Quem colhe ervas úmidas (e as traz para casa) — até que sequem as doces (as ervas ainda úmidas e doces que restam no campo; quando estas secam, cessa o critério de "cessar no campo" tradicional, e passa a vigorar outro limite). E quem varre (colhe restos) do seco — até que caia a segunda chuva (רְבִיעָה שְׁנִיָּה — a segunda grande chuva do outono, marco que encerra definitivamente a temporada de ervas). Folhas de canas e folhas de videiras — até que caiam de seus troncos (enquanto ainda presas ao caule, mesmo murchas, continuam permitidas). E quem varre do seco — até que caia a segunda chuva (repetição que introduz o caso de folhas já secas e caídas, recolhidas do chão). Rabi Akiva diz: em todos esses casos (ervas e folhas, úmidas ou secas) — até que caia a segunda chuva (um único critério unificado para todos os casos da mishná).
Esta mishná trata de um caso particular do biur: ervas silvestres e folhagens cujo "cessar no campo" é difícil de determinar com precisão, pois secam gradualmente sem um ponto claro de desaparecimento — por isso os sábios fixaram marcos temporais objetivos, ligados às chuvas do outono.
Embora o princípio geral do biur dependa de observar quando cada espécie "cessa no campo", ervas silvestres murcham e secam gradualmente sem um momento nítido de desaparecimento total, tornando inviável a observação direta; por isso a tradição oral fixou, para essas espécies, marcos temporais objetivos — a queda da segunda chuva do outono (רְבִיעָה שְׁנִיָּה) — que substituem o critério observacional por um calendário fixo. A "segunda chuva" é a segunda grande precipitação do início do inverno em Israel — momento em que a vegetação silvestre remanescente do verão se decompõe definitivamente pela umidade, marcando de modo confiável e verificável o fim da temporada. A mishná distingue várias situações: ervas colhidas ainda úmidas (permitidas até que sequem as ervas doces que restam no campo — um critério intermediário), ervas já secas quando colhidas (permitidas até a segunda chuva diretamente), e folhas de cana e de videira (permitidas enquanto ainda presas à planta, e submetidas ao mesmo critério da segunda chuva quando colhidas secas). Rabi Akiva simplifica tudo isso, propondo um único critério — a segunda chuva — para todos os casos.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado às leis do biur.
O Rambam confirma o critério da mishná, esclarecendo a sequência: primeiro secam as ervas doces no campo, permitindo ainda a colheita das secas remanescentes; e só quando cai a segunda chuva da saída da shevi'it (já no ano seguinte) é que se encerra definitivamente a permissão, exigindo o biur do que resta guardado.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Quem recolhe as ervas úmidas chama-se "melaket" (o colhedor), e quem recolhe as secas chama-se "megabev" (o varredor), conforme o Targum traduz "לְקֹשֵׁשׁ קַשׁ" (colher restolho) por "לְגַבָּבָא גִלֵּי"... E "matok" (o doce) é uma erva amarga chamada assim por ironia, ou uma erva específica, já explicada anteriormente.
E a "rebi'á sheniyá" (segunda chuva) já se explicou ao final do tratado Peá: seu tempo, num ano precoce, é em sete de Marcheshvan; num ano mediano, em vinte e três de Marcheshvan; e num ano tardio, no primeiro dia de Kislev — isso na Terra de Israel.
"Quem colhe ervas úmidas": come-as sem biur (livremente, sem a obrigação imediata). "Até que seque": refere-se à umidade da terra que adoça os frutos e as ervas ainda no campo; a partir dali é obrigado a fazer o biur delas.
"Rebi'á" (chuva): assim chamada porque a chuva "cobre" (רוֹבֵעַ, no sentido de fecundar) a terra e a faz gerar, como o macho que cobre a fêmea. Outra explicação: relaciona-se à raiz "deitar/prostrar", pois a chuva prostra o solo, encharcando-o.