Seder Moed · Massechet Shekalim · Perek ז׳ · Mishná 2 de 7

Dinheiro encontrado diante dos comerciantes de gado

מָעוֹת שֶׁנִּמְצְאוּ לִפְנֵי סוֹחֲרֵי בְּהֵמָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Trata do estatuto do dinheiro achado diante dos vendedores de gado, que costumavam ser adquiridos com dinheiro de segundo dízimo pelos peregrinos, e distingue esse caso conforme o local e a época do ano.

Dinheiro encontrado diante dos comerciantes de gado é sempre segundo dízimo.Como a maioria dos animais vendidos nesses pontos era comprada com dinheiro de maasser sheni pelos peregrinos que subiam a Jerusalém, qualquer moeda achada ali, em qualquer época do ano, presume-se ser desse tipo.

No Monte do Templo, é comum.Já no espaço do Monte do Templo, ainda que seja época de festa e a maioria do dinheiro nas mãos das pessoas seja de segundo dízimo, o dinheiro achado ali é tratado como comum, porque esse local costuma ser varrido diariamente e o que se acha não veio de longe.

Em Jerusalém, na época da festa de peregrinação, é segundo dízimo; e no restante de todos os dias do ano, é comum.Na cidade de Jerusalém em geral, distingue-se pela época: durante as três festas de peregrinação, quando a maioria do dinheiro circulante é de maasser sheni, o achado segue essa maioria; no resto do ano, quando a maioria do dinheiro é comum, segue-se essa outra maioria.

מָעוֹת שֶׁנִּמְצְאוּ לִפְנֵי סוֹחֲרֵי בְּהֵמָה, לְעוֹלָם מַעֲשֵׂר. בְּהַר הַבַּיִת, חֻלִּין. בִּירוּשָׁלַיִם בִּשְׁעַת הָרֶגֶל, מַעֲשֵׂר. וּבִשְׁאָר כָּל יְמוֹת הַשָּׁנָה, חֻלִּין:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikra 27:32
וְכָל מַעְשַׂר בָּקָר וָצֹאן כֹּל אֲשֶׁר יַעֲבֹר תַּחַת הַשָּׁבֶט הָעֲשִׂירִי יִהְיֶה קֹדֶשׁ לַה'׃
E todo dízimo de gado e rebanho, tudo o que passar sob o cajado, o décimo será consagrado ao Senhor.

O pano de fundo desta mishná é a instituição bíblica do maasser sheni — o segundo dízimo, descrito em Devarim 14:22-26, que o dono podia resgatar por dinheiro e levar a Jerusalém para ali gastar em alimento, incluindo a compra de animais para consumo festivo. É por isso que os comerciantes de gado próximos ao Templo recebiam sobretudo moedas desse tipo, e qualquer dinheiro achado à sua porta presumia-se de segundo dízimo. O versículo de Vayikra citado aqui, sobre o dízimo do gado e do rebanho, embora trate de uma mitsvá distinta — o maasser behemá, o dízimo do gado propriamente dito — reforça o pano de fundo da economia sagrada de dízimos que envolve todo o capítulo: tanto o dízimo de animais quanto o segundo dízimo em dinheiro giravam em torno de Jerusalém e do Templo, cada um com sua própria regra de identificação.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura · Shekalim 7:2
בִּשְׁעַת הָרֶגֶל הַכֹּל מַעֲשֵׂר. וְלֹא אָזְלִינַן בָּתַר רֹב שַׁתָּא, לְפִי שֶׁשְׁוָקֵי יְרוּשָׁלַיִם עֲשׂוּיִים לְהִתְכַּבֵּד בְּכָל יוֹם, וְאִי נָפוּל מִקֹּדֶם כְּבָר נִמְצְאוּ:

"Na época da festa, tudo é segundo dízimo" — e não se segue a maioria do ano inteiro, porque as praças de Jerusalém costumam ser varridas todos os dias; e se algo tivesse caído antes da festa, já teria sido encontrado. Por isso, o que se acha durante a própria festa segue a maioria daquele momento, quando a maior parte do dinheiro em circulação é de segundo dízimo.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Shekalim 7:2
מָעוֹת שֶׁנִּמְצְאוּ לִפְנֵי סוֹחֲרֵי בְהֵמָה כוּ': מָעוֹת שֶׁנִּמְצְאוּ לִפְנֵי סוֹחֲרֵי בְּהֵמָה, רְצוֹנוֹ לוֹמַר בִּירוּשָׁלַיִם, לְפִי שֶׁבְּנֵי אָדָם עוֹלִים שָׁם בְּמָעוֹת מַעֲשֵׂר שֵׁנִי לִקְנוֹת בָּהֶם הַבְּהֵמוֹת עַל הָרֹב, כְּמוֹ שֶׁבֵּאַרְנוּ בְּמַסֶּכֶת מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, וְכָל מַה שֶּׁיִּמָּצֵא לִפְנֵי סוֹחֲרֵי הַבְּהֵמוֹת.

"Dinheiro encontrado diante dos comerciantes de gado" etc.: dinheiro encontrado diante dos comerciantes de gado — refere-se a Jerusalém, pois as pessoas sobem ali com dinheiro de segundo dízimo para comprar animais na maioria dos casos, como explicamos no tratado de Maasser Sheni; e tudo que for encontrado diante dos comerciantes de gado segue essa presunção.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Shekalim 7:2
לְעוֹלָם מַעֲשֵׂר. אֲפִלּוּ כָּל הַשָּׁנָה כֻּלָּהּ. לְפִי שֶׁעוֹלֵי רְגָלִים אֵינָן מַסְפִּיקִין לְהוֹצִיא כָּל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי שֶׁלָּהֶן בָּרְגָלִים. וּבְהַר הַבַּיִת חֻלִּין. וַאֲפִלּוּ בָּרֶגֶל, שֶׁרֹב מָעוֹת שֶׁבְּיַד בְּנֵי אָדָם אָז הֵן שֶׁל מַעֲשֵׂר, אֲפִלּוּ הָכִי הֲווּ חֻלִּין, דְּאָזְלִינַן בָּתַר רֻבָּא דְּשַׁתָּא.

"É sempre segundo dízimo" — mesmo durante o ano inteiro, porque os peregrinos das festas não conseguem gastar todo o seu segundo dízimo apenas nos dias de festa, e continuam gastando-o depois. "No Monte do Templo é comum" — mesmo durante a própria festa, quando a maior parte do dinheiro nas mãos das pessoas é de segundo dízimo; ainda assim, no Monte do Templo o dinheiro é tratado como comum, pois ali se segue a maioria do ano inteiro, e não a maioria daquele momento específico.

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli — este tratado só tem Guemará no Talmud Yerushalmi, restando no Bavli apenas a Mishná e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.