A flauta, cinco ou seis dias. Esta é a flauta da Casa do Sháiva, que não suplanta nem o Shabat nem o dia de festa. — A flauta, tocada durante a celebração noturna da Casa do Sháiva (retirada de água), soava por cinco ou seis dias, conforme o calendário do ano — mas, ao contrário do lulav e da aravá no primeiro e sétimo dia respectivamente, sua execução não tinha base bíblica suficiente para suplantar o Shabat ou o próprio dia de festa, sendo por isso omitida quando um desses dias caía nesses momentos sagrados.
Disseram: todo aquele que não viu a alegria da Casa do Sháiva nunca viu alegria em sua vida. — Essa afirmação, repetida com admiração pelos Sábios, resume a magnitude da celebração que as mishnayot seguintes passam a descrever em detalhe — as tochas, os cânticos, os instrumentos e a iluminação que tomavam o Templo durante as noites intermediárias da festa de Sucot.
Embora o nome "Casa do Sháiva" derive tecnicamente do versículo de Yeshayahu, o próprio preceito subjacente — a libação da água descrita na mishná 4:9 — é, como já visto, uma halachá recebida por Moshé no Sinai, ligada por alusão a "וּנְסָכֵיהֶם" em Bemidbar 29:18. A celebração noturna que acompanhava a retirada dessa água para o Templo tornou-se, com o tempo, a mais famosa expressão pública de alegria de toda a festa — tão marcante que os Sábios a tomaram como padrão máximo de contentamento, dizendo que quem não a testemunhou nunca conheceu verdadeira alegria.
Bartenura explica por que a flauta é usada para nomear toda a celebração, apesar de outros instrumentos também estarem presentes, e detalha as circunstâncias exatas em que se tocava por cinco ou por seis dias.
"A flauta" — havia ali muitos tipos de instrumentos musicais, mas, como o som da flauta era ouvido mais que os demais, todos passaram a ser chamados em seu nome. "Cinco ou seis" — às vezes cinco, às vezes seis: se o primeiro dia da festa caía em Shabat, a flauta soava seis dias; se caía em outro dia da semana, soava cinco dias, pois não suplanta nem o Shabat nem o dia de festa. "A alegria da Casa do Sháiva" — como toda essa alegria se referia à retirada da água para a libação, chamaram-na de "alegria da Casa do Sháiva", em alusão a "e tirareis água com alegria".
O Rambam identifica o significado do termo talmúdico para "flauta", e liga o nome do local ao mesmo versículo de Yeshayahu citado por Bartenura.
"Chalil" é um dos instrumentos musicais... e havia ali muitos tipos de instrumentos de música, mas, por ser este o principal do conjunto, tudo se associou ao seu nome. E "Casa do Sháiva" é o nome do lugar que preparavam para a alegria, chamado assim por causa de "e tirareis água com alegria".