E do mesmo modo, a cidade sobre a qual não caiu chuva, como está escrito: "E fiz chover sobre uma cidade, e sobre outra cidade não fiz chover; uma porção foi chovida etc." — aquela cidade jejua e clama, e todas as suas vizinhas jejuam mas não clamam. Rabi Akiva diz: clamam mas não jejuam. — O verso de Amós descreve exatamente este cenário como um sinal divino direcionado: quando a chuva cai desigualmente entre cidades próximas, a cidade privada de chuva sofre uma calamidade específica, e por isso jejua e clama com toque de shofar; as cidades vizinhas que receberam chuva também jejuam, por solidariedade e porque dependerão de comprar mantimento da cidade afetada, mas não clamam, pois a calamidade não é diretamente delas. Rabi Akiva inverte a intensidade: as vizinhas devem clamar mas não jejuar, por não estarem elas mesmas sofrendo a falta de chuva.
O verso de Amós já descreve, muitos séculos antes da mishná, o exato fenômeno regulado aqui — chuva concentrada sobre uma cidade e negada a outra — e o interpreta como advertência divina explícita, um chamado ao arrependimento que o povo não atendeu. A mishná cita este verso não apenas como fonte terminológica, mas como fundamento teológico da halachá: se a Escritura já identificou a distribuição desigual da chuva entre cidades vizinhas como sinal direcionado, então a cidade que sofre essa falta específica deve responder com jejum e clamor, tratando o evento como mensagem que lhe é dirigida. A continuação do verso, sobre cidades vizinhas que vagueiam em busca de água sem se saciar, explica por que também as cidades ao redor — que dependerão do comércio de mantimentos com a cidade seca — têm um papel de resposta, ainda que mais leve, na halachá que a mishná constrói sobre este texto profético.
Bartenura explica o motivo econômico da resposta das cidades vizinhas, e lembra que a halachá, como em todo este perek, não segue Rabi Akiva.
"E todas as suas vizinhas jejuam" — porque aquela cidade sobre a qual não caiu chuva irá comprar mantimento na cidade sobre a qual choveu, e assim haverá fome também nesta, ao ver seus estoques consumidos pela cidade vizinha necessitada; por isso as cidades ao redor também jejuam, embora não clamem, já que a calamidade não é diretamente sua.
Rashi conecta esta mishná à halachá geral de que a cidade sem chuva é tratada como maldita, remetendo diretamente ao verso de Amós citado no texto.
Esta é a versão correta do texto: "aquela cidade jejua e clama, e todas as suas vizinhas jejuam mas não clamam" — e por isso jejuam, porque aquela cidade sobre a qual não caiu chuva irá comprar o mantimento naquela outra cidade, e haverá fome também nela. "Sobre a qual não caiu chuva, como está escrito: e fiz chover sobre uma cidade, e sobre outra cidade não fiz chover, etc." — por exemplo, quando choveu nesta cidade e em sua vizinha não choveu — pois isso é maldição. Rashi ancora assim toda a halachá diretamente na leitura literal do verso de Amós: a assimetria da chuva entre cidades vizinhas não é acaso climático, mas sinal identificado como tal já pelo profeta.