A pedra que está na cabaça — uma cabaça seca usada como recipiente para tirar água de um poço; sendo leve, ela flutua na superfície em vez de afundar, e por isso se prende uma pedra em sua boca, para servir de lastro e fazê-la afundar — se enchem água com ela e ela não cai — quando a pedra está firmemente presa na abertura da cabaça, a ponto de não se soltar mesmo com o movimento de encher água — enchem água com ela — pois, estando tão bem fixada, a pedra deixa de ser um objeto avulso e passa a ser considerada parte integrante do próprio utensílio, como se fosse sua base — e, se não — a pedra não está bem presa, soltando-se com facilidade — não enchem água com ela — pois, temendo que a pedra solta se desprenda dentro do poço no ato de puxar a água, os Sábios proibiram por decreto o uso desse recipiente, receando que a pessoa venha a consertá-lo no próprio Shabat. O ramo que está amarrado a um jarro pequeno — uma alça improvisada, feita de um galho flexível amarrado a um pequeno jarro de barro, usado para tirar água de um poço ou fonte — enchem água com ele no Shabat — pois, estando o ramo bem amarrado ao jarro, ele se torna parte do próprio utensílio, permitindo seu uso normal para tirar água.
A mishná ensina o princípio de que um objeto normalmente muktzê — como uma pedra solta — pode perder esse estatuto quando está firmemente anexado a um utensílio permitido, tornando-se, na prática, parte dele. O critério decisivo é a firmeza da fixação: se ela resiste ao uso normal do utensílio, considera-se unida; caso contrário, permanece um objeto separado e proibido.
O receio por trás do decreto. A Guemará (Shabat 125a-125b) explica que a preocupação com a pedra solta na cabaça não é apenas estética, mas prática: se a pedra não está bem fixada, há risco real de que ela se solte durante o processo de puxar a água do poço, e a pessoa, ao perceber isso, seja tentada a prendê-la novamente ali mesmo — uma ação que constituiria consertar um utensílio (tikun kli), proibida no Shabat. Por isso, os Sábios vedaram preventivamente o próprio uso do recipiente quando sua fixação é frágil.
Como o Rambam codifica a lei da pedra na cabaça e do pano sobre a cana, em Hilchot Shabat, capítulo vinte e cinco.
Os comentadores explicam a função da cabaça como recipiente de água e o motivo pelo qual a firmeza da pedra determina se ela é considerada parte do utensílio.
"A pedra que está na cabaça — se enchem água com ela e ela não cai etc." — keruyá é um utensílio de barro com que se tira água, e se pendura nele uma pedra para que fique pesado e desça ao fundo da fonte.
Tafiach é um pequeno jarro. E a razão pela qual não permitiram tirar água no Shabat quando não está bem fixado é um decreto — receio de que a pessoa venha a cortar algo dele com a mão no Shabat e consertá-lo para tirar água.
"A pedra que está na cabaça" — abóbora seca, com que se enche água; e, sendo leve, não afunda sozinha, mas flutua, e colocam nela uma pedra para pesá-la.
"Se enchem água" — com a cabaça.
"E a pedra não cai" — porque a fixaram bem na boca da cabaça, tornando-a um utensílio.
"E, se não" — a pedra é como qualquer outra pedra, e não se move a cabaça, que se torna base para a pedra que carrega — sendo, portanto, proibida como base de objeto muktzê.
"O ramo que está amarrado a um jarro pequeno" — para um pequeno jarro com que se tira água do poço ou da fonte, enchem água com ele, pois esse ramo se torna, ele mesmo, um utensílio.
"Keruyá" — abóbora seca com que se enche água.
"A pedra que está na cabaça" — que se pendura nela uma pedra para que afunde e se encha.
"E não cai" — quando se enche com ela.
"O ramo amarrado a um jarro pequeno" — corda de ramo de videira amarrada a um pequeno jarro para tirar água com ele.
Transição para o próximo tema. A mesma lógica de "objeto que se une firmemente a um utensílio permitido perde seu estatuto de muktzê" será aplicada, na mishná seguinte, ao caso da tampa da janela — outro objeto cuja utilização no Shabat depende de estar preparado e fixado desde antes do início do dia.