E também quanto ao bem: Miriam esperou por Moshe uma hora, como está dito: "e sua irmã se posicionou de longe" — por isso Israel se deteve por ela sete dias no deserto, como está dito: "e o povo não partiu até que Miriam fosse reunida". Yosef mereceu enterrar seu pai, e não havia entre seus irmãos maior do que ele, como está dito: "e Yosef subiu para enterrar seu pai, e subiram com ele também carros e cavaleiros". Quem há maior entre nós do que Yosef, de quem ninguém cuidou senão Moshe? Moshe mereceu os ossos de Yosef, e não havia em Israel maior do que ele, como está dito: "e Moshe tomou consigo os ossos de Yosef". Quem é maior do que Moshe, de quem ninguém cuidou senão o Onipresente, como está dito: "e Ele o sepultou no vale". E não apenas sobre Moshe disseram isso, mas sobre todos os justos, como está dito: "e irá diante de ti tua justiça, a glória do Eterno te recolherá". — Encerrando o perek, a mishná demonstra que o princípio de medida por medida não se limita ao castigo — ele opera com ainda mais generosidade no âmbito da recompensa. Miriam aguardou junto ao rio por apenas uma hora enquanto seu irmão bebê era observado pela filha de Faraó; em retribuição, todo o povo de Israel parou sua marcha pelo deserto por sete dias inteiros, aguardando sua cura da lepra. A mishná então constrói uma cadeia ascendente: Yosef, o maior entre os irmãos por ter cuidado do sepultamento de seu pai Yaakov com toda honra — inclusive com escolta militar egípcia —, foi, gerações depois, retribuído tendo seus próprios ossos cuidados por ninguém menos que Moshe, a maior figura de sua geração. E Moshe, por sua vez, que carregou pessoalmente os ossos de Yosef por todo o deserto, foi finalmente sepultado, ao fim de sua vida, pelo próprio Onipresente. A mishná fecha o perek generalizando o princípio: não apenas essas figuras específicas, mas todos os justos recebem, no fim, uma recompensa que os acompanha e os excede.
A mishná encadeia cinco versículos de diferentes livros — Shemot, Bemidbar, Bereshit, Devarim e Yeshayahu — para traçar a cadeia completa do princípio positivo.
Rambam nota que a proporção entre a boa ação e sua recompensa não é de igualdade, mas de generosa multiplicação: Miriam esperou apenas uma hora, e a Presença Divina esperou por ela sete dias inteiros — pois, como explica a tradição, a medida do bem é sempre maior em sua retribuição do que a medida do castigo. A cadeia de versículos que a mishná monta — de Shemot a Devarim, culminando em Yeshayahu — mostra como o princípio se generaliza de casos individuais específicos para uma promessa válida a "todos os justos".
Rambam e Bartenura, no Perush HaMishná e no comentário respectivamente, destacam o princípio de que a medida do bem supera, em proporção, a medida do castigo.
Rambam explica que a expressão "e também quanto ao bem" não significa uma correspondência idêntica de medida, mas sim uma correspondência de tipo, com generosa multiplicação na retribuição: se Miriam esperou apenas uma única hora junto ao rio para saber o destino de seu irmão, a Presença Divina — e, por extensão, todo o povo de Israel em sua marcha pelo deserto — esperou por ela sete dias completos quando ela foi atingida pela lepra, um exemplo concreto de como a medida do bem sempre excede, em generosidade, a medida original da ação.
Encerrando o Perek Alef, perush de Rambam e Bartenura. Rashi não foi localizado com um comentário claramente ancorado nesta mishná específica — segue-se, honestamente, apenas com os dois primeiros comentadores.
Rambam enfatiza que a palavra "assim" (וכן), com que a mishná abre, não indica uma igualdade estrita de proporção entre ação e recompensa, mas apenas uma semelhança estrutural no princípio: tanto o castigo quanto a recompensa seguem o padrão da ação original, mas a recompensa o faz de forma ampliada — o caso de Miriam, uma hora retribuída com sete dias, sendo o exemplo mais evidente dessa multiplicação.
Bartenura resume o princípio com precisão: a pessoa recebe uma recompensa da mesma natureza do bem que fez, mas paga-se a ela mais do que fez — pois a medida do bem é sempre maior, em sua retribuição, do que a medida do castigo. Esse princípio, formulado aqui ao encerrar o Perek Alef, explica por que a cadeia de recompensas da mishná cresce progressivamente: da hora de Miriam aos sete dias de Israel, do cuidado de Yosef com seu pai ao cuidado de Moshe com seus ossos, e do cuidado de Moshe por seus ossos ao cuidado do próprio Onipresente por seu sepultamento — uma escala ascendente que culmina na promessa dada a todos os justos.