Shofar que rachou e foi colado é inválido. — Se um shofar se rachou e a pessoa o colou de volta, ele permanece inválido para a mitzvá mesmo que, visualmente, pareça inteiro — pois na prática ele passou a se comportar como dois shofarot distintos unidos artificialmente, e não como uma peça única.
Colou fragmentos de shofarot, é inválido. — Da mesma forma, se alguém colar pedaços quebrados de diferentes shofarot para formar um shofar aparentemente completo, o resultado permanece inválido, pelo mesmo princípio.
Foi perfurado e vedado — se isso impede a tocada, é inválido; e se não, é apto. — Já quando o shofar sofreu apenas uma perfuração que foi devidamente vedada, sua validade depende de um critério prático: se a vedação interfere na qualidade do som produzido, o shofar é inválido; mas se a tocada permanece normal apesar do reparo, ele continua apto para a mitzvá.
O requisito de que a mitzvá se cumpra com "o shofar" — no singular, um objeto único e íntegro — é a base para invalidar tanto o shofar rachado e colado quanto o formado por fragmentos unidos. A leitura tradicional entende que a Torá exige um instrumento que seja, em sua natureza física, um único chifre — e não uma composição de partes distintas unidas por colagem, por mais perfeita que seja a junção visual. É por isso que o critério da mishná para a perfuração vedada é diferente e mais tolerante: uma vez que ali não há verdadeira multiplicidade de peças, mas apenas um pequeno reparo pontual num único chifre, a validade passa a depender exclusivamente do efeito prático sobre o som — se a vedação compromete ou não a qualidade da tocada.
Rambam distingue a rachadura ao longo do comprimento da rachadura transversal, e detalha as condições exatas para que a vedação de uma perfuração mantenha o shofar apto.
"Rachou-se e é inválido" — isso se aplica quando a rachadura corre ao longo do comprimento do chifre; mas se a rachadura for transversal, e restar, a partir do lugar da rachadura até a extremidade, uma medida suficiente de shofar — ou seja, o bastante para segurá-lo na mão e vê-lo se estendendo para os dois lados — ele permanece apto. E se foi perfurado, há regras específicas: é preciso vedar o furo; se o vedou com material da mesma espécie do shofar, e restou a maior parte dele íntegra sem perfuração, e os furos vedados não impediram a tocada — ele é apto; mas se o vedou com material de espécie diferente, é inválido.
"Shofar que rachou e foi colado" — colado com goma, cola. "É inválido" — porque, na prática, passa a se comportar como dois shofarot distintos. E isso vale quando a rachadura corre ao longo do comprimento do chifre; mas se rachou transversalmente, então, se restou desde o lugar onde se coloca a boca até o lugar da rachadura uma medida suficiente para uma tocada completa, ele é apto; e se não, é inválido.
Rashi identifica o material usado tradicionalmente para colar o shofar rachado.
"Nossa mishná: shofar que rachou e foi colado" — com uma cola conhecida na língua vernácula pelo nome "glud". "É inválido" — porque, apesar da aparência de peça única, o instrumento passa na prática a se comportar como se fossem dois shofarot distintos unidos artificialmente, e a Torá exige um shofar íntegro, não uma composição de partes.