Na medida em que o homem mede, medem-lhe de volta. Ela se adornou para a transgressão — o Onipresente a desfigurou. Ela se descobriu para a transgressão — o Onipresente a expôs. Na coxa começou a transgressão primeiro, e depois o ventre; por isso é a coxa que sofre primeiro, e depois o ventre. E o resto de todo o corpo não escapa. — A mishná revela o princípio subjacente a todo o procedimento descrito até aqui: medida por medida (midá keneged midá), cada elemento da humilhação pública responde exatamente ao modo como o pecado, em tese, foi cometido. Ela se enfeitou e se preparou para atrair o outro homem — e é justamente esse arranjo que o Onipresente desfaz, desfigurando-a com vestes negras e a remoção de seus adornos. Ela se expôs voluntariamente ao pecado — e é o Onipresente quem agora a expõe publicamente, diante de todos. O princípio se estende ainda ao efeito físico das próprias águas amargas: já que, na relação proibida, o contato começa pela coxa e avança ao ventre, é a coxa que primeiro sofre o castigo previsto no versículo bíblico — "fazendo cair a coxa" — e só depois o ventre, "inchando o ventre"; ainda que, ao final, seja todo o corpo que sofre as consequências, sem que nenhum órgão escape ileso.
A ordem "coxa primeiro, depois ventre" é derivada da própria ordem das palavras no versículo da maldição pronunciada pelo sacerdote.
Rambam observa que o próprio texto da Guemará, ao explicar esta mishná, nota a ordem exata das palavras no versículo da maldição: primeiro "tua coxa caindo", depois "teu ventre inchando" — refletindo a sequência real do ato proibido, em que o contato físico começa pela coxa antes de avançar. É dessa ordenação textual, e não de uma simples leitura moral, que a mishná deriva o princípio de que a punição segue exatamente a sequência do próprio pecado.
Rambam, no Perush HaMishná, conecta cada cláusula da mishná aos detalhes já descritos nas mishnayot anteriores do perek.
Rambam liga explicitamente cada frase desta mishná ao que já foi descrito nas mishnayot anteriores: "o Onipresente a desfigurou" refere-se ao conjunto já detalhado — o descobrir da cabeça, o soltar do cabelo, o rasgar das vestes e o amarrar da corda. Sobre "o resto de todo o corpo não escapa", esclarece que, embora apenas coxa e ventre sejam mencionados explicitamente pelo versículo por serem os órgãos diretamente envolvidos no ato, o dano das águas amargas, quando ela é de fato culpada, não se limita a eles — atinge, em alguma medida, todo o seu corpo.
Perush de Rambam e Bartenura. Rashi não foi localizado com um comentário claramente ancorado nesta mishná específica — segue-se, honestamente, apenas com os dois primeiros comentadores.
Rambam interpreta "ela se descobriu para a transgressão" como uma alusão ao comportamento que originou a suspeita: sentar-se abertamente às portas das casas, sem o devido recato diante dos homens, até o ponto de despertar o ciúme do marido. Sua punição espelha exatamente esse comportamento — ser exposta, agora involuntariamente, diante de homens e mulheres reunidos para o procedimento, naquilo que a mishná resume como "o Onipresente a expôs".
Bartenura resume que "o Onipresente a desfigurou" se refere ao conjunto de atos já descritos — o sacerdote descobrindo sua cabeça, soltando seu cabelo e rasgando suas vestes —, e que "o Onipresente a expôs" se refere ao momento em que ela é colocada junto ao Portão de Nicanor, com sua desonra exibida a todos os presentes. Sobre a ordem coxa-depois-ventre, explica com precisão anatômica: no ato da relação proibida, a coxa é a primeira parte do corpo a ter contato físico próximo, e por isso é ela que primeiro sofre o efeito das águas amargas, antes de o dano avançar ao ventre.