A mitsvá dos que são queimados: afundavam-no no esterco até seus joelhos, colocavam um lenço rígido dentro de um macio e o enrolavam em volta do seu pescoço. Este puxava para si e aquele puxava para si, até que ele abrisse a boca; e acendia-se o pavio e o lançavam dentro de sua boca, e ele descia para dentro de seus intestinos e queimava suas entranhas. — O condenado era colocado de pé sobre esterco amontoado, que o afundava até os joelhos e o impedia de se debater. Em seu pescoço enrolava-se um lenço duplo — o interno, rígido, para produzir o efeito de estrangulamento; o externo, macio, para que o tecido rígido não ferisse a pele. As duas testemunhas seguravam as pontas do lenço e puxavam cada uma para o seu lado, forçando-o, pela asfixia momentânea, a abrir a boca. Nesse instante, lançava-se em sua boca um pavio de metal em fusão, que descia pela garganta e queimava as entranhas por dentro, causando a morte. Este procedimento cumpria tecnicamente a "queima" exigida pela Torá sem incinerar o corpo externamente — entendimento apoiado, segundo os comentadores, no relato bíblico da morte dos filhos de Aharon, cujos corpos permaneceram intactos apesar de a Escritura descrever sua morte como "queima".
Rabi Yehuda diz: se ele morresse em suas mãos, não teriam cumprido nele a mitsvá da queima; mas abrem sua boca com uma tenaz, contra sua vontade, e acende-se o pavio e o lançam dentro de sua boca, e desce para dentro de seus intestinos e queima suas entranhas. Disse Rabi Elazar ben Tzadok: aconteceu com a filha de um sacerdote que cometeu adultério, e a cercaram com feixes de sarmentos e a queimaram. Disseram-lhe: porque o tribunal daquela época não era versado. — Rabi Yehuda teme que, no procedimento descrito, o próprio ato de puxar o lenço para forçar a abertura da boca acabe por estrangular o condenado antes que o pavio seja lançado — o que constituiria, na prática, uma morte por estrangulamento, não pela queima que a halachá exige para essa transgressão específica. Para evitar essa possibilidade, propõe abrir a boca do condenado à força com uma tenaz, sem recorrer ao lenço. O relato de Rabi Elazar ben Tzadok — de uma filha de sacerdote executada pelo método de ser envolta em gravetos e incendiada, prática associada aos saduceus, que liam os versículos literalmente sem as tradições recebidas — é trazido como exemplo do que ocorre quando um tribunal não domina o procedimento correto; os sábios respondem que aquele tribunal simplesmente não era competente na matéria, e que seu ato não estabelece precedente.
Rambam identifica o pavio como um objeto derretido de metal — na prática, chumbo fundido — e explica por que verter esse metal nas entranhas se chama "queima": porque a queima do que está dentro do corpo já recebe esse nome, como se aprende do relato dos filhos de Aharon, cujos corpos exteriores não foram consumidos pelo fogo, embora a Escritura descreva sua morte como uma "queima". E acrescenta a razão de fundo do procedimento: ele é concebido para abreviar ao máximo o sofrimento do condenado, em cumprimento do princípio "amarás ao teu próximo como a ti mesmo" — aplicado, segundo Rambam, mesmo a quem o tribunal executa.
Bartenura explica cada elemento técnico: o afundamento no esterco impede que o condenado se debata e desloque o pavio para longe da boca; o lenço rígido dentro do macio serve, por dentro, para provocar a asfixia que abre a boca, e por fora, para proteger a pele; o pavio é de chumbo, derretido e vertido dentro da boca. Confirma que a halachá não segue Rabi Yehuda. E, sobre o relato final, explica que aquele tribunal era composto por saduceus, que rejeitavam a tradição oral recebida — a guezerá shavá — e liam os versículos apenas em seu sentido literal aparente, executando por um método não autorizado pela halachá recebida.
Rashi confirma, ponto a ponto, a função técnica de cada elemento do procedimento: o afundamento no esterco evita que o pavio caia sobre a pele externa em vez de ser lançado à boca; o duplo lenço equilibra a necessidade de sufocar — para forçar a abertura da boca — com a de não ferir o pescoço; o pavio é de chumbo. Sobre a posição de Rabi Yehuda, explica que ele evita por completo o método do lenço, receando que a própria asfixia já mate o condenado antes do lançamento do pavio, o que frustraria o cumprimento específico da pena de queima. E reafirma que o tribunal do relato de Rabi Elazar ben Tzadok era formado por saduceus, que careciam da tradição da guezerá shavá e liam o texto bíblico apenas em seu sentido literal aparente.