Seder Moed · Massechet Shekalim · Perek ב׳ · Mishná 2 de 5

O mensageiro que pagou o próprio shekel com o dinheiro do amigo

הַנּוֹתֵן שִׁקְלוֹ לַחֲבֵרוֹ לִשְׁקֹל עַל יָדוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Trata de dois casos de uso indevido de dinheiro que já foi consagrado à teruma da câmara — um em que o mensageiro paga com o shekel do amigo em nome próprio, outro em que alguém paga seu shekel com dinheiro já consagrado ao Templo — e de como se resgata dinheiro de segundo dízimo ou do sétimo ano gasto por engano dessa forma.

Quem dá seu shekel a seu amigo para pesá-lo em seu nome, e este o pesou em nome próprio — se já havia sido feita a teruma, cometeu meilá.Se alguém confia seu shekel a um amigo para que este o entregue como pagamento em seu nome, mas o amigo o usa para pagar o próprio shekel, então, caso a teruma da câmara já tenha sido separada sobre o dinheiro coletado e o que ainda estava por coletar — o que inclui esse shekel confiado —, o amigo se beneficiou de bens consagrados, pois deixou de ser penhorado por causa desse pagamento, e comete a transgressão de meilá.

Quem paga seu shekel com dinheiro consagrado — se já havia sido feita a teruma e o animal foi oferecido, cometeu meilá.Se alguém tinha em mãos dinheiro já consagrado ao Templo, supondo tratar-se de dinheiro comum, e o usou para pagar seu próprio shekel, a transgressão de meilá só se consuma quando a teruma é separada e um animal é efetivamente adquirido e oferecido com aquele dinheiro — só então se considera que ele se beneficiou de bens sagrados ao se livrar da penhora.

Do dinheiro de segundo dízimo, do dinheiro do sétimo ano, coma o equivalente.Quem descobre que pagou seu shekel com moedas de segundo dízimo ou de produtos do ano sabático deve trazer outro shekel comum e declarar que aquelas santidades passam a estar vinculadas a este, para depois consumir, em Jerusalém e segundo as regras próprias de cada santidade, produtos equivalentes ao valor gasto por engano.

הַנּוֹתֵן שִׁקְלוֹ לַחֲבֵרוֹ לִשְׁקֹל עַל יָדוֹ, וּשְׁקָלוֹ עַל יְדֵי עַצְמוֹ, אִם נִתְרְמָה תְּרוּמָה מָעַל. הַשּׁוֹקֵל שִׁקְלוֹ מִמְּעוֹת הֶקְדֵּשׁ, אִם נִתְרְמָה תְרוּמָה וְקָרְבָה הַבְּהֵמָה מָעַל. מִדְּמֵי מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, מִדְּמֵי שְׁבִיעִית, יֹאכַל כְּנֶגְדָּן:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikrá 5:15-16
נֶפֶשׁ כִּי תִמְעֹל מַעַל וְחָטְאָה בִּשְׁגָגָה מִקָּדְשֵׁי ה׳... וְאֵת אֲשֶׁר חָטָא מִן הַקֹּדֶשׁ יְשַׁלֵּם, וְאֶת חֲמִישִׁתוֹ יוֹסֵף עָלָיו.
Se alguém cometer transgressão e pecar por engano contra as coisas sagradas do Eterno... e o que pecou contra o sagrado, pagará, acrescentando a ele um quinto.

A lei da meilá — usar por engano, para uso pessoal, algo que foi consagrado ao Templo — exige tanto a restituição do valor quanto o acréscimo de um quinto e a oferta de um sacrifício de culpa. A Mishná aplica esse princípio ao caso de quem se beneficia de dinheiro já separado como teruma da câmara: ao evitar a própria penhora usando fundos que já pertenciam ao Templo, ele "peca contra o sagrado" tal como descrito no versículo, ainda que não tenha havido intenção de transgredir.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Mishné Torá, Hilchot Shekalim 3:2
הַנּוֹתֵן שִׁקְלוֹ לַחֲבֵרוֹ לִשְׁקֹל עַל יָדוֹ, וְהָלַךְ הַשָּׁלִיחַ וְשָׁקָלוֹ בִּשְׁבִיל עַצְמוֹ, אִם נִתְרְמָה תְרוּמָה כְּבָר מָעַל, שֶׁהֲרֵי נֶהֱנָה מִן הַהֶקְדֵּשׁ שֶׁלֹּא מִשְׁכְּנוּ עַל שִׁקְלוֹ.

