento halachicamente relevante para toda a série: embora a troca não gere outra troca, a halachá é que se pode trocar repetidas vezes pelo mesmo animal originalmente consagrado — se alguém trocou por ele mil vezes, seja em sequência, seja de uma só vez com vários animais, todas as trocas são válidas, pois cada uma delas deriva diretamente da consagração original, e não da troca anterior.
Bartenura confirma que apenas o momento em que a cinza é colocada sobre a água já presente no vaso cria as águas de purificação. Sobre a temurá, cita a base textual de cada cláusula: “e sua troca será consagrada” ensina que só a própria troca, não uma troca da troca, é consagrada; “ele e sua troca” exclui a cria; e Rabi Yehudá lê a palavra “será” (yihyê) como incluindo a cria. A halachá segue os Sábios, mas Bartenura ressalva que isso não impede múltiplas trocas diretamente sobre o mesmo animal consagrado original — mil vezes, se necessário, todas válidas, pois cada uma deriva da consagração original e não de uma troca anterior.
Rashi confirma que o momento decisivo é a ordem física do ato: água primeiro no recipiente, cinza depois — e não o inverso. Sobre o beit haperas, explica com precisão o que está em jogo: uma sepultura cujo local exato se perdeu contamina, por dúvida, todo o campo onde estava, mas essa dúvida não se propaga automaticamente aos campos vizinhos apenas porque foram arados depois dele — um único túmulo não gera essa suspeita adicional (a Guemará detalha, a seguir neste mesmo daf, a medida exata de propagação quando há indício de que o arado de fato carregou ossadas). Sobre a teruma, esclarece o caso do sócio que separa teruma pela segunda vez: a segunda separação não é válida como teruma. Este comentário de Rashi continua diretamente do bloco da Guemará sobre a Mishná 1:4, pois ambas as mishnayot compartilham a mesma unidade textual no daf 12a.