Como examinam as testemunhas? Ao par que chega primeiro, examinam primeiro. — O procedimento seguia rigorosamente a ordem de chegada: o primeiro par a se apresentar era o primeiro a ser interrogado.
E fazem entrar o maior deles e dizem-lhe: Diz, como viste a lua? Diante do sol ou atrás do sol? Ao norte dele ou ao sul dele? Quão alta estava, e para onde se inclinava, e quão larga estava? — Trazia-se primeiro a mais respeitável das duas testemunhas, a quem se dirigiam cinco perguntas técnicas e precisas sobre a posição exata da lua observada: sua relação com o sol, sua orientação norte-sul, sua altura sobre o horizonte, a direção de sua inclinação e sua largura aparente.
Se disse diante do sol, não disse nada. — Uma resposta afirmando ter visto a lua "diante do sol" já bastava para invalidar o testemunho, pois essa posição é astronomicamente impossível — sinal de que a testemunha se enganou ou mentiu.
E depois faziam entrar o segundo e o examinavam. Se seus dizeres coincidiam, o testemunho ficava confirmado. — Terminado o interrogatório do primeiro, repetia-se o processo com o segundo; se as respostas de ambos coincidiam nos detalhes, o testemunho era aceito como válido, e o tribunal prosseguia para santificar o mês.
E aos demais pares perguntavam pontos gerais, não porque precisassem deles, mas para que não saíssem desanimados, a fim de que se acostumassem a vir. — Ainda que apenas um par de testemunhas fosse tecnicamente suficiente, o tribunal interrogava também, ainda que superficialmente, todos os demais pares que haviam chegado — não por necessidade legal, mas para não desapontá-los, garantindo que continuassem dispostos a se apresentar em ocasiões futuras.
É o modelo bíblico de investigação judicial cuidadosa — três verbos empilhados para indicar um exame minucioso e repetido — que fundamenta o protocolo detalhado desta mishná. A Torá não permite que um tribunal aceite qualquer relato de forma superficial: exige "investigar, indagar e perguntar bem" antes de dar por certo qualquer fato relevante. A mishná aplica esse padrão ao caso mais técnico e sujeito a erro entre todos os testemunhos da tradição judaica — a observação de um corpo celeste pequeno e fugaz no crepúsculo — multiplicando o exame em cinco perguntas específicas capazes de expor tanto o erro sincero quanto a mentira deliberada. E, no mesmo espírito de rigor equilibrado com humanidade, estende esse cuidado mesmo aos pares cujo depoimento já não é juridicamente necessário, para que o próprio ato de investigar não se torne, ele mesmo, uma fonte de desânimo para quem vier a testemunhar no futuro.
Rambam desenvolve longamente os fundamentos astronômicos por trás de cada uma das cinco perguntas; Bartenura detalha o critério de coincidência mínima entre os depoimentos.
"Diante do sol ou atrás do sol" — refere-se à parte iluminada da lua, do lado do sol. E disse "ao norte dele ou ao sul dele", porque a lua e as estrelas se afastam do curso do sol, ora ao sul, ora ao norte. E disse "quão alta estava" — refere-se à altura acima do horizonte, conforme a visão do olho. O Rambam continua explicando, em desenvolvimento extenso, que cada uma dessas cinco perguntas correspondia a um dado astronômico calculável de antemão pelos sábios, de modo que respostas coerentes com o cálculo confirmavam o testemunho, e respostas discrepantes o desqualificavam como falso.
"Quão alta estava" — a partir da terra, conforme a visão de vossos olhos. Se um dos testemunhos disse "alta como duas estaturas" e o outro disse "três", o testemunho permanece válido, pois a diferença é pequena e explicável pela subjetividade da observação; mas se um disse "três" e o outro "cinco", o testemunho fica anulado, pois a discrepância é grande demais para ser atribuída à mera diferença de percepção.
Rashi explica o raciocínio astronômico por trás da pergunta "diante do sol ou atrás do sol" e por que essa resposta específica invalidava o testemunho.
"A mishná: como examinam as testemunhas etc. Diante do sol" — o sol sempre percorre seu curso do leste ao sul, do sul ao oeste e do oeste ao norte; e a lua nunca é vista no trigésimo dia senão próximo ao pôr do sol, pois, sendo fina e pequena, não é visível enquanto o sol ainda está em seu vigor. "Quão alta estava" — a partir da terra, conforme a visão dos vossos olhos. "Se disse diante do sol, não disse nada" — a Guemará explica em detalhe por que essa posição específica é astronomicamente impossível, demonstrando que a testemunha não pode ter visto o que afirma ter visto.