Encerrado o julgamento, levam-no para apedrejá-lo. O local do apedrejamento ficava fora do tribunal, pois foi dito: "Tira o que amaldiçoou" (Vayikrá 24:14). — Assim que o tribunal chegava a um veredito de culpa em julgamento capital, o condenado era conduzido ao local da execução, que não ficava dentro do próprio recinto do tribunal, mas a uma certa distância dele. A mishná fundamenta essa distância no versículo sobre o blasfemador, de onde se aprende que a execução não se realiza no mesmo lugar em que o julgamento foi proferido.
Um fica à porta do tribunal com os panos na mão, e outro homem monta o cavalo, distante dele o suficiente para que possa vê-lo. Se um diz: "tenho o que ensinar em seu favor", aquele acena com os panos e o cavalo corre e o detém. E mesmo se ele próprio diz: "tenho o que ensinar em meu favor", devolvem-no mesmo quatro e cinco vezes, contanto que haja substância em suas palavras. — O procedimento previa uma cadeia de comunicação rápida entre o tribunal e o cortejo que já se dirigia à execução: se, depois do veredito, algum juiz encontrasse ainda uma razão nova para absolver o condenado, um sinal com panos era dado, e um cavaleiro posicionado especificamente para isso corria para deter a marcha. E essa possibilidade de interrupção não se limitava aos juízes — o próprio condenado podia alegar, em seu próprio favor, um argumento de mérito, e era trazido de volta ao tribunal quantas vezes fosse necessário, desde que seus argumentos tivessem substância real, e não fossem mero pretexto para ganhar tempo.
Se lhe encontraram mérito, o libertavam; e se não, sai para ser apedrejado. E um pregoeiro sai adiante dele: "Fulano, filho de fulano, sai para ser apedrejado por ter cometido tal transgressão, e fulano e fulano são suas testemunhas; todo aquele que sabe de mérito a seu favor, venha e ensine-o." — Somente depois de esgotada toda essa margem de reconsideração é que o condenado de fato saía para a execução — e mesmo nesse momento final, um pregoeiro caminhava à sua frente, anunciando publicamente seu nome, sua transgressão e a identidade das testemunhas que depuseram contra ele, de modo que qualquer pessoa na multidão que tivesse conhecimento de algo capaz de invalidar o testemunho ou sustentar sua inocência ainda pudesse se apresentar antes da execução.
Rambam explica que o local de apedrejamento ficava afastado do tribunal para que não parecesse que os juízes tinham pressa de matar — e enquanto o condenado era conduzido até lá, ainda havia tempo para que alguém encontrasse mérito a seu favor. Os panos, esclarece, eram simplesmente panos de pano comuns. E quanto à exigência de "substância" nas palavras para devolver o condenado ao tribunal, Rambam distingue: quando é outra pessoa que alega mérito em seu favor, apenas na primeira e segunda vez ele é devolvido sem mais exigência; mas quando é o próprio condenado quem alega ter argumento de defesa, ele é devolvido mesmo sem substância aparente em suas palavras — pois é possível que o medo da morte iminente lhe tenha feito esquecer momentaneamente seu próprio argumento, e que, ao retornar ao tribunal, sua mente se acalme e ele o recorde.
Bartenura acrescenta que o local de apedrejamento ficava afastado do tribunal precisamente porque, durante o trajeto, ainda havia a chance de se encontrar mérito e o condenado ser libertado. Os panos serviam para acenar como sinal de que o cavaleiro deveria deter o cortejo. Sobre a exigência de "substância" nas palavras, explica que, quando é outra pessoa que alega em favor do condenado sem que haja substância aparente, ele é devolvido apenas na primeira e segunda vez — pois talvez o pavor tenha calado seus próprios argumentos, e ao voltar sua mente se acalme e ele os recorde; além disso não se devolve mais, a menos que dois estudiosos examinem o caso e confirmem que há de fato substância, e então ele pode ser devolvido até quatro ou cinco vezes. E o pregão detalhado — com o dia, a hora e o lugar da transgressão — servia para que alguém pudesse, se possível, desqualificar as testemunhas como conspiradoras.
Rashi esclarece, logo de início, que "encerrado o julgamento" refere-se especificamente a um veredito de culpa. Explica também por que o apedrejamento é tratado primeiro entre as quatro formas de pena capital: por ser a mais severa das quatro, a mishná expõe suas regras primeiro, e só depois, nos capítulos seguintes, trata das demais na ordem decrescente de severidade. E confirma, a partir do próprio versículo "tira", que o condenado não era morto no mesmo lugar em que fora julgado.