Não se cozinham vegetais de shevi'it em óleo de teruma, para que não os leve à invalidação (se o óleo de teruma se tornar impuro, todo o cozido, incluindo os vegetais de shevi'it, terá de ser queimado, causando a perda de frutos que a Torá quer preservados para consumo). Mas Rabi Shimon permite (considera o risco insuficiente para proibir tal mistura). E o último elo de uma cadeia de trocas sucessivas é sempre preso pela santidade de shevi'it (à medida que o dinheiro ou produto de shevi'it é sucessivamente trocado por outra coisa, a santidade sempre "salta" para o novo item recebido, liberando o anterior).
A mishná retoma o tema do dinheiro de shevi'it (demei shevi'it, ver 8:4), agora estabelecendo o princípio geral que rege cadeias de sucessivas trocas — e um caso de precaução prática ao misturar frutos de shevi'it com teruma, cuja santidade impõe suas próprias restrições.
Da palavra "קֹדֶשׁ" (santidade) e da forma verbal "תִּהְיֶה" (será — lida pela tradição oral como "בהוייתה תהא", em sua existência permanecerá), os sábios derivam simultaneamente que o dinheiro de shevi'it herda a santidade do fruto vendido, como o resgate de um objeto sagrado, e que essa santidade, ao ser sucessivamente trocada por novos produtos, permanece sempre presa ao último elo da cadeia, liberando os anteriores. O Sifra explica esse raciocínio por analogia (gezerá shavá) com hekdesh (objeto consagrado ao Templo): assim como o dinheiro que resgata um hekdesh herda sua santidade, também o dinheiro recebido pela venda de frutos de shevi'it (demei shevi'it) herda a santidade do fruto. Mas há uma diferença crucial: no caso do hekdesh, uma vez resgatado por dinheiro, o objeto original sai da santidade e se torna comum (chulin) — o dinheiro herda tudo, e o objeto original é liberado definitivamente. A palavra "תהיה" ensina que, na shevi'it, isso não ocorre: "em sua existência ela permanecerá" — a santidade do fruto original não se esvazia quando ele é trocado, mas se propaga em cadeia: se o fruto é vendido por carne, a carne carrega agora a santidade (e ambos, fruto e carne, ficam sujeitos ao biur); se a carne é trocada por peixe, a carne se libera e o peixe assume a santidade; e assim sucessivamente — sempre o "último elo" (אחרון אחרון) é que fica preso pela santidade de shevi'it, e o próprio fruto original, ao contrário do dinheiro de hekdesh, permanece proibido para sempre em sua forma original.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam. O Rambam decide a halachá contra a opinião de Rabi Shimon.
O Rambam explicita a diferença fundamental entre a santidade de shevi'it e a de hekdesh: o resgate de um objeto sagrado libera totalmente o objeto original, mas a troca de um fruto de shevi'it nunca libera o fruto original — apenas soma um novo elo à cadeia de santidade, sem jamais eliminar a anterior. Quanto ao caso específico dos vegetais cozidos em óleo de teruma, o Rambam não segue a permissão de Rabi Shimon, mantendo a cautela da opinião anônima da mishná, por temor de que a mistura leve à perda de ambos os produtos caso o óleo se torne impuro.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Para que não os leve à invalidação": pois se for invalidado por causa da teruma, tudo será queimado, pois causa que os frutos de shevi'it não sejam comidos.
E disseram no Sifra: "pois é jubileu, é santidade" — assim como o hekdesh prende seu dinheiro, também a shevi'it prende seu dinheiro; ou será que, assim como o hekdesh prende seu dinheiro e sai para o comum, também a shevi'it prende seu dinheiro e sai para o comum? Ensina o versículo: "será" — em sua existência permanecerá, eis que ela está em sua santidade. Concluis, portanto, dizer: o último elo é sempre preso pela shevi'it, e o próprio fruto é proibido.
Como? Comprou com frutos de shevi'it carne — ambos, os frutos e a carne, são obrigados ao biur na shevi'it. Comprou com a carne peixes — saiu a carne de sua obrigação de biur, pois já cumpriu sua santidade na compra anterior, e foi preso o dever ao peixe; e é obrigado ao biur o fruto original e o peixe. E isto é a explicação de "o último elo é sempre preso, e o próprio fruto é proibido" — e esta mesma lei é a lei do dinheiro de shevi'it, que já disse que explicaria em outros lugares deste tratado. E não é a halachá segundo Rabi Shimon.
"Para que não os leve à invalidação": pois se for invalidado por causa do óleo de teruma, tudo será queimado, e conclui-se que causa que os frutos de shevi'it não sejam comidos.
"Mas Rabi Shimon permite": trazer consagrados à casa da invalidação (Rabi Shimon é mais tolerante quanto ao risco). E não é a halachá segundo Rabi Shimon.
"E o último elo é sempre preso pela shevi'it": como? Comprou com frutos de shevi'it carne — a carne e os frutos ficam obrigados ao biur na shevi'it. Comprou com a carne peixes — saiu a carne da obrigação e foi preso o peixe. Comprou com os peixes óleo — saíram os peixes e foi preso o óleo, e é obrigado a remover os frutos e o óleo — resulta que o último elo é sempre o preso. E o próprio fruto de shevi'it é proibido para sempre, e derivamos isso do que está escrito "pois é jubileu, é santidade" — assim como o hekdesh prende seu dinheiro, também a shevi'it prende seu dinheiro; ou será que, assim como o hekdesh prende seu dinheiro e sai para o comum, também a shevi'it prende seu dinheiro e sai para o comum? Ensina o versículo: "será" — em sua existência permanecerá.