Para a primeira ele diz: "Aquele que respondeu a Avraham no Monte Moriá, Ele vos responderá e ouvirá a voz de vosso clamor neste dia. Bendito és Tu, Eterno, Redentor de Israel." — A primeira, que na verdade é a extensão da bênção "Redentor de Israel" da Amidá comum, evoca a Akedá, quando Avraham foi respondido no momento supremo de provação.
Para a segunda ele diz: "Aquele que respondeu nossos pais junto ao Mar Vermelho, Ele vos responderá... Bendito és Tu, Eterno, que Se lembra do esquecido." — A segunda evoca a libertação no Mar Vermelho, encerrando com a bênção de Zichronot, pois ali D'us Se lembrou de Seu povo esquecido em Mitzrayim.
Para a terceira ele diz: "Aquele que respondeu Yehoshua em Guilgal, Ele vos responderá... Bendito és Tu, Eterno, que ouve o toque do shofar." — A terceira evoca a resposta a Yehoshua em Guilgal, junto a Yericho, e por isso encerra com a bênção de Shofarot.
Para a quarta ele diz: "Aquele que respondeu Shmuel em Mitzpá, Ele vos responderá... Bendito és Tu, Eterno, que ouve o clamor." Para a quinta: "Aquele que respondeu Eliyahu no Monte Carmelo... Bendito és Tu, Eterno, que ouve a oração." Para a sexta: "Aquele que respondeu Yoná nas entranhas do peixe... Bendito és Tu, Eterno, que responde em tempo de angústia." Para a sétima: "Aquele que respondeu David e seu filho Shlomo em Jerusalém, Ele vos responderá... Bendito és Tu, Eterno, que tem misericórdia da terra." — As quatro últimas evocam Shmuel, Eliyahu, Yoná e, por fim, David e Shlomo — cada resposta bíblica ecoando o salmo ou súplica correspondente recitado nesta mesma bênção, culminando na súplica final por misericórdia sobre a própria terra de Israel, alvo direto do jejum por chuva.
A primeira das sete bênçãos remete diretamente à Akedá — o momento em que Avraham, já com a faca erguida sobre Yitzchak, é respondido pelo anjo divino no exato instante de sua provação máxima. O nome que Avraham dá ao lugar, "o Eterno verá" — o mesmo Monte Moriá onde mais tarde se ergueria o Templo — carrega em si a ideia de que aquele local, e aquele mérito, permanecem disponíveis para gerações futuras que clamem em momento de angústia. Ao abrir a série de sete respostas históricas justamente com Avraham no Monte Moriá, a mishná estabelece o modelo de toda a sequência: cada época de Israel teve seu momento de súplica respondida, e a oração comunitária do jejum invoca essa cadeia inteira de precedentes como fundamento de sua própria esperança de resposta.
Rambam explica por que a bênção de Avraham é contada como "primeira" mesmo integrando "Redentor de Israel", e Bartenura detalha por que David precede Yoná na ordem apesar da cronologia inversa.
"Para a primeira ele diz: 'Aquele que respondeu Avraham' etc." — quando se diz "para a sétima", quer-se dizer a sétima das bênçãos que foram acrescentadas, pois já se disse que apenas seis bênçãos são de fato acrescidas. E o que ocorre é que ele acrescenta a "Redentor de Israel" uma adição, encerrando-a com "Aquele que respondeu Avraham no Monte Moriá etc." até "Redentor de Israel". E por contar "Redentor de Israel" como uma bênção adicional em razão do acréscimo feito nela, chamando-a de "primeira", o total chega a sete bênçãos: "Redentor de Israel", que já pertence às dezoito, mais as seis que foram acrescentadas.
"Para a primeira" — em "Redentor de Israel" ele começa a se estender; e ainda que ela não pertença propriamente à contagem das seis, ele a chama de "primeira" porque nela é que começa o acréscimo. "Aquele que respondeu David e seu filho Shlomo" — e ainda que Yoná, cronologicamente, tenha vivido depois de David e Shlomo, mesmo assim a mishná os antecipa, colocando-os por último na sequência das sete, porque é necessário encerrar a série de bênçãos com "que tem misericórdia da terra" — e foram precisamente David e seu filho Shlomo que oraram pela Terra de Israel.
Rashi liga cada uma das sete respostas ao salmo ou verso correspondente já citado na mishná anterior, mostrando a arquitetura interna de toda a sequência.
"E na bênção de Shofarot ele dizia: 'Aquele que respondeu Yehoshua em Guilgal'" — porque Yehoshua foi respondido com toques de shofar em Yericho, enquanto Israel ainda estava acampado em Guilgal, ligando essa resposta histórica à bênção de Shofarot. "E Eliyahu no Monte Carmelo" — em correspondência com o salmo "Levantarei meus olhos aos montes", pois Eliyahu foi respondido precisamente num monte. "Das entranhas do peixe" — em ressonância com "das profundezas Te chamei, ó Eterno", pois tanto Yoná quanto o salmista clamam de um lugar de profundeza extrema. "E quanto à sétima" — a Guemará explica: o que é a sétima? "Aquele que respondeu David" — referindo-se ao episódio em que "houve fome nos dias de David três anos, ano após ano" (Shmuel Bet 21), mostrando que cada uma das sete bênçãos foi cuidadosamente construída para ecoar o salmo ou súplica que a antecede na estrutura da oração.