Os membros do tamid são colocados desde a metade da rampa e abaixo, no lado leste; e os dos mussafim são colocados desde a metade da rampa e abaixo, no lado oeste; e os de rosh chodesh são colocados abaixo da cornija do altar, embaixo. — Cada tipo de oferenda diária tinha seu próprio local designado na rampa de acesso ao altar antes de ser levada ao fogo: os membros do sacrifício contínuo matutino e vespertino ficavam depositados na metade inferior da rampa, do lado leste; os das oferendas adicionais de Shabat e festas, na metade inferior, do lado oeste; e os da oferenda adicional de lua nova, ainda mais abaixo, junto à borda saliente que contornava o altar.
Os shekalim e os bikurim só vigoram enquanto o Templo está de pé; mas o dízimo de grão, o dízimo de gado e os primogênitos vigoram tanto com o Templo de pé quanto sem o Templo de pé. — A mishná encerra o tratado com uma distinção fundamental: a coleta do meio-shekel anual e a oferenda dos primeiros frutos existem apenas para sustentar o serviço do Templo, e por isso cessam quando ele não está de pé; já a separação do dízimo de grãos, do dízimo de gado e a consagração dos primogênitos são obrigações ligadas à própria terra e ao próprio rebanho de Israel, e continuam vigentes independentemente da existência do Templo.
Quem consagra shekalim e bikurim, eis que são consagrados. Rabi Shimon diz: quem diz "bikurim são consagrados" — não são consagrados. — Mesmo sem o Templo em pé, alguém que declarar formalmente seus shekalim ou seus bikurim como consagrados efetivamente os torna sagrados, ainda que não haja como usá-los para sua finalidade original; Rabi Shimon discorda apenas quanto aos bikurim, que por sua natureza específica — ligada organicamente à terra e ao momento da colheita — não podem, em sua opinião, ser retroativamente consagrados por mera declaração quando já não há Templo para recebê-los.
O versículo de Shemot que institui a santidade do primogênito — bechor — é uma das três obrigações que a mishná final do tratado identifica como permanentes, ao lado do dízimo de grão e do dízimo de gado, precisamente porque nasce de um vínculo direto com o próprio corpo e a própria terra de Israel, e não de uma instituição centrada no Templo. Isso contrasta nitidamente com o meio-shekel, tema que dá nome a este tratado inteiro: a mitsvá do shekel, embora tenha ocupado oito perakim inteiros de discussão detalhada sobre calendário, tesouraria, cofres, avaliação de preços e destinos de excedentes, existe unicamente para financiar o serviço diário do Templo, e cessa por completo quando esse serviço não pode ser realizado. É uma nota conclusiva apropriadamente sóbria: o próprio tratado que tanto se dedicou à mecânica financeira do Templo termina reconhecendo os limites dessa mesma instituição, e apontando para as mitsvot que a sobrevivem.
"Só vigoram enquanto o Templo está de pé" — os shekalim, porque servem à necessidade das oferendas, e sem oferenda não há shekalim; e os bikurim, porque está escrito "os primeiros frutos de tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus" (Shemot 23), e sem casa não há bikurim. "Mas o dízimo de grão" etc. vigora tanto com o Templo de pé quanto sem ele, porque a santidade da terra de Israel nunca foi anulada, mesmo com a destruição do Templo.
O Rambam encerra aqui mesmo, em suas próprias palavras, o Perush HaMishnayot sobre todo o tratado Shekalim.
"Os membros do tamid são colocados desde a metade da rampa" etc.: a cornija aqui mencionada refere-se ao local de colocação das oferendas adicionais de rosh chodesh; dizem que tinha um côvado de largura, entre um canto e outro, sendo o espaço por onde caminhavam os pés dos sacerdotes. E quando desenharmos o altar, este local se esclarecerá para você. E fizeram assim para tornar público e reconhecível o caso de rosh chodesh, distinguindo-o visualmente dos demais tipos de oferenda.
Aqui se conclui o Perush HaMishnayot do Rambam sobre o tratado Shekalim.
"Quem consagra shekalim e bikurim" — como essas mitsvot só vigoram com o Templo de pé, se alguém as separar quando o Templo já não existe, ainda assim se tornam consagradas por sua própria declaração. "'Bikurim são consagrados' — não são consagrados" — porque está explicitamente escrito a respeito deles "trarás à casa do Senhor teu Deus" (Shemot 23): mesmo que sejam separados depois do fato, sem o Templo já não se consagram, e o próprio nome de bikurim não recai mais sobre eles, encerrando o tratado com a distinção mais precisa possível entre o que persiste e o que se extingue.