Quem dá seu shekel a seu amigo para pesá-lo em seu nome, e o mensageiro foi e o pesou para si mesmo — se já havia sido feita a teruma, já cometeu meilá, pois se beneficiou de bens consagrados ao não ser penhorado por seu próprio shekel.

Rambam · Mishné Torá, Hilchot Meilá 6:1
אֵין מוֹעֲלִין אֶלָּא בְּדָבָר שֶׁיֵּשׁ בּוֹ מַמָּשׁ וְנֶהֱנֶה מִמֶּנּוּ הֲנָיָה שֶׁל קִיּוּם, כְּגוֹן שֶׁהוֹצִיא הֶקְדֵּשׁ לְחֻלִּין.

Não se comete meilá senão em algo de substância concreta e do qual se desfruta um benefício efetivo — como quem transfere um bem consagrado para uso comum.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Shekalim 2:2
אִם נִתְרְמָה תְרוּמָה מָעַל הַשּׁוֹקֵל, לְפִי הָעִקָּרִים שֶׁהִקְדַּמְתִּי לְךָ, כִּי כְּשֶׁהוּא תוֹרֵם תּוֹרֵם עַל הַגָּבוּי וְעַל הֶעָתִיד לִגְבּוֹת, וְאוֹתוֹ הַשֶּׁקֶל כְּשֶׁנְּתָנוֹ לַחֲבֵרוֹ מִיָּד קְנָאוֹ הַהֶקְדֵּשׁ כְּשֶׁתָּרַם, וּכְשֶׁנְּתָנוֹ עַל עַצְמוֹ נֶהֱנָה מִן הַהֶקְדֵּשׁ וְנִתְחַיֵּב קָרְבַּן מְעִילָה. וְהַהֲנָאָה שֶׁהוּא נֶהֱנֶה הִיא שֶׁלֹּא יְמַשְׁכְּנוּ אוֹתוֹ. וְכֵן הַשּׁוֹקֵל שִׁקְלוֹ מִמְּעוֹת שֶׁהָיוּ אֶצְלוֹ הֶקְדֵּשׁ, וּנְתָנוֹ אַחַר שֶׁנִּתְרְמָה תְרוּמָה, וְאַחַר שֶׁנָּתַן קָנוּ מֵאוֹתָהּ הַתְּרוּמָה בְּהֵמָה וְהִקְרִיבוּהָ, אָז יִתְחַיֵּב מְעִילָה. וְאִם נְתָנוֹ מִמְּעוֹת מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, יֹאכַל כְּנֶגְדּוֹ בִּירוּשָׁלַיִם כְּדִין מַעֲשֵׂר שֵׁנִי; וְאִם הָיָה מִדְּמֵי שְׁבִיעִית, יֹאכַל גַּם כֵּן כְּנֶגְדּוֹ בִּקְדֻשַּׁת שְׁבִיעִית.

Se já havia sido feita a teruma, o que pesou cometeu meilá, conforme os princípios que já expus: quando se separa a teruma, separa-se sobre o já coletado e sobre o que ainda está por ser coletado; e aquele shekel, ao ser dado ao amigo, já foi adquirido pelo Templo no momento da teruma. E quando o deu em nome próprio, beneficiou-se do bem consagrado e ficou obrigado ao sacrifício de meilá — e o benefício que obteve foi não ser penhorado.

Do mesmo modo, quem paga seu shekel com dinheiro que tinha consigo já consagrado, e o deu depois de feita a teruma, e depois que o deu compraram com aquela teruma um animal e o ofereceram, então fica obrigado à meilá. E se o pagou com moedas de segundo dízimo, deve consumir o equivalente em Jerusalém conforme a lei do segundo dízimo; e se era de valores do sétimo ano, deve igualmente consumir o equivalente com a santidade do sétimo ano.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Shekalim 2:2
הַנּוֹתֵן שִׁקְלוֹ לַחֲבֵרוֹ לִשְׁקֹל עַל יָדוֹ: בִּשְׁבִילוֹ, וְהָלַךְ הַשָּׁלִיחַ וְשָׁקַל בִּשְׁבִיל עַצְמוֹ. מָעַל: זֶה שֶׁשָּׁקַל בִּשְׁבִיל עַצְמוֹ, דְּמִיָּד שֶׁנִּתְרְמָה הַתְּרוּמָה עַל הֶעָתִיד לִגְבּוֹת, הָיָה זֶה הַשֶּׁקֶל שֶׁנָּתַן לוֹ חֲבֵרוֹ לִשְׁקֹל עָלָיו בִּרְשׁוּת הֶקְדֵּשׁ, וּכְשֶׁנְּתָנוֹ עַל עַצְמוֹ נֶהֱנָה מִן הַהֶקְדֵּשׁ, שֶׁהֲרֵי אִם לֹא הָיָה נוֹתֵן שֶׁקֶל זֶה בִּשְׁבִיל עַצְמוֹ הָיוּ מְמַשְׁכְּנִין אוֹתוֹ. הַשּׁוֹקֵל שִׁקְלוֹ מִן הַהֶקְדֵּשׁ: שֶׁהָיוּ בְּיָדוֹ מָעוֹת שֶׁהֻקְדְּשׁוּ לְבֶדֶק הַבַּיִת, וְכִסָּבוּר שֶׁהֵם שֶׁל חֻלִּין, וְשָׁקַל מֵהֶם שִׁקְלוֹ, וְנִתְרְמָה הַתְּרוּמָה וְקָנוּ בְּהֵמָה בְּאוֹתָהּ תְּרוּמָה וְהִקְרִיבוּהָ, אָז נִתְחַיֵּב הַשּׁוֹקֵל קָרְבַּן מְעִילָה, אֲבָל לֹא קֹדֶם. יֹאכַל כְּנֶגְדָּן: יָבִיא שֶׁקֶל וְיֹאמַר, כָּל מָקוֹם שֶׁהֵם מַעֲשֵׂר שֵׁנִי אוֹ שְׁבִיעִית יִהְיוּ מְחֻלָּלִים עַל שֶׁקֶל זֶה, וְיֹאכַל פֵּרוֹת שֶׁיִּקְנֶה בְּאוֹתוֹ שֶׁקֶל בִּירוּשָׁלַיִם כְּדִין מַעֲשֵׂר שֵׁנִי.

"Quem dá seu shekel a seu amigo para pesá-lo em seu nome" — em seu benefício, e o mensageiro foi e pesou em benefício próprio. "Cometeu meilá" — este que pesou para si mesmo, pois assim que a teruma foi separada sobre o que ainda estava por ser coletado, aquele shekel que o amigo lhe deu para pesar já estava sob posse do Templo, e ao dá-lo em nome próprio beneficiou-se do consagrado — pois, se não tivesse dado esse shekel em seu próprio nome, o teriam penhorado.

"Quem paga seu shekel com dinheiro consagrado" — tinha em mãos dinheiro consagrado à manutenção do Templo, e supôs que fosse comum, e pagou com ele seu shekel; e quando a teruma foi separada e compraram com ela um animal e o ofereceram, aí sim o pagador ficou obrigado ao sacrifício de meilá, mas não antes. "Coma o equivalente" — traga um shekel e diga: onde quer que estejam moedas de segundo dízimo ou do sétimo ano, sejam resgatadas neste shekel, e coma frutos que comprar com esse shekel em Jerusalém segundo a lei do segundo dízimo.

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli — este tratado só tem Guemará no Talmud Yerushalmi, restando no Bavli apenas a Mishná e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.